16 de março de 2010

Fotodiário celular HK XCVII

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Como este Fotodiário não se cansa de atestar, gosto muito de minha, quer dizer, de nossa cidade. Por isso, quando fui convocado no sábado da semana anterior para mostrá-la a duas jovens visitantes estrangeiras – a filha de uma prima e a amiga dela, ambas israelenses, hospedadas na casa dos meus pais –, aceitei feliz da vida. O “tour” começou depois da sobremesa, o pudim da foto que abre esta edição.

Primeiro subimos até o Mirante Dona Marta, de onde olhamos para a Enseada de Botafogo sob um céu de nuvens densas, mas que não davam sinal da tempestade que viria horas mais tarde. De lá, seguimos para uma volta por Santa Teresa, com parada para café e lojinhas de artesanato. Depois de rodar por vários outros bairros, fomos ver o final da tarde da murada (cheia de pescadores) da Urca.

Foi dali que começamos a ouvir os trovões sobre a cidade. A foto com relâmpagos iluminando as montanhas e o Corcovado foi a última que tirei antes que um pé (tamanho 45) d’água caísse sobre nós. A volta para casa foi epopéica, mas chegamos sãos e secos. No domingo, passando pelo pátio da garagem de nosso edifício, encontrei algumas janelas (despencadas pela chuva?) encostadas no muro. leia mais…

9 de março de 2010

Fotodiário celular HK XCVI

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Na manhã do sábado da semana anterior, peguei um ônibus com o caçula para o Largo do Machado atrás de uma bateria para seu relógio. No caminho, na Conde de Baependi, quase esquina de Tavares Lira, fotografei a barraca (dupla) do camelô que, há muitos anos, vende ali miniaturas de animais. Dinossauros, insetos, bichos de fazenda… Uma verdadeira arca de Noé. Mais adiante, na Machado de Assis, entramos na loja de um relojoeiro – uma raridade nesses tempos em que, cada vez mais, se substitui as coisas em vez de consertá-las; especialmente relógios, vendidos por trocados em qualquer esquina. Saindo dali, passamos pela feira no Largo do Machado, onde registrei almofadas listradas, combinando o toldo da barraca em que eram vendidas. leia mais…

2 de março de 2010

Fotodiário HK celular XCV

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Talvez seja porque tenha a música como um elemento básico e fundamental na vida, talvez por puro delírio, mesmo (com esse calorão que andou fazendo…). O caso é que na semana passada, associei símbolos musicais, ritmo e melodia a vários dos lugares em que estive e cenas que presenciei – algumas delas registradas nesta edição do Fotodiário. Começando pelo sábado – com direito a “legenda” tipo poema-concreto (rap?) impressa no asfalto da Ortiz Monteiro para marcar o lugar de uma barraca, na feira. - E seguindo com o passeio de carro pela Atlântica, no meio da tarde. Parado num sinal, abri a janela e fotografei o vai-e-vem no calçadão. A imagem, mistérios eletrônicos, acabou contaminada pelo desenho ondulado do calçadão, que aos meus olhos, é uma espécie de partitura em pedrinhas da bossa nova. A bossa “O barquinho” me acompanhou, mais adiante, no Aterro, quando resolvi dar uma entradinha no Monumento a Estácio de Sá – que mostra uma das mais belas vistas da baía. leia mais…

23 de fevereiro de 2010

Fotodiário celular HK XCIV

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Nesses últimos anos, cada vez mais, Laranjeiras tem sido ótima durante a folia – para quem gosta de longos “passeios” no meio da multidão, latinha de cerveja morna na mão, barulhão (samba? acho que não), azaração adolescente, confusão… Não é meu caso. Por isso, no sábado de Carnaval, bem cedo, partimos do Rio para Guapi em exílio voluntário. São de lá – onde, diga-se, rola um simpático Carnaval de interior, com bailes de rua e até desfile de escolas de samba – as imagens das quatro primeiras colunas (da esquerda para a direita) desta edição do Fotodiário.

