17 de novembro de 2008
Consciência culpada
Por Arnaldo Branco
Se pudesse entrar na cabeça de alguém como faz o John Cusak em “Quero ser John Malkovich”, gostaria de por um momento assumir o controle do Fernando Meirelles. Também seria legal fazer isso com a Luciana Gimenez, por uma questão de espaço de acomodação, mas vamos ao porquê da escolha do cineasta.
Na verdade, só gostaria de poder responder por ele às provocações daquela mala da Ivana Bentes, sujeitinha que grudou em seu saco na época da exibição de “Cidade de Deus”. A mulher ficou perseguindo Meirelles em mesas de discussão por todo o país acusando o cara de glamourizar a miséria e o crime; imagina o que não deve pensar do Joãosinho Trinta.
O que eu teria respondido, com gravidade, ponderação e um olhar penetrante de estrábico para estrábica seria: “faço sim, e daí?”. Talvez estimulasse o debate redarguindo com um desafiador “qual é o galho, véinha?” Tenho certeza que Ivana não estaria preparada para acompanhar minha linha de argumentação e acabaria pedindo perdão de joelhos com lágrimas nos olhos e agarrando tibiamente as minhas pernas. Quero dizer, as do Meirelles.
Esse é o problema de viver no maior país católico do mundo, a gente tem uma culpa filha da puta de tudo e não consegue falar dos assuntos nacionais sem prescindir de um tom muito sério ou sem pedir permissão para professorinhas de filosofia que escrevem coisas como “O devir estético do capitalismo cognitivo” sem apanhar do marido em casa.
Desde que o Bogart meteu a 45 na cintura em “High Sierra” a gente sabe que bandido bom é bandido cool. Aqui se você filma um traficante um pouco mais sagaz, a classe média apavorada vem encher o saco dizendo que isso não se faz, onde já se viu, e as nossas crianças? - sem levar em consideração que o que se vê na tela é tipo, saca, um filme.
É muito chato viver em um país em crise social permanente - tem assunto pra caramba, mas a patrulha da abordagem definitivamente atrapalha a vida do autor de ficção. Por uma vida bandida com mais glamour!
Um comentário para “Consciência culpada”
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31 de dezembro de 2008 às 12:53
eu queria fumar um cajuzinho. café já não bate mais.