1 de março de 2010

“Geral”, novo curta-metragem de Anna Azevedo, foi selecionado para o Hot Docs 2010, o mais importante festival de documentários das Américas. É o segundo filme da diretora a ser exibido no evento, que acontece em Toronto, no Canadá, este ano, de 29 de abril a 9 de maio - há dois anos ela concorreu lá com o anterior, “Dreznica”. O curta foi rodado nos quatro últimos jogos da geral do Maracanã.
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9 de fevereiro de 2010

Por Luiz Henriques
Acabei de rever “Sinbad e a princesa”. Não é em qualquer locadora que você vai achar, mas é um barato. Houve uma época em que a TV Rio e depois a Bandeirantes fizeram populares por um breve momento os filmes de Mil e Uma Noites. Por um breve momento apenas porque os estúdios não estavam dispostos a bancar grandes orçamentos e os efeitos especiais eram complicados. Não havendo computadores, monstros e criaturas míticas em geral tinham que ser feitas do mesmo modo que “King Kong” em 1933: construía-se uma criatura em miniatura, que era animada quadro a quadro e depois montada cuidadosamente dentro das cenas com gente de verdade.
Com pouca grana pra investir, normalmente o visual não ficava grande coisa. A miniatura era sobreposta ao cenário com atores através da tela verde, o que implicava em mais um processo fotográfico que diminuía a qualidade da imagem. Não podia haver poeira no ambiente ou a cena iria aparecer manchada (repare como a Enterprise está sempre borrada, riscada e com sujeira aparecendo na série original). Não havia monitores de vídeo, então o diretor de efeitos especiais tinha que fazer sabe Deus lá como os cálculos pras criaturas de borracha e as pessoas parecerem estar dentro da mesma ação. E, quando se fazia a animação quadro a quadro, a iluminação do estúdio de animação tinha que bater com o que já fora filmado, muitas vezes ao ar livre, com sombras caindo da mesma forma que os heróis. leia mais…
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7 de fevereiro de 2010

Estão abertas, até o dia 10 de março, as inscrições para o 3º Miau – Mostra Independente do Audiovisual Universitário, para produções audiovisuais brasileiras universitárias em curta-metragem, finalizadas a partir de 2008, em qualquer formato, com duração máxima de 20 minutos. Fichas de inscrição e regulamento no site da mostra, que acontece de 5 a 9 de maio no Cine Goiânia Ouro, em Goiânia, Goiás.
Já no Iguacine – 3° Festival de Cinema da Cidade de Nova Iguaçu, que será realizado de 24 a 28 de março de 2010, pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, dá para se inscrever aqui, até o dia 27.
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6 de fevereiro de 2010

Hoje à noite tem lançamento do DVD do documentário “Samba”, de Thereza Jessouroun, na quadra a Mangueira, no último ensaio da escola antes do Carnaval. Filmado com os passistas da Estação Primeira em 2001, o filme, que trata da dança do samba, já foi exibido em mais de 30 países. O DVD vai estar à venda nas melhores casas do ramo, no Espaço Carnaval e Cidadania do Sambódromo, em lojas de pontos turísticos como Maracanã, Corcovado e Forte Copacabana e pela internet, com pedidos pelo e-mail samba@originalvideo.com.br.
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3 de fevereiro de 2010

O Oi Futuro de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 54) exibe logo mais, às 19h, “Nome próprio” (foto), de Murilo Salles, dentro da mostra Desvarios, com filmes que têm como tema a loucura. A mostra também vai apresentar, no mesmo horário, “A falecida”, de Leon Hirszman, que passa amanhã; “Azyllo muito louco”, de Nelson Pereira dos Santos, no dia 9; “A hora da estrela”, de Susana Amaral, no dia 10; e no dia 11, “Bicho de sete cabeças”, de Laís Bodansky. A entrada é franca.
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17 de janeiro de 2010