A primeira, feita quando chegávamos, é da rua principal, que ganha arquibancadas e decoração para o desfile das escolas. Mais tarde, estreamos os novos pratos (de vidro) do Cantinho do Sabor e, pouco depois, passei um tempo refrescante na beira do rio que margeia o condomínio. Mesmo longe da água, o calor de lá, não chegava ao do “forno carioca”, como atestava o termômetro da varanda, fotografado lá pelo fim da manhã de domingo – dia do aniversário do nosso filho mais velho, que ganhou bolo de chocolate da vovó. Mais tarde, passando novamente pela cidade, registrei outro trecho da rua principal, com lojas vendendo máscaras, confete e serpentina. Adiante, almoçamos no Alaiu, onde os ventiladores lutavam para amenizar o mormaço. De volta em casa, encontrei uma espécie ultramegapeluda de lagarta ruiva que me lembrou o cachorro do Cebolinha. As cachorrinhas do meu irmão – estas reais em latidos e rabos abanantes – ganharam recentemente casinhas próprias, instaladas ao abrigo da varanda. leia mais…

16 de fevereiro de 2010

Fotodiário celular HK XCIII

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Por Henrique Koifman

No sábado da semana anterior, resolvemos enfrentar o calor dar um pulo na feira da General Glicério – que, na prática, funciona em uma de suas transversais, a Ortiz Monteiro. São de lá as duas primeiras imagens desta edição do Fotodiário: o casal de simpáticos vendedores de frutas e o detalhe de um portão do edifício que fica em frente ao ponto onde eles armam sua barraca (há pelo menos uns 30 anos). No domingo, passando pelo Largo do Machado, fotografei os ladrilhos do chão da lanchonete onde paramos para que o caçula (são dele as pernas na foto) tomasse um refresco. À noite, passando pela Laranjeiras, já próximo à nossa casa, registrei o movimento da lanchonete móvel na calçada.

Já na segunda, caminhando do centro de volta para casa, flagrei o bonde passando sobre os arcos da Lapa com um belo poente ao fundo. Mais adiante, já na Laranjeiras, pouco antes da Soares Cabral, passei por um cachorrinho que aguardava, amarrado a um fradinho, seu dono(a) fazer compras no mercado. No dia seguinte, caminhando pela Senador Dantas, encontrei um jogador de futebol seriamente contundido sobre as pedras da calçada. Pouco mais tarde, fui com meu sócio experimentar a nova cafeteria do tradicional Hotel OK, na mesma rua (o expresso é bom).

Na quarta, com o céu limpíssimo depois da tempestade que caiu na noite de terça – aqui em casa, tivemos até granizo –, chegando ao Centro, resolvi fotografar o chafariz que fica onde um dia esteve o Monroe. Ele estava ligado, coisa meio rara no verão carioca, supostamente por conta da dengue.

No final do dia, caminhando pela Voluntários, em Botafogo, notei que o calçamento ali colocado não faz assim tanto tempo (parte do projeto Rio Cidade) já está completamente degradado. Os ladrilhos além de encardidos, parecem prematuramente gastos. Seria isso, em parte, culpa de minhas tão constantes caminhadas por ali? Na mesma rua, passei pela vitrine de uma loja em liquidação e, mais adiante, entrando pela Martins Ferreira, encontrei um reluzente fusca vermelho.

Na quinta, com sol a pino, passei (esbaforido) pelo canteiro central do comecinho da Avenida Chile, ali em frente à Carioca, e, pela primeira vez, notei um belo grafite enfeitando um bloco de concreto plantado ali não sei bem para quê (vai ver era o pedestal de alguma placa de bronze roubada). No final da tarde, parei com minha namorada para uma boquinha rápida na Cavé e experimentei uma pizza de sardinha – sem queijo, mas (ou talvez até por isso) bem interessante – com suco de uva.

