28 de setembro de 2009
Como é cruel cantar assim
Por Arnaldo Branco
Nas últimas semanas, a Lily Allen andou surtando contra quem baixa suas músicas. Vamos ignorar a ironia da mina ter surgido graças ao myspace e outros meios de dar um calote cordial no artista: ela chora de barriga cheia.
Toda vez que a mina aparece de topless e acima do peso nos tablóides ingleses geralmente está em uma praia paradisíaca, não raro em um iate e com um agravante: em pleno dia útil. Mas ela está insatisfeita porque não quer apenas viver de música; quer ser multimilionária.
Essa é uma aspiração comum, porque músicos sempre foram coniventes com o superfaturamento da sua arte. Como tinham exclusividade sobre o produto e a quitanda, as gravadoras podiam cobrar quarenta paus por um disco que custou trinta centavos e o artista fingir que nem era com ele.
É claro que a procura por música é enorme e sempre gerou cifras absurdas, mas a oferta sempre pareceu menor por causa do gargalo das gravadoras. Isso gerou distorções como o proverbial artista mimado que só dá show se a produção cumprir uma lista de exigências, como se fosse um sequestrador de si próprio.
Infelizmente a indústria pornô também vai mal das pernas e outros membros graças a abnegados prestadores de serviço social como pornhub e xvideos, senão seria minha sugestão para Lily mudar de ramo. Sobrou virar laje, uma atividade à prova de pirataria.
11 comentários para “Como é cruel cantar assim”
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28 de setembro de 2009 às 12:53
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » Como é cruel cantar assim http://www.revistazepereira.com.br/como-e-cruel-cantar-assim – view page – cached Nas últimas semanas, a Lily Allen andou surtando contra quem baixa suas músicas. Vamos ignorar a ironia da mina ter surgido graças ao myspace e outros meios de dar um calote cordial no artista:… (Read more)Nas últimas semanas, a Lily Allen andou surtando contra quem baixa suas músicas. Vamos ignorar a ironia da mina ter surgido graças ao myspace e outros meios de dar um calote cordial no artista: ela chora de barriga (Read less) — From the page [...]
28 de setembro de 2009 às 13:03
[...] Lily Allen, que ganhou fama graças à Internet, andou surtando contra quem baixa suas músicas. Músicos sempre foram coniventes com o superfaturamento da sua arte, porque eles não querem só viver dela, querem ser miliardários. Na coluna do Arnaldo Branco desta semana. Leia aqui. [...]
28 de setembro de 2009 às 13:42
[...] Aqui post do Arnaldo Branco sobre isso. [...]
28 de setembro de 2009 às 15:02
Boa bola, mais uma vez, Arnaldo. Me lembrei dos tempos em que velhos bluesmen tinham medo de gravar discos, pois achavam que, assim, seus “segredos” de interpretação poderiam facilmente ser copiados por outros músicos. Eles só queriam dar shows e ganhar lá seus centavos por isso.
Em menos de um século tivemos, como vc disse, essa nova situação em que as gravadoras podiam “cobrar quarenta paus por um disco que custou trinta centavos e o artista fingir que nem era com ele”.
Hoje, muitos artistas cairam do Olimpo e tem que voltar aos shows para faturar, pq não estão mais conseguindo viver somente dos discos. Não dá para sentir pena, pois um novo mercado vem aí. Até lá, vai ser engraçado ver muita gente do “legalize marijuana” chorando “pirataria, não”.
29 de setembro de 2009 às 0:07
Não me parece justo não receber nada pelo trabalho de gravar uma música que seja. Tanto os shows quanto as gravações deveriam ser remuneradas, como trabalho que de fato são.
Obviamente lutar contra quem baixa música é remar contra a maré, ao mesmo tempo que convencer alguém que tem música de graça a pagar por ela é algo realmente complicado.
Não sei a solução para esse paradoxo, mas parto do princípio que deve haver alguma forma de o artista receber pela sua produção.
29 de setembro de 2009 às 0:09
Excessivamente é diferente de nada, cara…
29 de setembro de 2009 às 1:00
Ótimo reflexão Arnaldo.
Mesmo após o fim da “grande arte religiosa”, principalmente após a revolução burguesa, a figura do artista continuou com uma espécie de aura sagrada, como se sua produção fosse algo acima dos demais produtos colocados no mercado e, assim, seu padrão de vida de realeza estivesse justificado.
Veja a ostentação das estrelas hollywoodianas. Não estou dizendo que artistas devam sofrer e viver do pão que o diabo amassou, mas como você bem apontou no artigo, a um excesso óbvio. Sempre haverá aqueles que irão se dar muito bem, os que se destacarão, mas agora, pelo menos na industria musical, isso será realmente fruto da qualidade de seus trabalhos e não uma distorção criada pelas companhias de fonográficas, atribuindo um alto valor fictício as suas produções. Como os demais dos mortais, Lily Allen terá que viver do suor de seu rosto e não de Glamour.
Excelentes profissionais em qualquer área, salvo algumas exceções, conseguirão alcançar um padrão de vida a cima dos seus colegas. Porém, agora aquela aura compartilhada pelos grandes artistas terá que ser conquistada e não mais concedida de antemão por algum executivo de gravadora.
Será que artistas como Lily Allen têm força para se destacar da multidão depois que a internet 2.0 abriu as porteiras para a fama de uma legião de anônimos?
Desculpe essa minha digressão prolongada, Arnaldo.
29 de setembro de 2009 às 10:26
Um amigo meu tb tem essa teoria de que música sempre foi superfaturada e só agora justiça está sendo feita. Eu me arrisco a dizer que a música como manteiga morreu nos anos 70, o que teve a partir daí foi só margarina (me refiro às bandas que apareceram dos 80 em diante), tudo muito manipuladinho, muito artificial, e toda vez que leio algo do tipo “Green day lança disco com faixas bonus apenas para os discos vendidos no walmart” me convenço ainda mais disso.
30 de setembro de 2009 às 18:44
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: Como é cruel cantar assim. [...]
1 de outubro de 2009 às 20:45
Mais um detalhe: as pessoas não baixam músicas pela internet, baixam fonografias. Assim como não baixam a Lilly Allen, baixam fotografias da Lilly Allen (gostooosa!).
Música existe praticamente só ao vivo. Os músicos devem viver de sua música, ou seja, de shows. Como quase todos nós, que os músicos trabalhem!
2 de outubro de 2009 às 16:01
isso sem nem entrar no mérito de leis de incentivo à cultura para shows de gente que, em tese, têm sua casa cheia garantida…
[sugestão: interromper a música no meio e colocar um jingle das casas bahia]