O produtor João Moraes me suplica para que eu escreva que “Hoje não!” (Patuléia Produções) é maravilhoso e que todo mundo devia comprar e ouvir e ainda me mandou o CD a título de jabá. Pois bem: “Hoje não!” é maravilhoso e todo mundo devia comprar e ouvir - eu juro que não estou escrevendo isso porque o cara é meu chapa e escreve de graça pra Zé Pereira ou porque não resisto a um agradinho e ao choro de um marmanjo, ouve essas duas faixas aí:
Real beleza
Brasília
Juliano Gauche canta e o duo Zebedeu toca canções selecionadas do genial Sérgio Sampaio. Aqui você pode ouvir mais faixas do disco, que está sendo vendido em seu site oficial, com frete grátis para todo o Brasil. No MySpace tem promoções e concursos e os vídeos estão no YouTube. Taí o reclame.
Hoje à noite tem lançamento do DVD do documentário “Samba”, de Thereza Jessouroun, na quadra a Mangueira, no último ensaio da escola antes do Carnaval. Filmado com os passistas da Estação Primeira em 2001, o filme, que trata da dança do samba, já foi exibido em mais de 30 países. O DVD vai estar à venda nas melhores casas do ramo, no Espaço Carnaval e Cidadania do Sambódromo, em lojas de pontos turísticos como Maracanã, Corcovado e Forte Copacabana e pela internet, com pedidos pelo e-mail samba@originalvideo.com.br.
Os Autoramas partem para mais uma turnê européia, que começa amanhã em Colônia, na Alemanha, e passa ainda por Bélgica, Holanda, País Basco e termina no dia 13 de fevereiro em Le Mans, na França. Esse cartaz aí é do show em Londres. Clicando no leia mais, você encontra o roteiro completo. leia mais…
Estréia hoje, na MTV, às 22:30h, o “Autoramas Desplugado” - a gente deu uma palhinha das gravações aqui. A partir do dia 23, as músicas do especial vão estar disponíveis no site Trama Virtual e no dia 26 a banda faz o lançamento do CD e do DVD no Clash, em São Paulo.
Erika Martins, a ternurinha do Lafayette & Os Tremendões e ex-Penélope está lançando seu primeiro CD solo, que você pode comprar aqui. A cantora também está com o videoclipe da faixa “Lento” rodando nas TVs e internet. Assista-o aqui. E aqui você conhece o seu blog e aprende um pouco sobre as mulheres. Fora isso, Erika toca no dia 25, às 19h, no programa Oi Novo Som, que vai ser transmitido ao vivo pela internet; no dia 1º de dezembro vai estar ao lado de Erasmo Carlos no VMB da MTV; e, finalmente, no dia 2 de outubro, às 22h, ela dá uma canja ao vivo pra gente, no show de lançamento do disco, no Cinemathèque.
Segundo e último dia do No Ar Coquetel Molotov tem público menor que da sexta-feira, mas ainda lota teatro para Lô Borges e Milton Nascimento
Por Dandara Palankof
Fotos de divulgação
Ao contrário do dia anterior, o festival No Ar Coquetel Molotov começou com mais de uma hora de atraso neste sábado. Programada para ter início às 16h, a primeira atração só subiu ao palco após as 17:30h. E se o atraso teve como motivo a espera por mais público para o francês François Virot (foto), que iniciou os trabalhos no Auditório Tabocas, tal esforço foi quase infrutífero: um público ínfimo, talvez até inferior ao que recepcionou a pernambucana Ex-Exus na tarde de sexta.
Apesar de os interessados no som intimista de Viroit (que se apresentou apenas com seu violão), terem se aproximado do palco para melhor assistirem sua performance, havia também os que estavam ali de forma desinteressada; o resultado foi um ruído prejudicial ao que acontecia no palco. Ainda assim, Virot conseguiu impressionar os que prestaram atenção em sua voz com um quê de angustiada, misturada às vigorosas melodias que tirava das cordas de aço.