Na sexta de manhã cedo, na Cinelândia, passei por um sujeito que, confortavelmente instalado em uma cadeira de praia, lia seu jornal, em descontração precarnavalesca. No começo da tarde, de carro, descendo a Presidente Vargas, cliquei pela janela (estava de carona, não dirigindo, ok?) um detalhe de um grande carro alegórico estacionado perto do sambódromo.

Gandhi, que parecia caminhar em direção à portaria do Serrador, fotografei na quarta (logo após o chafariz); o relógio-termômetro com o calorão exagerado para o horário, registrei na terça, no início da Laranjeiras; a flor meio despetalada, com jeito de quarta-feira de cinzas, estava em uma das calçadas da General Glicério, no sábado.

15 de fevereiro de 2010

Lenda urbana

BLOG, Carnaval 2010, Cenas

Foto: Suélen Brito

Urbana e underground. Foi avistada, adequadamente, no Cordão do Boitatá. Alguém aí saberia dizer quem é? Seria o futuro negro do Carnaval?

9 de fevereiro de 2010

Fotodiário celular HK XCII

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Quem acompanha este Fotodiário já sabe que adoro nossa cidade. Para além da natural afinidade por ser “carioca da gema”, tenho grande prazer em olhar para o Rio, seja da janela de casa ou da de um ônibus; em passos apressados em direção a algum compromisso ou caminhando despreocupadamente para casa num fim de tarde. Não sou lá tão viajado, mas tive chance de conhecer quase todas as capitais brasileiras e algumas grandes cidades em outros países e acho que, sem exagero de filho coruja, o Rio é dos melhores lugares para se flanar (há tempos aguardo a chance de usar esse termo sem parecer pedante, mas apenas pedestre). A despeito disso tudo, há dias em o que mais quero é estar longe daqui.

Calor exagerado, início prematuro da zorra pseudocarnavalesca, alguns dias de folga coincidindo com o final das férias das crianças, recesso no consultório da namorada, convites e ofertas de amigos para hospedagem… A conjunção era perfeita e lá fomos nós. No sábado da semana anterior, saímos de Guapi (chegáramos lá na quinta) e, via Teresópolis – é de lá a imagem da moto “estradeira” que abre esta edição –, fomos para a casa de nossos amigos em Araras. Lá nos esperavam o casal com seu carinho habitual e quitutes inspiradíssimos (o da panela é um delicioso frango indiano), o preguiçoso gato Lua e horas e horas de gostosa conversa.

No domingo, passando pelo centrinho de Araras, encontrei um cachorrinho aproveitando a sombra sob o balcão da mercearia. De volta à casa, gostei das linhas e sombras formadas pelas sandálias de meu amigo sobre os ladrilhos do quintal. À noite, com a ajuda de uma lanterna empunhada pelo caçula, fotografei um sapo malhado. Já na segunda pela manhã, um contratempo me levou a pegar um ônibus em Itaipava para o Centro do Rio. Poucas horas mais tarde, já estava de volta a Araras, a tempo de clicar os panos brancos secando no varal da varanda, fazer as malas e seguir com a família para a cabana de outra querida amiga, no vale do Stucky, em Muri. A mandala colorida foi a primeira foto que fiz lá, à noitinha, quando chegamos.

Construída no alto de uma colina e escondida por um bosque de pinheiros, a casa tem um clima daqueles que bastam para que sair de lá exija um tremendo esforço. Ainda assim, na terça, fomos almoçar “fora”, no restaurante da Leína, na estrada Muri-Lumiar (é de lá a imagem da paisagem “encanada” por um tijolo vazado, com uma chave dormindo dentro dele), e fazer compras em Muri – onde o fusca verde-abacate passou roncando tão rápido que quase fugiu inteiro da foto.

