6 de novembro de 2008
Curta Reichenbach
BLOG, Cinema, Curta Cinema 2008
Por Eduardo Souza Lima
Nas últimas páginas de “Cinema brasileiro 1995-2005: Ensaios sobre uma década” (Editora Azougue), livro do site Contracampo organizado por Daniel Caetano, há uma série de entrevistas com diretores brasileiros de diferentes gerações. Se eu não conhecesse nenhum deles e tivesses que escolher um para conhecer a obra, na base da cabra-cega, sem dúvida eu arriscaria Carlos Reichenbach. A paixão de Carlão pelo cinema é comovente e contagiante; dá pra ver seus olhos brilharem mesmo em palavras impressas. O diretor de “Falsa loura” ganha hoje, às 21:30h, no Odeon, uma retrospectiva com alguns de seus curtas no Curta Cinema 2008 - e amanhã, no mesmo horário e local, ele promove a Sessão Olhos Livres, com mais filmes seus e de seus cúmplices (veja aqui a programação). Abaixo, leia o que Carlão tem a dizer sobre os filmes da sessão de hoje, em depoimentos retirados do livro “Carlos Reichenbach - O cinema como razão de viver” (Imprensa Oficial, Coleção Aplauso), de Marcelo Lyra.
“Esta rua tão augusta” (1968):
“O filme abre com um plano que gosto muito: um carro sobe lentamente a Rua Augusta vazia, tendo sobre o capô um árabe vestido a caráter, gesticulando para o vazio. Ao fundo, ouve-se um discurso de Martin Luther King. Esse pastel de ruídos que a abertura propõe dá o tom do filme inteiro”.
“Sonhos de vida” (1979):
“‘Sonhos de vida’ é uma irônica reciclagem dos clichês do filme institucional, mostrando com humor o calvário de duas operárias têxteis, entre trens mal conservados, ônibus velhos e caminhadas, tentando passar horas agradáveis em uma das mais próximas e pobres estâncias balneárias de São Paulo”.
“Desordem em progresso” (1990):
“A caratcterística principal do episódio ‘Desordem em progresso’ (o curta faz parte do filme-projeto holandês “City life”, que reuniu 12 diretores de todo o mundo) é o seu despojamento e a opção que fiz por um realismo quase didático. Quis dar vez à voz dos meus atores/personagens. A ficção existe em função do que ouvi nos depoimentos deles”.
“Olhar e sensação” (1994):
“‘Olhar e sensação’ foi minha investida no cinema conceitual, exibindo aos pedestres que passavam no local imagens com as quais estivessem familiarizados, mas com um olhar diferenciado, de forma a parecerem inéditas”.
“Equilíbrio e graça” (2002):
“Queria usar o cinema como forma de alterar os sentidos. Por isso aceitei fazer esse curta-metragem. Gosto de enxergá-lo como um tríptico conceitual que iniciei com ‘Olhar e sensação’ e que gostaria de terminar com um projeto que eu tenho pronto, chamado ‘Arquitetura e fineza’”.
Sessão Olhos Livres
Amanhã, às 21:30h, no Odeon:
“O suspense segundo Hitchcock”, de João Callegaro.
“Uma aula de sanfona”, de Inácio Araújo.
“3 haikais”, de Carlos Reichenbach.
“Murilolendo” (1997), de Carlos Reichenbach e amigos (vídeo).
“De resto” (2007), de Daniel Chaia (foto).
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