10 de maio de 2010
Era da brodagem
Por Arnaldo Branco
Saudades da indústria fonográfica. Antigamente ela tentava nos empurrar várias bandas ruins; hoje são os meus amigos que fazem isso. Agora é com eles que tenho que ficar revoltado.
Tenho mau gosto musical crônico, um tanto atenuado pelo fato de ser assumido e discreto. Daí nunca ter participado muito da troca de figurinhas em que as grandes gravadoras são o garoto rico e esnobe com quem ninguém quer brincar e os críticos e colegas antenados é quem têm os cromos autocolantes difíceis de tirar.
Problema: bandas independentes e artistas em início de carreira sem o apoio de uma major têm aquela aura de animalzinho carente que a crítica e meus amigos de alma indie adoram. Talvez por isso eles os adotem como se fizem parte da entourage, como os roadies ou as groupies.
E como hoje as gravadoras praticamente só se dedicam a músicos que podem controlar (bandas hipermaquiadas que tocam um estilo que elas não raro inventaram), saiu um pouco de cena o artista bom que “se vendeu”, ou aquela banda legal em que todos tentavam encontrar sinais de decadência porque ela tinha contrato de gravação com o diabo.
Portanto não dá mais para contar com eventual bom gosto de um diretor artístico ou com a isenção da crítica e dos camaradas. Estamos sozinhos com as nosssas escolhas na era da brodagem.
28 comentários para “Era da brodagem”
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10 de maio de 2010 às 9:03
Fraquinha. Próximo.
10 de maio de 2010 às 9:05
Sua namorada é indie né? Ela de te empurrar cada merda também. rs
Beijos
10 de maio de 2010 às 9:05
deve
10 de maio de 2010 às 10:38
Pois é, Arnaldo. Saudades da época em que, todo sábado, o Velho Guerreiro (a.k.a. Chacrinha), costurava com espinha de bacalhau um desfile de artistas variados, em troca de shows “0800″ nos subúrbios da cidade.
Naquela época, ao menos, tinha um zilhão de bandas que, se não eram lá essas coisas, não eram clones umas das outras como todos esses NXZero à esquerda da vida…
Bom, o que tenho feito é recorrer aos velhos LP’s do Genesis (fase Peter Gabriel) e outros grupos que conseguiam ser chamados de pop e, ainda assim, zelar pelo que outrora era tido como Arte.
10 de maio de 2010 às 10:45
O preço da liberdade é a eterna vigilância.
10 de maio de 2010 às 10:50
de vomitar mesmo é a bandinha do teu cunhado.
10 de maio de 2010 às 10:53
Excelente texto! No fim das contas, alguém vai ter que hastear suas bandeiras, exibir sua sapiência, e exibir os cascalhos na peneira. Se não for a crítica especializada, serão os “brothers”!
Também passo por isso constantemente. Só não me irrito muito, porque já conheci algumas coisas que gosto hoje em dia por causa desses sabichões. De cada 30 recomendações duvidosas, as vezes emerge algo que me agrada.
É o preço a se pagar em uma época de artistas por metro quadrado. No meio de tanto pseudo, alguns acabam mostrando serviço.
10 de maio de 2010 às 12:03
Legal a galerinha levando pro pessoal nos comentários, deve ser porque foram atingidos pessoalmente.
10 de maio de 2010 às 12:11
Ô Arnaldo, qual o nome da bandinha do seu cunhado que dá vontade de vomitar?
10 de maio de 2010 às 12:54
Arnaldo, eu gostei do texto, mas senti falta de nomes. Quem são os bois?
10 de maio de 2010 às 21:39
Música no Brasil é quase sempre uma merda…
11 de maio de 2010 às 9:21
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: Era da brodagem. [...]
11 de maio de 2010 às 14:22
Pô, fala aí, Arnaldo: qual o nome da bandinha do seu cunhado que dá vontade de vomitar?
11 de maio de 2010 às 18:59
Bota o telefone aê pra ele te ligar dizendo…
11 de maio de 2010 às 19:45
Tentei achar a banda… mas não rolou.
Fala aí, Arnaldo. É tipo Dibob?
11 de maio de 2010 às 21:51
Já foi a época que indicava as paradas indies para os outros, agora os deixo com os mau gostos crônicos…
Mas pior que as bandas independentes, são as que eram boas, mesmo sendo hypes e ficaram um lixo, como strokes, weezer, u2, etc, etc, etc.