Devidamente abastecidos, voltamos para a cabana e de lá só voltamos a sair na sexta. São daquele pedacinho de paraíso o material de jardinagem – nossa amiga é uma competente fada das flores –, as sandálias na janela, o violão do filho mais velho no sofá, o perfumado macarrão-borboleta preparado pela namorada, o reflexo do bosque na janela, as flores, o copinho porta-vela, o fragmentado (feito através de um cristal) auto-retrato deste que aqui mal tecla, a rede de sonho pendurada entre árvores, a cozinha, as árvores-bruxas no caminho, o pôr-do-sol atrás dos pinheiros e montanhas (visto da rede) e a mariposa na vidraça.

Na sexta, no começo da tarde, partimos de volta, com uma parada almoçar novamente no restaurante da Leína (a fome foi maior que a vontade de fotografar, daí a imagem com pratos vazios, pela qual peço desculpas). E pegamos um pequeno engarrafamento na Niterói-Manilha, na altura do Barreto – pretexto para registrar a baía, que parecia mais limpa que o habitual, no contraluz.

Os guindastes com braços em diagonal oposta a dos suportes da murada da Perimetral fotografei na segunda, voltando para Araras. A placa indica o caminho para o condomínio onde fica a cabana mágica de nossa amiga, em Muri.

2 de fevereiro de 2010

Fotodiário celular HK XCI

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Por Henrique Koifman

No sábado da semana anterior, almoçamos na casa dos meus pais – é a mesa posta, a espera de pratos e comensais, que abre esta edição do Fotodiário. E, no final do dia, fomos ao Leme visitar uma querida amiga. Paramos o carro junto ao calçadão da praia, quase em frente a um belo edifício dos anos 1940/50 com fachada de ladrilhos grandes. De uma das janelas da casa de nossa amiga, registrei o final da tarde na praia. Pouco antes, fotografei seu gato sobre o tapete felpudo.

No domingo, de preguiça (início de duas semanas de férias) em casa, passei parte da manhã recostado em uma almofada xadrez, lendo o jornal. Já no final do dia, preparamos um lanche com salada e sanduíches com pão árabe. Mais cedo, passando pelo jardim do edifício, encontrei bolas coloridas presas às plantas, por conta do aniversário de uma pequena vizinha.

Na segunda, batendo pernas pelo bairro pela manhã, registrei uma luminária da pracinha da Pires de Almeida tardiamente (ou seria prematuramente?) acesa sob a copa das árvores. No final do dia, sob chuva, engarrafados na Mário Ribeiro, fotografei uma das entradas do Jóquei através da janela gotejada do carro. Já na terça pela manhã, passando de ônibus pela Praia de botafogo, gostei do contraste criado pelo sol, no contraluz, com a névoa branca e fiz uma foto de um ciclista que passava pelo canteiro. À tarde, fui jogar ping-pong com os meninos no clube.

No dia seguinte, novamente na Praia de Botafogo, desta vez a pé pela calçada junto aos edifícios, passei diante do busto em homenagem a Manoel Thomaz de Carvalho Britto. Como imagino que aconteça com a maioria de vocês, nem teria reparado na estátua – e muito menos na placa que a identifica – não fosse o saco de plástico que alguém havia colocado sobre a cabeça do jurista e legislador mineiro e que me causou um certo desconforto (impossível não associar esse tipo de coisa, saco sobre a cabeça, com tortura). Mas, graças a tal cena, fiquei sabendo que Manoel era possuidor de “raro descortínio, administrador enérgico e arguto reformador do ensino primário em Minas Gerais”, além de “entusiasta servidor da causa pública”. Mais tarde, numa parada para trocar o óleo do carro, encontrei um velho jipão militar, desses que hoje são usados para transportar turistas “em clima de aventura” pela cidade, estacionado junto ao posto e fotografei sua roda.

Na quinta pela manhã fomos para Guapi, onde encontramos a casa de meu irmão com novos portões de entrada de madeira. Peguei minha sunga oficial no secador e tratei de mergulhar logo no rio para espantar o calorão. Na sexta, passeando pelo quintal de manhã, apontei o celular para a copa das árvores e, enquanto disparava a câmera, girei o pulso. A imagem ficou parecendo com a da superfície da água onde se atirou uma pedrinha, não acham? À tarde, fotografei algumas tangerinas sobre a mesa da cozinha.