Pouco tempo depois foi a vez da pernambucana Radistae subir ao palco do Tabocas. Com a formação de duas guitarras, baixo e bateria, a banda não é difícil de definir: puro surf rock. O que, nem de longe, é um demérito. Apoiados na descarada qualidade técnica de seus instrumentistas para fazer um o bom e velho rock enérgico, sincero e, em certa medida, despretensioso, a banda conseguiu até fazer o “londrino” público do Molotov começar a se mexer. E para as últimas músicas, ainda chamaram músicos consagrados da cena local para formar um incrível naipe de metais, como o Maestro Spok (da não menos incrível Spok Frevo Orquestra). Uma grande revelação da cena recifense. leia mais…
De casa nova, No Ar Coquetel Molotov se consolida como um dos maiores festivais do Recife e do país e recebe público gigantesco para o show da norte-americana Beirut.
Por Dandara Palankof
Fotos de divulgação
A mudança de ares, realmente, fez muito bem ao No Ar Coquetel Molotov. Em sua sexta edição, o festival cresceu, deixou o Teatro da UFPE, e ocupou o Auditório Tabocas e o enorme Teatro Guararapes, no Centro de Convenções do Recife. E o que parecia antes ser uma medida até ousada, mostrou-se completamente acertada: casa(s) completamente cheia(s) no primeiro dia de programação.
Com a mudança, o público ganhou não só com lugares maiores e com mais infra-estrutura para abrigar as apresentações (principalmente no que diz respeito aos pocket shows gratuitos), mas também na área destinada à circulação. O espaço pôde abrigar mais estandes de produtos diversos (de bottons e camisetas à gibis) e também uma maior variedade na praça de alimentação. Destaque para o estúdio móvel instalado no lugar: quem tivesse interesse, era só chegar com alguns amigos e fazer um som com os instrumentos colocados à disposição. Uma espécie de evolução do estande que oferecia uma partida do jogo de vídeo game Rock Band, na edição do ano passado.
Dando início à pequena maratona, pouco depois das 17h, a banda pernambucana Ex-Exus (foto) entrou no palco do Auditório Tabocas, ainda com poucos espectadores. Como é da tradição do festival, estes primeiros shows, em um lugar menor que o dos shows principais da noite, têm acesso gratuito e duração um pouco reduzida. Ainda assim, este novo espaço destinado a eles pode lhes tirar a alcunha de “pocket”: o palco não deixa nada a ver aos que se encontram em várias casas noturnas, bem como a capacidade do lugar.
E a Ex-Exus usou muito bem deste espaço, com um rock enérgico que vai do metal ao noise, passando pelo hardcore, com uma pitada até, veja você, de sons mais tropicais; o baixo, rápido, dava consistência à cozinha da banda. Há um pezinho em Alice Cooper, não só pelo som, mas pelos elementos cênicos da apresentação da banda: os quatro integrantes com rostos pintados, usando vestidos que devem ter saído do guarda roupa de alguma cinqüentona e uma datada encenação de um galo (já morto, porque tudo tem limite) sendo decapitado em uma tigela por um negro enorme em trajes tribais, açoitado por uma mulher nua com uma máscara de demônio. O curioso era o casal de sexagenários que assistia a tudo isso, até dançando um pouco, vez ou outra. Além da “distribuição” de EPs da banda, jogados ao chão pelo guitarrista e disputados pelos presentes. Quase filosófico. leia mais…
A banda Fofoca Erudita, das encantadoras irmãs Juliana Buli e Mariana Lima, de Sabará (MG), está lançando o seu primeiro CD, que custa só R$ 10 (fora o frete). As moças misturam de tudo em sua música, do rock ao tango, da canção infantil ao samba. No vídeo acima, uma gravação ao vivo de “Jujubas”.
Aproveitando o embalo das gravações de seu DVD acústico - você já viu uma palhinha aqui -, os Autoramas (em foto de Flávio Demarchi) começam hoje uma minitemporada de um mês sem tomada. A banda, que voltou de uma turnê relâmpago na Europa, vai tocar nas sextas-feiras deste mês na Drinkeria Maldita de Copacabana (Rua Aires Saldanha, 98); segundo estão dizendo, os shows vão começar pontualmente às 21h.
