16 de janeiro de 2010
Delírios #2
BLOG, ilícito
O sol queimava minha cara e esquentava minha mesa, deixando o quarto cada vez menos agradável de estar. O céu estava limpo e azul como não ficava em muito tempo, quase dava vontade de sair de casa. Olhar para o céu azul e limpo sempre me causou certo mal estar. Pensar que a maioria das pessoas praticamente comemora só pelo céu azul sempre me enojou. Suando que nem um porco e com a garganta implorando por uma bebida alcoólica e gelada, saí de meu apartamento para comprar cerveja. Andei até a porta da frente e assim que a abri senti que havia alguma coisa errada. A realidade ficava cada vez menos densa à medida que me afastava de casa. A idéia de o chão ruir debaixo de meus pés ou de um trem passar na minha frente, mesmo no corredor, não pareciam mais tão absurdas.
Tudo começou a ficar embaçado e não era a minha visão. Ainda no corredor, olhei para trás e vi que minha porta não estava embaçada como todo o resto, ela estava normal, estava real, densa. Encarei-a por alguns segundos e segui meu caminho. Nos últimos degraus para o primeiro andar, sentia que estava pisando em terra. Cheguei ao primeiro andar, ele estava tomado por plantas que saíam de frestas e que se alastravam pelas paredes. Conferi meu bolso para ver se não havia esquecido o dinheiro e saí.
Fechei a porta e percebi que não estava mais no meu portão ou mesmo em meio à civilização, estava no que parecia ser um bosque. As árvores eram negras e sem vida, o barulho de pássaros era tudo que se podia ouvir. Eu estava sozinho, poderia gritar o que eu quisesse que não faria diferença, poderia morrer que não faria diferença. Sentei-me em uma pedra e acendi um cigarro. Fiquei um longo tempo apenas ouvindo aqueles barulhos esquisitos e fumando. Uma calma, um alívio, uma paz, um prazer que jamais poderiam acabar.
O estalar de galhos atrás de mim chamou minha atenção. Olhei para trás e lá estava ele, me encarando com suas presas, um lobo. Ele avançou em minha direção e, como qualquer outro, fiquei parado com a mesma calma de antes. Cravou seus dentes no meu ombro e começou a rosnar enquanto os afundava em minha pele, carne e então osso. Enquanto assistia ao espetáculo de minha morte, vi que mais lobos chegaram. Um a um, cravaram os dentes nos meus braços e no meu abdômen, arrancando nacos de carne juntos com litros e litros de sangue. Por último veio um lobo e mordeu minha cara. Não vi, mas pude sentir meus membros sendo arrancados um a um enquanto minha cara era mastigada brutalmente. O que se podia fazer? Tive de esperar acabarem o banquete.
3 comentários para “Delírios #2”
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16 de janeiro de 2010 às 16:55
Eu te disse pra tomar só as pilulas amarelas, cara, só as amarelas. haha
Baita texto!
18 de janeiro de 2010 às 19:01
muito bom, cara!
21 de janeiro de 2010 às 17:32
foda