15 de março de 2010
Boas intenções
MAL NECESSÁRIO
Por Arnaldo Branco
Dizem que de boas intenções o inferno está cheio. Então não deve ser um lugar ruim para morar (como diz a canção do AC/DC), porque aqui em cima o que mais dá é idéia de jerico mesmo. Façamos um tour.
1) Nossa imprensa consegue ser simultaneamente apaixonada pela liberdade de expressão e pelo potencial mercadológico da China - e é por isso que livram a cara da ditadura comunista mais sanguinária do mundo em detrimento de Cuba, possuidora dos únicos presos políticos que interessam à Folha de S. Paulo. A estupidez do Lula em dizer que são apenas presos comuns ajudou a mostrar que governo e jornais andam se merecendo.
2) O pós-Oscar mostrou que o (alerta de clichê-tendência para as próximas eleições) clima de Fla x Flu impregnou até uma das bobagens mais fúteis e longevas da indústria do entretenimento - aquele prêmio de que nunca lembramos os ganhadores, só as injustiças históricas. Não sei se o que me espanta mais nesse artigo do Luiz Bolognesi, roteirista de Bicho de Sete cabeças, é o estilo mosca-na-parede para descrever os bastidores da indicação de Guerra ao Terror ou a transformação de Avatar no Johnny Vai à Guerra desta geração.
3) Está em curso a campanha de demonização de um participante do Big Brother por causa de sua homofobia, que não é tão acentuada quanto grupos do movimento gay querem fazer parecer. Mas digamos que fosse mesmo um caso terminal: como a causa do combate ao preconceito poderia lucrar com um linchamento moral - e de um BBB, como se esse estigma não fosse desmoralização suficiente? Um sujeito só arcar com a responsabilidade da homofobia pátria? Imagino que queiram que ele apanhe na rua para vingar toda biba que já teve o pescoço pisado por um skinhead.
4) O Eduardo Paes renovou o convênio com a Fundação Cobra Coral para livrar o Rio de Janeiro das chuvas, quando claramente devia abrir licitação para contratar outra, depois do fracasso do penúltimo sábado. É isso aí, depois de tentar tirar na marra o povo que vive em área de risco e fracassar, decidiram pedir encarecidamente ao céu para que não mande mais água. Esse tipo de gente sabe com quem pode falar grosso.
Febeapá reloaded.