Por Eduardo Souza Lima
Filho de David Bowie, o homem que caiu na Terra - que também foi o Major Tom e Ziggy Stardust -, o diretor inglês Duncan Jones, 38 anos, é fã de ficção científica, é claro. Já em seu primeiro filme, o curta-metragem, “Whistle” (2002), arriscava-se no gênero. E viaja à Lua no futuro em seu primeiro longa-metragem, “Lunar”, que estreou ano passado no Festival Sundance. Produção independente, “Lunar” é um conto sobre fraternidade, camaradagem, solidão e realidade alternativa, que evoca “Solaris” (1972), “2001- Uma odisséia no espaço” (1968) e, principalmente, “Blade Runner” (1982). O filme é uma tour de force de Sam Rockwell, que praticamente só contracena com si mesmo e com a voz de Kevin Spacey, como o robô Gerty - emulando HAL 9000.
Rockwell intrepreta Sam Bell, funcionário de uma multinacional que descobriu e explora uma fonte de energia limpa e inesgotável no lado oculto da Lua, que deve permanecer sozinho por três anos no satélite. Jones dribla tão bem o espectador dos reais propósitos do filme que quase cheguei a desistir dele - pensei que fosse dar em cretinice. Há uma breve mudança de protagonista, inesperadas mudanças de tom, pistas deixadas no caminho. Apesar da confusa mensagem final, “Lunar” é um filme inteligente. E como exibidores e distribuidores não gostam de filmes inteligentes, não foi lançado nos cinemas no Brasil. Veja o trailer aqui.
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8 de janeiro de 2010

Por Luiz Bello
Quarta-feira, perto das oito da noite, por acaso vi o casal mais influente do cinema brasileiro conversando com o gerente do cine São Luiz, no Largo do Machado. Luci e Luiz Carlos Barreto ouviam, sorridentes, explicações sobre como acessar os relatórios de um daqueles terminais automáticos para venda de ingressos. Deviam estar acompanhando os números do filme dirigido pelo filho, Fábio, que ainda se encontra hospitalizado, após o grave acidente automobilístico que sofreu no fim do ano passado.
Barretão não parecia o grande capo di tutti películas que sempre imaginei, estava mais para um avô espiando a travessura do neto. Os dois ficaram por ali mais alguns minutos e sairam, quem sabe rumo a outra sala de cinema carioca. Chegando em casa, resolvi dar uma espiada no site do e-pipoca: em sua semana de estréia, “Lula, o filho do Brasil” (leia a crítica da Zé Pereira aqui), foi a segunda maior bilheteria do país, logo atrás de “Avatar”. Foi visto por mais de 190 mil pessoas e estava à frente do filme da Xuxa (5º lugar na semana, duas semanas em cartaz) e de “Lua Nova” (6º lugar na semana, sete semanas em cartaz). Não sei se essa performance se sustentará, mas os números, pelo menos por enquanto, devem estar agradando ao casal.
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6 de janeiro de 2010

Por Luiz Henriques
Acabei de ver “Gran Torino” em Blu-ray (uma espécie de DVD em alta definição - sorry, periferia). O velho Clint já havia anunciado na época em que lançou “Mystic River” (”Sobre meninos e lobos”) que havia se aposentado como ator, mas que um bom roteiro, principalmente de bangue-bangue, poderia fazê-lo voltar à frente das câmeras. “Gran Torino” não é um western, mas é um competentíssimo roteiro sobre ritos de passagem (assunto adorado por americanos). Como a esta altura da carreira já está mais do que claro que Eastwood não faz papel de coadjuvante e é pouco provável que alguém concatene um script realmente interessante com um octogenário em esplêndida forma como protagonista, parece pouco provável que vejamos o rosto do velho diretor novamente nas telas. Assim sendo, a última imagem dele em película terá sido sua morte, crivado de balas em pose de crucificação, para salvar seus vizinhos asiáticos. leia mais…
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4 de janeiro de 2010

Assim como o samba, o Super-8 foi declarado morto mas continua aí, embora não tão popular como outrora, com status de cult. A história da bitola é o tema de “Super-8 – Tamanho também é documento”, programa do diretor e pesquisador Clovis Molinari Jr. (na foto de debora 70), que estréia hoje, à meia-noite, no Canal Brasil. Em 13 episódios semanais, a série vai mostrar imagens raras e inéditas de filmes gravados em Super-8, formato cinematográfico que surgiu em meados dos anos 60 e caiu nas graças das famílias de classe média brasileiras, artistas, estudantes e contestadores. O programa traz uma seleção de produções do final dos anos 1970 e a metade dos 80, período de grande agitação cultural, ditadura militar e Guerra Fria. O programa vai ser reprisado no horário alternativo de quinta para sexta, às 4:30h.
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23 de dezembro de 2009