Pedro Bandera, que hoje mora em São Paulo e foi professor da Escola Nacional de Artes de Havana, faz palestra, com fotos, músicas e vídeos sobre a história da música cubana hoje, a partir das 18h, no Chama o Raul!, que acontece na Livraria Largo das Letras (Largo dos Guimarães, s/nº, Santa Teresa). Bandera vai falar sobre música bantu, yoruba, santeria, salsa, rumba e chachachá, numa prévia do curso que vai dar no Rio no fim do ano - as inscrições já esão abertas; mais informações pelo e-mail mostracubana@gmail.com. Completa a festa o quinteto Los Papitos, que faz recriações de clássicos do cancioneiro cubano. E o melhor é que a entrada é franca.
O novo CD de Estela Cassilatti, “Peixes = Pássaros”, tem algumas boas surpresas. A paulistana já madura chega com banca, agora com faixa de trabalho tanto no seriado “Alice”, sucesso da HBO, (disponível no YouTube e no MySpace da cantora) e também emplacando faixa no blockbuster de Claudio Torres, “A mulher invisível” com Selton Mello e Luana Piovani. Vocação para Ogerman e Morricone pop? Nada de jabá, não. Merece um “spin”, como diriam os DJs.
Mãos à obra, pois. Tem faixa com mellotron!!! Para os incautos, isso era o sintetizador do Fred Flinstone, onde os “efeitos” ficavam armazenados em fita e podiam ser apagados. Era genial a idéia de um computador que poderia ter perda de memória. Enfim… As levadas de moog estão ali. Engraçado, pois todo o CD tá solto como arroz bem feito, é tudo faixa de trabalho. “Peixes” e “Mais” são canções introspectivas e, ao mesmo tempo, chiclete: grudam na audição. Ela tem um domínio bem, bem acima do Joel Santana no inglês, o que faz a fonética soar como deve, e fluir com a dicção nas colcheias. Em “Al”, ela usa o “a” grave e forte, dando a conotação de “tudo”, e mesmo no “Al” britânico o “a” é mais aberto, sendo pronunciado “El”. Mas isso são coisas menores que não tiram o mêrito de nada. Ah, como ela prefere em inglês, são “minor quibbles aside”. Ou talvez seja de propósito.
No total, é uma obra muito profissional, “tight”, e deveria ganhar mais giros e revoluções por minuto com a proposta ousada. A voz dela, quando rasgada e blueseira implorando por um amor, paz ou o que desejar, é comovente. E o bom é o ecletismo que deixa o rapaz na gafieira de perna torta, pois vagamos do blues violento a uma quase valsa country, e de volta a experimentalimos pós-tropicalistas.
A sequência de “Judgment Day”, “Morning theft” e “Meu silêncio” é totalmente incongruente e, por isso, genial. Esse é um excelente CD para se ter no porta-luvas. Impressiona o passageiro e cobrador. Quem é essa cantora? Legal esse som…
Realmente é, e não muitos conhecem. Mas isso para o bem de Estela, que pessoalmente é a delicadeza em pessoa, o que revela que como artista é fruta madura e suculenta, pronta para a feira das vaidades, a feira da vida. Peixes = Pássaros. Revelando também a paixão não só por um bioma repleto de Jeff Buckleys, mas também de forte marca celta. E ela é doida pela região. O CD onde o intimismo é aberto. E o que aparentemente é aberto encontra-se no profundo e íntimo. A menina acertou em cheio. Contraponto na linearidade. Eis a melhor definição…
O Zemaria está de disco novo, “The space ahead”, via Smoke Island, que dá pra baixar aqui. A banda de Vitória (ES) ampliou sua turnê pela Europa, que começa na Inglaterra e na Irlanda e agora passa também por França, Alemanha e Noruega - você acompanha aqui o que está rolando por lá. E aí embaixo, assiste ao videoclipe de “Any distance”, dirigido por Gabi Stein.
