15 de junho de 2009
As agruras do fracasso
Por arnaldo Branco
Toda vez que alguém famoso bate o pino, tipo Nietzsche ou Britney Spears, o comentário geral é: “não tinha estrutura para suportar as pressões do sucesso”. Ok, Nietzsche não tinha essa desculpa.
Mas e as pressões do fracasso? Isso é que dá nascer no Brasil, que trata o fracasso como se sucesso fosse. Aqui neguinho acha que o fracassado tem a vida ganha.
Não é bem assim. Perdedores economizam bastante em estilo de vida - pessoas bem-sucedidas são como a proverbial mulher de César (a tal que era obrigada a parecer honesta, embora os homens usassem saia). Não basta ser rico, etc, etc - mas ser um derrotado tem bastante desvantagens, como a desmotivação para o trabalho e a gozação dos adversários.
As angústias existenciais dos ricos são supervalorizadas, em detrimento dos problemas comezinhos de um pé-rapado médio, como o aluguel ou a superlotação da cela. Nós fracassados também temos problemas, mas ninguém parece se importar, talvez ocupados em ter pena da pobre menina rica da vez.
Como somos um país perdedor na essência, mantemos um estado de vigilância constante sobre a autocomiseração alheia: “quem é esse cara pra se achar mais sofredor que eu?”. Só os bem-sucedidos podem se queixar em paz.
E quem disse que as pressões do fracasso não somatizam? Sofro de delírio agudo de escritor: tenho leitores imaginários.
17 comentários para “As agruras do fracasso”
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15 de junho de 2009 às 17:03
[...] Em sua coluna desta semana, Arnaldo Branco nos lembra que os perdedores também são filhos de Deus. Leia aqui. [...]
15 de junho de 2009 às 17:54
é… choro flamenguista não é tão diferente de botafoguense…
15 de junho de 2009 às 18:55
Zé, bota aquele esquema de digitar as letras antes de escrever os comentários para barrar os semifuncionais…
15 de junho de 2009 às 22:41
às vezes não são imaginários, são invisíveis
16 de junho de 2009 às 9:46
[...] e aqui: As agruras do fracasso. [...]
16 de junho de 2009 às 11:04
Reciclando post véio?
16 de junho de 2009 às 11:28
Só para os desafortunados que não me lêem a tanto tempo quanto você, Renan.
16 de junho de 2009 às 14:07
Me lembrei que lá pelos idos dos mid-90’s, começo da “gestão” Garotinho, uma menina, filha de um joalheiro, tinha sido metralhada dentro do carro na saida do tunel Santa Bárbara, durante um assalto.
Aí a matéria d’O Globo do dia seguinte: “Hobbies de fulana eram andar de cavalo na Hípica e passear de lancha”… na época foi bizarro, primeiro eu pensei “porra, se eu morrer, ninguém vai ter pena de um pobre estudante que pega ônibus”, e depois fiquei imaginando as pessoas apertadas no ônibus do engarafamento de verão na Av. Brasil lendo isso, e pensando “tadinha, ela gostava tanto de andar a cavalo!!”..
16 de junho de 2009 às 14:29
“tipo Nietzsche ou Britney Spears”
Isso é demasiado sutil pra internet. Se fosse TV, entrava a risada gravada pra explicar que é piada, o que também corta o barato da coisa. Vai ter gente achando que a frase foi escrita a sério.
16 de junho de 2009 às 15:36
bota mais um imaginário aí na conta, meu patrão
16 de junho de 2009 às 18:01
“Nós fracassados”, “leitores imaginários”?
Fazer drama não combina com um bom flamenguista como você, Arnie.
17 de junho de 2009 às 13:36
já li isso em algum lugar…
17 de junho de 2009 às 13:57
Isso porque você e o Renan não viram a versão anterior. Por muito menos o Jabor dançou da Folha.
19 de junho de 2009 às 20:06
Que delícia ostentar o desdém aos adversários bem-sucedidos… Aaah, esses deslumbrados.
19 de junho de 2009 às 20:06
Tô contigo, Arnaldo. Os fracassados (cofcof, nós) herdarão a Terra.
19 de junho de 2009 às 20:07
Pelo menos o Brasil, né.
23 de junho de 2009 às 1:00
Essa foi forte! Seremos os leitores imaginados?
Será o último império da Terra, o dos fracassados. Depois de hordas, impérios, Igreja e Estados-Modernos teremos um mundo globalizado dominado por idiotas.