22 de setembro de 2008
Concorrência desleal
por Arnaldo Branco
“Mais uma frente fria que o Rio de Janeiro desmoraliza” - comentário do falecido Don Rossé Cavaca depois de outro alarme falso da meteorologia e mais uma vitória do calor tropical. Não é só em relação ao clima, o Brasil tem tradição em desmentir por conta de seu ambiente muito particular qualquer previsão baseada em conhecimento técnico. Exemplo, economia. A Regra de Ouro da economia de mercado estabelece que a concorrência estimula a excelência. Equilibra os preços, melhora os serviços e emprega mais publicitários que de outra forma estariam fazendo cinema. Mas não aqui, onde concorrência é o nome de fantasia de cartel. No Brasil rola um sistema de rodízio em que uma empresa testa os limites de tolerância de seus clientes para que as outras também saibam até onde podem ir na picaretagem com os seus. Tenho certeza que o serviço de telemarketing de todas elas foi desenvolvido em um esforço conjunto, ou pelo menos pelo mesmo vagabundo filho da puta. A cobrança de taxas ilegais também é praticada sem problemas, deve ser o exemplo de cima (expressão retórica) com a CPMF. Os serviços de atendimento ao consumidor são a prova definitiva de que nossos empreendedores contam com a famosa índole pacífica do brasileiro para manter seus negócios nos trilhos, e vindo na nossa direção. Neles vigora o método de reduzir as queixas por ignorá-las e evitar o cancelamento de assinaturas pela impossibilidade. Deve ser o setor que apresenta o melhor índice de aproveitamento, embora as atendentes ganhem uma miséria para ouvir o dia inteiro sugestões de sexo anal. Concorrência mesmo só existe no sentido fura-olho do termo. Vale tudo para tirar clientes das rivais: roubar mailing, espalhar virais, e no caso das empresas de transporte, matar. É uma prática que vai além dos limites da noção. Nossos gênios do marketing, grandes conhecedores da alma humana mas provavelmente retardados no que diz respeito aos hábitos, alimentam a esperança de que você vai mudar de operadora porque tiveram a bondade de ligar no domingo às sete da manhã. Outro truísmo que o Brasil zoou: o cliente tem sempre razão.
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