As espigas de milho dentro de sacos estava ao lado de uma banca de jornal na Laranjeiras, na segunda; o telefone celular – o primeiro aparelho que comprei, em 1999, e sei lá por que cargas d’água guardava até então – foi totalmente desmontado e fotografado antes de ser jogado fora em lugar apropriado; a salada com ovinhos de codorna nós comemos no restaurante do Alaiu, em Guapi, na sexta.

26 de janeiro de 2010

Fotodiário celular HK XC

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Por Henrique Koifman

No sábado da semana anterior, aproveitando o calorão, fui com o caçula dar uma nadada na piscina do clube. São de lá as duas primeiras fotos que abrem esta edição do Fotodiário: nossas camisetas dependuradas no gol usado no pólo aquático e dois “pés” à beira d’água. No domingo, ainda em companhia do pequeno (o mais velho tinha viajado), fui ao Parque Laje, lugar de que gosto muito e frequento desde criança. Encontramos o chão forrado por folhas e jambos – que comemos e trouxemos para casa. No espaço em que um dia funcionou o estábulo da mansão, encontramos uma grande e interessantíssima instalação que, coincidência, descobri ser criação de um vizinho de janela aqui do prédio. Dentro do casarão, reparei no chão, revestido por um belo mosaico de pedras de várias cores e formatos (não me lembrava desse detalhe).

Já na segunda, caminhando pela Laranjeiras, passei diante da porta de um sobrado em reformas – aborrecido, confesso, descobri depois que ali funcionará mais uma agência bancária. Sinceramente, não acho que meu bairro precise de mais bancos (já há três num espaço de menos de 10 metros) nem farmácias (dessas eu perdi a conta). Torcia pela volta da antiga padaria que funcionava ali até um tempo atrás. Dinheiro nunca vai ter o cheirinho bom que eu costumava sentir quando passava ali na porta. Mais tarde, caminhando pela Lapa, avistei um Uno vermelho totalmente abarrotado de tambores.

Na terça pela manhã, fotografei o Theatro Municipal, quase pronto, a partir da ensolarada esquina da Alcindo Guanabara, juntinho à Câmara. No final do dia, engarrafado num ônibus, pela janela, apontei o celular para a tempestade veranista que desabava sobre a cidade e consegui congelar um pedacinho de raio.

Na quarta, feriado de S. Sebastião, pela manhã, fui buscar um aparelho que deixara para consertar na galeria do 336, prediozão monstruoso da Laranjeiras. Aguardando pelo técnico, fiz um auto-retrato no reflexo da janela de uma pensão e registrei também a loja dele entreaberta. Já na quinta, no fim do dia, na mesma Laranjeiras, encontrei um triciclo de entregas do supermercado com seu pneu murcho sobre a calçada molhada (mais chuva), na contraluz. Na sexta, debaixo de outro temporal, mais uma vez dentro de um ônibus, usei o vidro da janela como “filtro” para uma foto.

As fotos de peixinhos na parte de baixo da página foram todas feitas no aquário do Parque Laje, no domingo.

19 de janeiro de 2010

Fotodiário celular HK LXXXIX

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henriquer Koifman

Dia 9 de dezembro pela manhã, subimos a serra para Araras, onde um par de nossos melhores amigos iria se casar. Festa que preencheu todo aquele sábado e mais uma parte do domingo (dormimos por ali). São de lá as três primeiras colunas de fotos (à esquerda) que abrem esta edição do Fotodiário. A flor estava sobre a mesa em que nos sentamos após a cerimônia, o chapéu panamá guardava o lugar de um dos convidados; por trás do véu (que dava um ar de mistério à cozinha logo adiante), cozinheiras preparavam os quitutes; o ponche de frutas estava em um dos cantos da sala e, pouco adiante, bolo e docinhos aguardavam a vez de entrar em cena. A casinha com jeito de ilustração de livro infantil é onde vive o caseiro do seminário luterano, onde nos hospedamos após a festa.

