5 de janeiro de 2010
Chuva de votos
BLOG, Chamando na chincha
Por Luiz Bello
De 1970 a 2007, entre os 92 municípios fluminenses, Angra teve o segundo maior crescimento populacional, proporcionalmente. Foi uma verdadeira explosão, 268%, logo atrás de Maricá, com 345%. Em números absolutos, segundo os censos demográficos do IBGE: Angra tinha 40,3 mil habitantes em 1970, e 148,5 mil em 2007. Não podia dar certo. Tal crescimento começou com a rodovia Rio-Santos (concluída, oficialmente, em 1972) e teve seus altos e baixos com as obras da usina nuclear, do porto de Itaguaí e os refluxos da industria naval local.
Ao longo das mesmas quase quatro décadas, a população do país cresceu 97,5%, e a do estado do Rio, 225,1%. Em Niterói e na “cidade maravilhosa”, as taxas foram de 46,2% e 43,3%, respectivamente. Não que isso seja pouco. O trânsito, as praias, os espigões na Zona Oeste e os barracos nas encostas mostraram aos cariocas o que significam esses “meros” 40%. Imagine, então, o que é crescer 268%….
Não foi por acaso. É fácil fechar os olhos para obras irregulares, em nome do turismo e da especulação imobiliária. Não foi culpa dos pobres. É fácil dar tijolos e cimento em troca de votos, principal estratégia de políticos do país inteiro (inclusive Joaquim Roriz, “padrinho” de Arruda e rei dos votos nas favelas satélites de Brasília). Quem fiscaliza encostas, obras e leis ainda deve seus empregos a essa gente. Empreiteiras investem em campanhas eleitorais milionárias justamente para que jamais consigamos planejar nossas cidades. Se continuarmos elegendo quem não presta, ainda vamos ver muito choro na TV.
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