Mais tarde tem “Diário de Sintra”, belíssimo filme de Paula Gaitán sobre os últimos dias de Glauber Rocha, seguido de debate, no Unibanco Artepex 3. Vai ser às 18h e além da diretora, vão estar na mesa os cinesatas Cacá Diegues e Walter Salles e o crítico Carlos Alberto Mattos.
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15 de dezembro de 2009

O Carlos Alberto Mattos já havia levantado a hipótese de brincadeira, mas parece que a coisa é séria: segundo uma fonte da Zé Pereira, vem aí um filme sobre o José Serra, com direção de Guilherme Coelho (de “Fala tu” e “PQD”). Faz sentido. Pra quem não sabe, o diretor é filho do empresário Ronaldo Cesar Coelho, um dos mandachuvas do PSDB. Corre atrás aí, concorrência.
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8 de dezembro de 2009

“O cinema georgiano é um fenômeno estranho, especial, filosoficamente leve, sofisticado e ao mesmo tempo infantilmente puro e inocente. Tem tudo que me faz chorar e, devo dizer, não é fácil me fazer chorar”. Federico Fellini.
Pela primeira vez o Brasil verá uma mostra com os 12 melhores filmes da república do Cáucaso onde nasceu J. Stalin: Cinema da Georgia: Um Século de Filmes, de amanhã até o dia 20, no CCBB Rio, e de 15 a 27, no CCBB São Paulo.
A abertura, nesta quarta-feira, às 20h, será com “Minha avó”, filme mudo de 1929, proibido pelo regime soviético durante 40 anos. Além do tradicional pianista, a exibição terá narração do ator Irakli Gioshvili - provavelmente o único georgiano fluente em português que conhece a cultura brasileira.
No sábado, dia 12, às 20h30, será a vez de “O grande vale verde” (foto) concluído em 1967 e só liberado na Georgia em 1976. Após a exibição haverá debate com o diretor Merab Kokochashvili, que teve quase todos os seus filmes proibidos durante o regime soviético. Veja aqui a programação completa.
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21 de novembro de 2009
Por Dandara Palankof
Acho que todo mundo já cansou de discutir a vocação do filme “Lula, o Filho do Brasil” e seu respectivo lançamento em ano de sucessão presidencial como um evento totalmente eleitoreiro, uma descarada jogada de marketing para consolidar a imagem de nosso atual líder de Estado como uma espécie de herói popular e fazer com que eleja sem nenhum tipo de atropelos sua sucessora, que já há muito todos sabem se tratar de Dilma Roussef, blablablá.
Então, antes de contar como foi a segunda exibição pública do filme, que aconteceu aqui em Recife, capital do estado natal de Luís Inácio, dois dias depois de sua estréia em exibição hours-concours no Festival de Brasília, vamos tirar essa pedra do caminho: concordo com tudo. É um fato tão surreal em seu descaramento que chega a me lembrar, numa comparação que digo logo ser extremamente exagerada (embora haja um paralelo real), atitudes de governantes como Kim Jong-Il. Pronto. Vamos ao evento.

A pré-estréia foi realizada, pra variar, no Teatro Guararapes do Centro de Convenções, lugar que também abriga o Cine PE (que a Zé Pereira cobriu em peso este ano, aliás) e, assim como o festival, foi engendrado pela Bertini Produções e Eventos. Mas “O Cara” acabou não vindo: antes anunciado como presença confirmada, Lula ao que parece achou ser um pouco demais dar o ar da graça na pré-estréia recifense, e aí eu fico me perguntando que diferença faz. De presença política marcante, acabei identificando apenas Eduardo Campos, governador de Pernambuco, mais assediado pelos jornalistas do que a Glória Pires que, junto à filha Cléo, também integrante do elenco, estava em uma das primeiras fileiras do teatro.
Que estava lotado, aliás. O que não quer dizer que todos os convidados ali estavam: afinal, fora distribuídos mais convites do que a capacidade do lugar (havia um assento vago ao meu lado, inclusive). Mas ainda assim era gente o suficiente para deixar a produtora Paula Barreto nervosa quando subiu ao palco para apresentar o filme; logo depois dela, o diretor Fábio Barreto, seguido de boa parte do elenco (além de Glória e Cléo, Juliana Baronni, o protagonista Rui Ricardo Diaz, o “Lula-criança” Felipe Falanga, entre outros) e o produtor Luiz Carlos Barreto, além de Frei Chico, o “Ziza”; o discurso de quase todos, obviamente, tentava acusar a imprensa de estar fazendo uma leitura errada do filme. Mas se eles estão realmente inocentes, são culpados de extrema ingenuidade por não perceberem que era exatamente assim que ele seria visto. leia mais…
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20 de novembro de 2009