Já na segunda, de volta ao Rio e ao Centro, pela manhã, encontrei uma coleção de chapéus feitos com folhas verdes trançadas expostos nas escadarias da câmara dos vereadores. Mais tarde, voltando a pé para casa, passei por uma calçada molhada, forrada de flores de flamboyant, no Catete (próximo ao colégio Zacaria). Na terça, engarrafado numa das prateleiras daquela primeira parte elevada da Linha Vermelha que corta e estraga São Cristóvão, registrei uma espécie de torre no alto de um dos muitos sobrados sufocados pelo concreto. No fim do dia, passando por Copacabana, fotografei um cachorrinho preguiçosamente (fazia muito calor) encaixado sob as grades de um edifício na Bolívar.

Quarta pela manhã, chegando ao Passeio, vi uma moça rebocando uma imensa mala com rodinhas que, sobre a calçada de pedras que rodeia o parque, avançava devagar e barulhenta. Sempre que vejo alguém carregando uma mala grande pela rua, não sei bem porque, fico com a impressão que ali vai uma pessoa que está de mudança, deixou a casa dos pais ou, quem sabe, terminou um namoro ou casamento. Enxergo alguém que está passando por um daqueles “momentos decisivos” e que, dentro da mala, leva o pouco que acha fundamental para seguir com sua vida. Ou então não era nada disso e a moça só estava levando sua mala, vazia, para o concerto, sei lá. A imaginação voa também quando chego à janela do escritório, como naquele fim de tarde, e vejo um desenho de nuvens e sol poente – cena que, invariavelmente, minha mente associa a uma canção de Tom Jobim (nem sempre a mesma, mas sempre dele).

Quinta, seguindo a pé pela Laranjeiras em direção ao Largo do Machado, passei por um fusca que parecia já ter rodando últimos quilômetros (ao menos com seu dono atual), tomado de folhas e poeira. À noite – o dia foi corrido –, passei pelo ponto de ônibus da Senador Dantas e gostei das luzes do Bobs da esquina em frente e da do abrigo para passageiros. No dia seguinte, caminhando pelo inóspito canteiro central daquele último trechinho da Almirante Barroso, já prestes a virar Avenida Chile, encontrei três pequenas tampinhas de caixas de gás, uma ao lado da outra, formando uma espécie de composição geométrica em meio ao caos de texturas, tonalidades e linhas do cimento. Atravessando a rua, entrei no espaço cultural da Caixa e encontrei uma única e pequena exposição em cartaz, no mezanino, sobre Marighela. Horas mais tarde, saindo do trabalho logo após um pé d’água, na Evaristo da Veiga, fotografei o reflexo do sol no asfalto encharcado. À noite, fomos jantar com meus pais – um saboroso cardápio frio, ótima ideia da minha mãe para amenizar o fim de uma semana tórrida.

O jarrinho com flores sobre a mesinha estava em um dos corredores do seminário luterano, em Araras. Os noivos – Dona Baratinha e João Ratão com final feliz – faziam pose sobre o bolo de nossos amigos, agora, recém-casados.

12 de janeiro de 2010

Uma canção ao cair da tarde: “Frank Sinatra”, Miss Kittin

BLOG, Cenas, Uma canção ao cair da tarde

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A propósito do início de mais um BBB, um recado da senhorita Caroline Hervé.