A melhor banda pra mim hoje em dia é a nem tanto desconhecida mas esquisita Brian Jonestown Massacre, (olha eu aqui indicando) ou a que já foi quase hype, também de nome esquisito, …and you will know us by the trail of dead.
E o resto é lixo!
12 de maio de 2010 às 4:00
Gostei da coluna.
Só não gosto de uns saudosismos estranhos nos comentários.
12 de maio de 2010 às 11:34
“Dias de Carvalho disse:
Arnaldo, eu gostei do texto, mas senti falta de nomes. Quem são os bois?”
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
12 de maio de 2010 às 12:04
Tá certo que talvez só uma banda “independente” a cada 20 se salve. Mas ainda é melhor se aventurar por elas, seguindo indicações de gente que você sabe que tem gosto parecido com o seu ou seja lá o critério que você use, do que ficar esperando coisas boas aparecerem na mídia nacional (também aparece mas é bem mais raro - a “onda” agora são as bandas emo para pré-adolescentes: Cine, Restart e afins). No meio independente pelo menos você vê variedade, e gente fazendo a música que gosta sem se submeter a padronizações. Mas isso se aplica especificamente ao rock nacional, na “gringa” existem muitas bandas “grandes” e “mainstream” que são muito boas, originais e criativas, como o Queens of the Stone Age.
12 de maio de 2010 às 12:55
Já que falaram dos indies, aproveito para comentar a coluna do Álvaro Pereira Junior na “Folha de S. Paulo” da última segunda, que trouxe uma expressão lapidar: “indies estatais”. O jornalista desce a ripa nos artistas independentes que vivem pendurados em leis de incentivo. Tomando o cuidado de não demonizar o auxílio do Estado à produção cultural, posto que necessário, ele criticou o excesso de aproximação de parte da classe artística com o governo da ocasião. Eis uma frase do artigo:
“Constate a homogeneidade desses festivais pendurados em dinheiro público. É tudo neo-hippie, e o vomitório nacional-regionalista predomina.”
Sei que muitos aqui não devem ir com a cara do Álvaro, eu às vezes o acho ranheta e metido a polemista. Outros não vão com a cara da Folha, como se ela fosse o jornal mais equivocado do país. Mas pensem no que ele disse no texto a que me referi.
Alô, Monstro Discos?
12 de maio de 2010 às 16:48
Arnaldo, analisando pelo que você elogia no teu twitter, se você tem mau gosto é porque o mundo tá perdido.
13 de maio de 2010 às 10:22
Carlos disse “Só não gosto de uns saudosismos estranhos nos comentários.”
Já vestindo a carapuça, sinto, sim, saudades de um tempo em que a indústria fonográfica ainda era um dragão (para usar um também antigo ser mitológico) poderoso, mas os músicos na faixa dos 18/30 ainda tinham algo mais relevante a dizer em suas letras e sonoridades mais diversificadas.
13 de maio de 2010 às 11:51
Esses indies são é muito mal educados. Olha a baixaria nos comentários em relação ao texto apelando pra um comentário pessoal em relação ao rapaz que escreve. Francamente, esse bando de indies classe média alta que vai com o dinheiro dos pais pra Londres e volta achando que é undergound porque enfim, trabalhou durante 6 meses na vida e conseguiu comprar umas roupinhas contraculturais e aplicar piercings no corpo, deviam era se esforçar pra ter um pingo de polidez, e escrever algo que preste nas músicas, mas parece que vida real não faz parte do vocabulário desse pessoal.
14 de maio de 2010 às 10:47
não vejo nada ruim com a proliferação de bandas, de comediantes, e outros. mas concordo contigo, é preciso confiar no gosto próprio pra fazer a seleção.
14 de maio de 2010 às 23:55
arnaldo, meu brother, conheci um banda que vc precisa ouvir: Restart
20 de maio de 2010 às 20:42
o negócio é ouvir Calipso!
25 de maio de 2010 às 16:36
Concordo plenamente que o gosto pessoal é o que importa hoje em dia haja visto as bandas elogiadas por vários jornalistas que estão em todas as palestras e festivais mamando na teta gorda do governo por tabela, só ouvir mini box lunar banda que tem como vocalistas as discípulas do Inri Cristo.
Awey
2 de junho de 2010 às 16:24
Hahaha, muito bom! Pior ainda se a banda for de algum amigo: como ser sincero sem magoar? Impossível! E tome show chato… rs