21 de junho de 2009
Curió abre o bico no Estadão
BLOG, Chamando na chincha
Ex-integrante da repressão confirma que Exército executou prisioneiros indefesos durante a Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975
Por Luiz Bello
As Forças Armadas e o Governo Federal ainda se recusam a revelar toda a história da repressão à esquerda (armada ou não) ocorrida durante a ditadura militar. Mas uma personagem folclórica da política brasileira, o major Curíó, resolveu demonstrar mais coragem (ou cara de pau) e franqueza: revelou ao jornal “Estado de São Paulo” deste domingo o seu arquivo pessoal sobre as operações militares para exterminar a Guerrilha do Araguaia, das quais participou pessoalmente.
De cara, há a denúncia de que o Exército teria executado, sem julgamento, vários guerrilheiros que já haviam se rendido e não mais representavam qualquer ameaça. Os casos de execução até agora conhecidos eram 25. Curió afirma que ocorreram outros 16. Aliás, segundo a reportagem do “Estadão”, assinada por Leonêncio Nossa, a morte de prisioneiros teria representado 61% das baixas da esquerda, no Araguaia.
A íntegra da matéria está na edição impressa e na área do site dedicada aos assinantes, mas mesmo a parte liberada para o público tem muitos detalhes. Embora vindas de uma figura execrável, as denúncias veiculadas pelo “Estadão” têm o mérito de serem identificadas, ao contrário do que fez, recentemente, “O Globo”, em relação ao governo Brizola.
Anos depois de deixar o Exército, Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, se tornaria uma influência cada vez mais poderosa entre os garimpeiros do Pará. Aparentemente, a permanência de integrantes da repressão na região foi incentivada pelo governo, segundo depoimento de um ex-agente do Doi Codi à revista “IstoÉ”, em 2004. A matéria liga Curió a protagonistas de outros episódios nefastos, envolvendo tortura e assassinato de presos políticos no Rio de Janeiro. Dois agentes da ditadura egressos do Rio juntaram-se ao major, no sul do Pará, e ajudaram-no a montar seus negócios com terra e garimpo.
Em 1977, Curió liderou uma rebelião local contra as decisões do governo Geisel em relação a Serra Pelada. Posteriormente, foi nomeado interventor desse garimpo pelo general Figueiredo. Tal apoio ajudou a consolidar sua influência política: em 1982 Curió elegeu-se deputado federal pelo Pará.
Em 2004, foi alvo de uma ação do Ministério Público por abuso de poder econômico nas eleições para prefeito de Curionópolis, município no sul do Pará que ele mesmo fundou. Em 2007, quando ainda era prefeito, foi acusado de ter assassinado um jovem de 16 anos com um tiro de espingarda, nas costas. O crime teria contado com a participação de seus dois filhos e de dois policiais. Curió alegou legítima defesa…
3 comentários para “Curió abre o bico no Estadão”
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22 de junho de 2009 às 14:11
Só faltou adicionar que Curió inspirou o vilão dos Trapalhões na Serra Pelada.
22 de junho de 2009 às 14:13
Boa lembrança!
30 de junho de 2009 às 23:41
Essa luta da esquerda brasileira foi um dos momentos em que chegamos mais perto de estabelecer um governo de verdade nesse pais, fazendo uma reforma agrária para todos e pensando mais coletivamente. infelizmente foi uma luta de poucos. os muitos oprimidos do Brasil assistiam a copa e não estavam interessados em planos pro futuro. que aliás é o momento que estamos vivendo agora.