12 de janeiro de 2010

Fotodiário celular HK LXXXVIII

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Nessas primeiras semanas do ano, sei lá; me sinto com um pé lá outro cá. Como se ainda vivesse no ano passado, confundindo data, preenchendo cheque errado, como se tivesse passado noites em claro ou então com o fuso horário trocado. E ainda por cima, esse calor. No tórrido sábado da semana anterior, saí de casa já no meio da manhã e, pouco depois de passar pelo portão, no chão, achei emaranhadas em cores e fios algumas fitinhas do Bomfim. Diz a crença que uma fitinha se arrebenta (e seu dono, então, a perde, geralmente sem sentir) após a realização de um pedido, feito no momento em que foi atada ao corpo. Aquelas, que sabe, podem ter pertencido a um sortudo que, bem na virada do ano, viu vários de seus desejos realizados de uma só vez. Dali, marchei à feira da General Glicério, onde compramos peixe e camarão – este último, ingrediente de um risoto, magistralmente preparado pela namorada, pouco depois. leia mais…

8 de janeiro de 2010

O olho do dono

BLOG, Cenas, Cinema


Por Luiz Bello

Quarta-feira, perto das oito da noite, por acaso vi o casal mais influente do cinema brasileiro conversando com o gerente do cine São Luiz, no Largo do Machado. Luci e Luiz Carlos Barreto ouviam, sorridentes, explicações sobre como acessar os relatórios de um daqueles terminais automáticos para venda de ingressos. Deviam estar acompanhando os números do filme dirigido pelo filho, Fábio, que ainda se encontra hospitalizado, após o grave acidente automobilístico que sofreu no fim do ano passado.

Barretão não parecia o grande capo di tutti películas que sempre imaginei, estava mais para um avô espiando a travessura do neto. Os dois ficaram por ali mais alguns minutos e sairam, quem sabe rumo a outra sala de cinema carioca. Chegando em casa, resolvi dar uma espiada no site do e-pipoca: em sua semana de estréia, “Lula, o filho do Brasil” (leia a crítica da Zé Pereira aqui), foi a segunda maior bilheteria do país, logo atrás de “Avatar”. Foi visto por mais de 190 mil pessoas e estava à frente do filme da Xuxa (5º lugar na semana, duas semanas em cartaz) e de “Lua Nova” (6º lugar na semana, sete semanas em cartaz). Não sei se essa performance se sustentará, mas os números, pelo menos por enquanto, devem estar agradando ao casal.

5 de janeiro de 2010

Fotodiário celular HK LXXXVII

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Ouvi dizer que fazer mudança de casa em dia de chuva dá sorte. É provável que esse agouro tenha lá seu quê de misericórdia. Assim como outros ditos, que atribuem a fortuna a quem é alvo de fezes de pássaros, quebra copos, coisas do gênero. Ao copo quebrado, associam-se “energias ruins” que, com os cacos do vidro, dissipam-se (e deixam o desastrado livre delas). Às fezes na roupa, confere-se o dom da fertilidade – mais ou menos o mesmo poder atribuído à água das chuvas nas mudanças que, tal qual em um dia de semeadura, garantem o sucesso do plantio e uma futura colheita farta. Lembrei disso, claro, ao selecionar as imagens para esta edição de ano novo do Fotodiário, boa parte delas feita debaixo de chuva, justo nesses dias da virada do ano.

No sábado da semana anterior, amanhecemos em Guapi (chegáramos à noite), onde ficamos até segunda no almoço. São de lá as três primeiras colunas de fotos à esquerda. A bromélia estava no jardim da casa do meu irmão – onde também moram o catavento multicolorido e o sapo compenetrado. As sandálias com acerolas (colhidas pouco antes, comidas pouco depois) são minhas, largadas sobre uma pedra durante um banho de rio. A árvore com lampadinhas enfeitava uma das casas do condomínio e o céu azul (de domingo) está refletido no vidro do nosso carro. A lojinha fica na rua principal da cidade e ajudava a marcar as horas dos últimos dias do ano.

