24 de agosto de 2009
Chega de perdão
Por Arnaldo Branco
F. Scott Fitzgerald disse que na vida americana não existe segundo ato e eu digo: porque eles não mudam para o Brasil? Aqui tem segundo ato pra todo mundo. Vamos analisar um fenômeno recente, ocorrido na noite de ontem.
A vitória do Dado Dollabella em A Fazenda mostra que mesmo um espancador de mulheres - OK, da Luana Piovani, acho que a ressalva é importante - pode ganhar uma eleição aqui, mesmo que seja para melhor item de exposição em uma estrebaria cenográfica. Sei que circulam boatos de fraude, mas se a vitória for confirmada mesmo assim, a tese estará duplamente provada.
Deve ser o mal de ser o maior país católico do mundo: todo aquele papo de perdão entrou na nossa cabeça pela repetição e agora não conseguimos guardar mágoa de ninguém. Todo mundo se reelege, ninguém vai preso. E mesmo quando a indignação ganha as ruas, não sabemos o que fazer com ela: não conseguimos nem ao menos organizar um boicote decente.
Dizem que a cadeia existe para recuperar as pessoas para a sociedade, mas como aqui a usamos para ensinar crimes mais rentáveis e violentos para jovens marginais, poupamos vários figurões dessa experiência edificante. Se o camarada faltoso declarar seu arrependimento na TV, a gente libera.
Quanto tempo até a Suzane Richthofen na Playboy?
21 comentários para “Chega de perdão”
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24 de agosto de 2009 às 16:22
[...] Um dos maiores problemas de se viver num país católico é que pilantra confesso é reeleito e um dia a Suzane Richtofen pode ir parar na “Playboy”. Arnaldo Branco, sem perdão, na coluna de hoje. Leia aqui. [...]
24 de agosto de 2009 às 16:26
E olha que nem ‘réu’ primário o Dado é.
24 de agosto de 2009 às 16:34
Muito bom este texto Arnaldo! Deu um baile e como sempre acabou em samba, como tudo por aqui.
24 de agosto de 2009 às 16:39
Aqui as pessoas não têm brio. Ou melhor, têm, mas para coisas sem o menor peso real - tipo ser corno ou o time cair para a segunda divisão.
Agora, vai tentar fazer reforma safada ou segurar corrupto no cargo na França. Ou mesmo na Argentina. BRIO.
24 de agosto de 2009 às 16:46
Pega o caso Michael Richards e o daquele humorista de voz fina e boné, por exemplo…
24 de agosto de 2009 às 16:47
A fazenda foi a prova, dentro da própria record e da universal, da supremacia católica e global
24 de agosto de 2009 às 17:00
Um exemplo da nossa benevolência é que continuamos assistindo reality shows.
24 de agosto de 2009 às 18:04
O texto é bom como humor, mas achei o assunto forçado. Isso tem em todo lugar do mundo, dá pra fazer uma lista de quantos criminosos de guerra se deram bem mesmo depois que a casa caiu. E até o cara que explodiu um avião ganhou clemência.
24 de agosto de 2009 às 18:27
Mas crime de guerra é mais difícil de caracterizar, não é? Pode ter código e o caralho, mas fica difícil, principalmente em tempo de paz, discutir as minúcias que definem Sabra e Shatila como crime de guerra e Hiroshima não.
Cara, aqui é absurdo demais, nego não é punido por nenhum crime - e nem precisa ser rico, só de ser remediado vc escapa impune. O texto é de humor, mas forçado o assunto não é não.
25 de agosto de 2009 às 0:53
http://www.fotolog.com.br/malvados1/74307909
ááuuu
25 de agosto de 2009 às 12:05
Pois é…a Rede Globo constitue uma egrégora católica-ocultista-umbandista e o que mais vier de interessante…a Record é da Igreja Universal, uma denominação cristã “protestante” lotada de criminosos insanos arrependidos, convertidos e perdoados…difícil é aturar seguidores do Bispo Macedo “revelando o segredo” de que a Rede Globo cresceu apoiando o regime militar como se isso fosse uma grande novidade libertadora que todos precisassem realmente saber…só nos resta ignorar isso tudo…fanatismo é o reduto dos políticos e religiosos…tô fora disso tudo.
25 de agosto de 2009 às 13:54
Assim… admito que aqui é pior sim… mas acho dificil desenvolver este tema sem cair naquela frase do Nelson: “O povo é débil mental”. Acho que tudo é sintoma da mesma doença: A baixa auto-estima do povo.
25 de agosto de 2009 às 14:37
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » Chega de perdão http://www.revistazepereira.com.br/chega-de-perdao – view page – cached F. Scott Fitzgerald disse que na vida americana não existe segundo ato e eu digo: porque eles não mudam para o Brasil? Aqui tem segundo ato pra todo mundo. Vamos analisar um fenômeno recente, ocorrido na noite de ontem. — From the page [...]
25 de agosto de 2009 às 14:39
Explicando: Não nos levamos a sério, fazemos questão de depender de alguém maior, se esse alguém maior se diz perseguido, então ficamos do lado dele… isso tudo facilita a politização dos crimes.
26 de agosto de 2009 às 1:29
É só rezar um ”pai nosso” e uma ”ave maria” que está tudo certo.
26 de agosto de 2009 às 16:14
Suzane Richthofen na playboy?
queria ver as duas do caso nardoni juntas…uma dentro da cela e outra fora…aí sim esse país ganhava minha simpatia
26 de agosto de 2009 às 18:15
E o que dizer do Silvio Santos? Anos e anos estelionatando a economia popular com carnês e títulos de capitalização… e o cara é ídolo!
27 de agosto de 2009 às 18:52
Posso até ver a chamada de capa da Playboy da Suzane! “Essa é a nora que papai queria(quase)!”
Abraço!
27 de agosto de 2009 às 18:56
falta é vergonha na cara. o sujeito devia ficar com vergonha do que fez e não por mais a cara na rua. políticos corruptos deviam ser banidos da política, desportistas que se dopam deviam ser banidos do esporte, etc.
27 de agosto de 2009 às 23:18
Seu comentário podia parar em “Ok, era a Luana”.
E a Suzana na Playboy seria um máximo! Já pensou, uma revista de buça pra você querer bater, literalmente??!!!
Convergência de mídia aê mano, não é dukarái!!!!??
5 de julho de 2010 às 8:04
Ah, a Suzana na Playboy seria foda. Já vi umas fotos dela de biquíni no Orkut…
E ela deve ter tido seus motivos, não a julgo.