O VIII Araribóia Cine, que começa hoje e termina na quarta-feira que vem, tem como tema Retratos e exibe em Niterói filmes que tratam de heróis e anti-heróis, com entrada franca. Este ano, o festival acontece no Cine Arte UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí), no MAC (Mirante da Boa Viagem s/nº) e no SESC Niterói (Rua Padre Anchieta, 56, Centro) e também faz homenagem a um herói da cidade, o montador e diretor niteroiense Ricardo Miranda, mostrando filmes dirigidos e montados por ele, incluindo o último, “Palavra exata” (foto), que passa na sessão de encerramento. Na abertura, hoje, às 20h, no Cine Arte UFF, tem roda de samba com o grupo Unha de Gato e os curtas “Partido alto”, de Leon Hirszman, “Zelão”, de Sérgio Ricardo, “No tempo de Miltinho”, de André Weller, e “Guilherme de Brito”, de André Sampaio. Confira aqui a programação completa.
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19 de novembro de 2009

Por Luiz Bello
No final dos anos 1960, um grupo de empresários manifestou seu apoio à ditadura militar financiando um dos mais terríveis centros de interrogatórios e assassinatos da América Latina: a Operação Bandeirantes (Oban).
Funcionando secretamente numa delegacia de São Paulo, a Oban reunia elementos escolhidos a dedo nas forças armadas e na polícia, como o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Através de sequestros, espancamentos, afogamentos, estupros, empalamentos, choques elétricos, mutilações, execuções e esquartejamentos, eles tentariam desarticular a oposição ao golpe de 1964. Seu comandante mais “ilustre” foi o major Carlos Alberto Brilhante Ustra, que, em 2008, se tornaria o primeiro oficial do Exército a ser reconhecido como torturador pela Justiça brasileira.
Antônio Ermírio de Moraes e José Midlin foram alguns dos empresários que se recusaram a participar do esquema, enquanto outros só o fizeram por medo. Mas havia os entusiastas, como o dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Albert Boilesen (na foto acima, com sua segunda mulher). Presidente de um dos mais importantes conglomerados do país, o grupo Ultra, ele assumiu com esmero, junto à elite paulistana, a tarefa de arrecadar dinheiro para a Oban. Ficou amigo de alguns carrascos, frequentava ocasionalmente “a casa” e teria, inclusive, importado dos EUA um teclado para modular a intensidade dos choques elétricos.
Sua “olímpica” participação nas atividades da Oban lhe traria uma notoriedade trágica: em 15 de abril de 1971, foi emboscado e morto por militantes da Ação Libertadora Nacional.
Este é o tema do documentário de Chaim Litewski, que estréia em 27 de novembro. Melhor filme do festival É Tudo Verdade, “Cidadão Boilesen” demorou 15 anos para ser concluído e reúne uma lista impressionante de entrevistados, incluindo o próprio coronel Brilhante Ustra e Henning Boilesen Jr., filho do controvertido empresário, além de Carlos Eugênio da Paz, o militante da ALN que lhe deu o tiro de misericórdia.
FHC, Jarbas Passarinho, Celso Amorim, Dom Paulo Evaristo Arns e Erasmo Dias também participam. Outras presenças discretas, mas importantes, são as de frei Tito (personagem principal de “Batismo de sangue”, de Helvécio Ratton) e Maria Auxiliadora Lara Barcelos: ambos passaram pelo inferno da Oban (ele, nas mãos de Fleury, ela, nas do capitão Guimarães) e, anos depois, já fora do Brasil, buscaram a própria morte.
Chaim Litewski consegue amarrar tudo isso com leveza e até humor, sem abdicar da consistência, ancorando-se na documentação que colecionou durante uma década e meia, proveniente do SNI, da CIA, Inglaterra, Dinamarca… Não esconde contradições e respeita as verdades de seus entrevistados, o que talvez explique porque conseguiu indiscrições de Erasmo Dias e arrancou Ustra de sua reclusão. “Cidadão Boilesen” quebra um histórico tabu, pois flagra a elite do empresariado brasileiro chafurdando, sorridente, na pocilga da tortura.
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