Ouvi a Orquestra Frevo Diabo pela primeira vez em dezembro de 2008, num bar de Botafogo, o Cinemathéque. A noite começou com a apresentação de Armando Lôbo, músico e compositor pernambucano, caro amigo dos tempos do Recife, e terminou justamente ao som da Frevo Diabo, da qual ele faz parte. Lembro bem porque naquela noite começou meu romance com Raquel, que um ano depois decidiu-se por deixar o Recife e morar no Rio de Janeiro, comigo, numa rua de Laranjeiras. Somos felizes.
Outro dia, passando em frente a loja de discos do bairro, dei de cara com o disco “Frevo Diabo” na vitrine, o registro da alegria pernambucana que escutei cheio de surpresa naquela noite de fim de ano. Recomendo sem medo esse belo exemplar da música brasileira, pela representatividade de tanta música que ali se encontra, pela oportunidade de ouvir músicas como “De chapéu de sol aberto”, do mestre Capiba e o “Frevo de Itamaracá“, de Edu Lobo. Enfim, pelo painel que desenha de um ritmo que, no final das contas, é pouco escutado e sobre o qual também pouco se fala.
É um trabalho que tira o frevo desse espaço pequeno que se chama “música do carnaval de pernambuco” e o exibe na sua contemporaneidade e vigor de música viva, cheia de possibilidades novas. Música para ouvir e compartilhar, executada por músicos que, definitivamente, sabem o que estão fazendo, o que estão tocando. Isso fica claro nos arranjos, na escolha cuidadosa do repertório e na própria decisão de fazer um disco de frevo e faze-lo com essa qualidade.
Há tempos não compro discos, mas tratei de comprar o “Frevo Diabo”, provando o gosto renovado de um velho hábito. É bom saber que o finado mercado fonográfico ainda nos reserva delicadezas como essa, que faz lembrar os velhos tempos em que entrar numa loja de discos era uma coisa especial. E como não se pode ficar longe das coisas novas do mundo, dos novos meios, das internets e celulares e outras coisas que não existem, não deixe de visitar o Myspace da Frevo Diabo, onde você poderá ouvir músicas do disco e acompanhar a agenda de shows da orquestra.
O disco faz parte da minha trilha sonora com Raquel e só por isso já seria bom. Mas ele vai muito além com méritos próprios, que você, caro leitor, poderá facilmente reconhecer quando escutá-lo. Aceite então esse convite para entrar no frevo e escuta-lo como música brasileira, como vida brasileira.
O quarteto formado pelo saxofonista Idriss Boudrioua, pela flautista Aline Soulhat, pelo acordeonista Kiko Horta e pelo violonista Rogério Souza encerra hoje, no CCBB Rio, a série Conexões Musicais: França-Brasil, com o recital Música Moderna: Misturas e Influências. No repertório, canções dos franceses Joseph Kosma (“Les feuilles mortes”), Richard Galliano (“Waltz for Nicky”, “French touch” e “Laurita”), Marcel Loeffler (“Numéro 13”, “Swing suspens” e “Ma référence”) e Charles Trénet (“La mer”), entre outras, e dos brasileiros Baden Powell (“Retrato brasileiro”), Chico Buarque (“Joana francesa”) e Toninho Ferragutti (“Francesca”). Às 12h30 e às 18h30, no Teatro II, com ingressos a R$ 6.
Paulo Tiefenthaler é Paulo Oliveira, cozinheiro-guerrilheiro do “Larica Total”, disparado o melhor programa da TV brasileira; mas também é diretor de cinema e versado no samba.
Cria da Mocidade Independente de Padre Miguel, Mestre Jorjão é o mais polêmico e criativo diretor de bateria em atividade. Este ano, ele está de volta à Viradouro, escola na qual surpreendeu a Sapucaí em 1997 com sua batida funk, e promete mais inovações para o Carnaval de 2010. “Jorjão”, que a Cinemateca Zé Pereira orgulhosamente apresenta, é o primero filme de Paulo, sobre o ritmista. Leia aqui uma entrevista com o diretor, na qual ele fala um pouco mais sobre Mestre Jorjão, da aventura que foi filmar o curta-metragem e de seus novos projetos.