18 de novembro de 2008
Desenhando pelo mundo
Animação, Artes visuais, BLOG, Cinema, Quadrinhos
O cara já trabalhou em alguns dos maiores estúdios de animação do mundo e ganhou um Emmy. O carioca Ennio Torresan Jr. (auto-retrato abaixo) podia tirar a maior onda, mas fica na dele. Fora do Brasil desde 1989, quando foi trabalhar na Universal inglesa (onde fez, entre outros, ”Fievel”), participou da equipe que criou a série “Bob Esponja” e, hoje, mora em Los Angeles e trabalha na DreamWorks. Ilustrador, animador, quadrinista e ocasionalmente ator, Ennio foi homenageado por seus 20 anos de carreira no Granimado - Festival de Animação de Gramado - ano passado e, este ano, teve sua história em quadrinhos “The guy from Ipanema” (desenho acima) publicada numa coletânea da Dark Horse. E tudo começou com “El macho”, curta que bancou do próprio bolso.
Qual a sua formação como animador?
Eu fiz um rapido curso de animação na Laura Alvim, em 1986 ,que durou três meses. O curso foi ministrado pelo Fabio Lignini, por Cesar Coelho, Aída Queiroz, Daniel Schoor e Patricia Alvez Dias. Estes tinham passado por um curso de um ano com o Marcos Magalhaes. Fui um dos 30 alunos desta segunda leva. Dois anos depois, acabei participando como professor, juntamente com eles, num outro curso, na Casa de Rui Barbosa. Neste curso, os alunos trabalharm sobre cinco trilhas diferentes que haviam sido compostas pelo Tim Rescala. Foram experiências fantásticas, como aluno e como professor. Com o pequeno sucesso de meu filmeco de 30 segundos, acabei me inscrevendo para uma bolsa da Embrafilme, que oferecia financiamento pra curtas. Fui um dos selecionados, mas nunca precisei utilizar este financiamento. Acabei realizando o curta chamado “El macho” com um dinheiro que havia juntado, depois de cinco anos de árduo trabalho, e mais o apoio de muita gente. Foi este curta que me abriu as portas para outras aventuras.
Há quanto tempo você está fora e em quantos lugares já trabalhou?
Saí do Brasil em dezembro de 1989 para trabalhar na Universal, em Londres, a convite de dois amigos que já estavam lá. Minha idéia era ficar, a princípio, por apenas seis meses, melhorar meu inglês e ter experiência em um longa. Enquanto isso, o país havia caído nas terríveis garras de Fernando Collor e sua quadrilha de supervilões, que odiavam cineastas e fabricantes de automóveis nacionais. Achei melhor, então, esticar a minha estadia até que a maré de azar nacional passar… Acabei esticando esta passagem em quatro anos. Participei num total de três longas. Passei por várias modalidades da produção. Depois destes quatro anos, resolvi voltar para o Rio e retomar onde havia parado. Mas, por conta do que havia feito em Londres, acabei sendo chamado para trabalhar na Turner Feature Animation/Cartoon Network/Hanna Barbera, em Los Angeles, num outro longa chamado “Cat’s don’t dance”. Mas antes de me mudar para LA, resolvi passar pelo Rio por alguns meses e terminar o som do meu curta que havia ficado pela metade, o “El macho”. Premiações em diversos festivais me abriram as portas para direção na HBO. De lá, fui trabalhar na Nickelodeon num projeto que estava começando e se chamava “SpongeBoy”. Assim que acabamos o primeiro episódio, resolveram mudar o nome para “SpongeBob”, porque soava melhor. De lá fui para a Film Roman, casa dos “Simpsons” e de “King of The Hill”. Depois fui convidado para dirigir um seriado pela Disney “Teacher’s pet”. Desde 2003 venho trabalhando na DreamWorks, em uma infinidade de “Madagascares”. (continua aqui)

E prêmios, quantos ganhou? Eu sei do Emmy.
Pelo “El macho”, ganhei um Coral, em Cuba; o primeiro lugar no festival de curtas em Nova Orleans; segundo e terceiro em Huston e Charleston, respectivamente; um especial em Annecy, dois Kikitos pela música e cinematografia em Gramado. Ganhei o Emmy pelo “Techer’s pet” (”O cachorrinho da professora”, foto) e, ano passado, recebi um especial em Granimado, por esses meus 20 anos de carreira, que me surpreendeu e me deixou muito feliz. O tempo voa, Zé.
Onde você está trabalhando e o que faz neste momento?
Agora trabalho como supervisor de storyboards num especial do “Madagascar” para o natal de 2010. Tem tambem um projeto no Brasil, muito especial, que ainda não pode ser divulgado, mas tenho certeza, vai ficar fenomenal.
E o trabalho autoral, a quantas anda? Tem feito quadrinhos também?
Anda bem, mas andaria melhor se sobrasse mais tempo. Mas não tenho do que reclamar. Esta vida de desenhista vem me dando tudo que sempre quis. Nada é fácil, a gente tem sempre que matar aquele leão diário… ou melhor, diria eu, desenhar aquele leão cabeludo muitas vezes ao dia. Quanto aos quadrinhos, para mim, foi onde tudo começou. Hoje estou tendo o prazer de ver minha última criação, “The guy from Ipanema”, uma piada com “a garota de Ipanema”, que acabou se ser publicada pela Dark Horse numa compilação de historias, que divido com outros seis autores. O livro se intitula “Scrambled Ink”.
Um comentário para “Desenhando pelo mundo”
Deixe um comentário
- O segredo do abismo
- Um estranho numa terra estranha
- Plano 9 do espaço sideral
- Viver a vida
- Vidão
- Só com receita médica
- Canto inferior direito do último quadro
- Para os que têm fôlego
- FIQ extravaganza!
- A noite do Morcego
- Para o alto e avante!
- Entre o cult e o popstar nas HQs brasileiras
- O vasto mundo das histórias em quadrinhos
- Viajando entre sarjetas
- Allan Sieber é mainstream
- Solidão e álcool
- Princesinha do noir
- Guerreiro do azulejo
- Tainhas e saúnas
- Quis custodiet ipsos custodes?*
- O sonho de Menezes
- Livros de arte
- Bzão em Niterói
- Desenhando pelo mundo
- Onipresença
- Mutarelli dá as caras
- O eterno retorno











25 de novembro de 2008 às 13:31
legal!!!