Na segunda à tarde, já no Rio, encontrei flores de flamboyant no cimento molhado da garagem de nosso edifício. Mais tarde, deixei o filho mais velho na casa de um amigo, na Fonte da Saudade, de novo sob chuva. No dia seguinte, à tarde, parei o carro na Presidente Vargas para um telefonema (não falo ao celular enquanto dirijo), justo quando a chuva virou tempestade. Na quarta, passei algumas horas trabalhando no escritório da namorada, onde a luminária me lembrou uma lua cheia. Já na quinta, saindo do nosso edifício, fui novamente pego por uma chuvarada daquelas na Laranjeiras. A água espelhou o asfalto da General Glicério, que, na altura da praça do chorinho, refletia a copa das palmeiras. Pouco adiante, na esquina com a Laranjeiras, uma senhora vendia palmas para serem presenteadas a Iemanjá.

No começo da noite, fomos para a casa de uma querida amiga no Jardim Botânico para, com outros amigos, comemorarmos a passagem do ano. São de lá as velas, a vista da lua cheia (azul, segundo soube) sobre o Redentor – parou de chover! –, a vista dos fogos de artifício no céu da Lagoa e o anjo com bumbum de fora.

A cadelinha (de verdade) de olhar meigo se chama Mina, mora em Guapi e é do meu irmão. A salada de tomate, alface e cenouras é do Cantinho do Sabor, também de Guapi. O cachorrinho (de pano) estava sobre a nossa cama, aqui em casa, no dia primeiro de janeiro e foi modelo para a minha primeira foto ao acordar em 2010. Aliás, que o ano seja fértil em sorrisos, de todos nós.

29 de dezembro de 2009

Fotodiário celular HK LXXXVI

BLOG, Cenas, FOTODIÁRIO CELULAR HK

Por Henrique Koifman

Correr para poder parar. A semana antes do Natal – e, com ele, o recesso de fim de ano – é perfeitamente definida com esse chavão. Pelo menos pra mim. Correria que inclui o fechamento desta edição do Fotodiário um pouco mais cedo que o habitual, na sexta, dia 25. Bem a tempo de desejar boas festas e feliz ano novo para todos.

No sábado da semana anterior, estivemos na casa de amigos no Jardim Botânico – onde encontrei essa pequena árvore natalina enfeitando o lavabo. Mais cedo, parado num sinal da Atlântica, reparei nas grandes flores amarelas espalhadas (como se tivessem sido colocadas, criteriosamente, uma a uma) sobre a calçada do canteiro central, No domingo, caminhando por ruas quase desertas da Tijuca, no começo da tarde, passei por muitas casinhas de ar bucólico e flores sobre os muros como a da foto. Um pouco depois, fomos deixar nosso caçula em uma festa. A casa – da tia do aniversariante – fica na Mário Portela e se parece com uma daquelas chácaras do século XIX. Talvez tenha sido.

Na segunda, caminhando pela Laranjeiras em direção ao Largo do Machado (pegaria o metrô), registrei o céu visto de dentro do caramanchão da Praça Del Prete. Mais tarde, passando pela 7 de Setembro, fiquei encantado com os bonecos da vitrine da H. Stern, na esquina com Rio Branco. Terça, depois de um dia daqueles, sem praticamente sair da frente do computador, resolvi olhar pela janela do escritório e avistei um dos mais bonitos pores-do-sol (é esse o plural?) dos últimos tempos. Pouco depois, passando pela Cinelândia, encontrei um concerto promovido pelo Theatro Municipal. No dia seguinte, aliás, fotografei parte da audiência de um outro espetáculo da mesma série, aboletada na arquibancada montada sobre a calçada (que frase mais rimada!). E, esperando o ônibus na Presidente Wilson pouco depois, fotografei as cores do final da tarde no céu da Glória.

Quinta, já de folga, fui ter com meus amigos de infância da General Glicério para nosso encontro anual, que acontece religiosamente desde 1980. É de lá o copo de cerveja. Antes, pela manhã, passando por uma transversal da São Francisco Xavier, na Tijuca, encontrei um fusca bem maltratadinho e identificado com uma quase apagada e antiga placa amarela de duas letras.

Hoje, dia 25, no final da manhã, novamente naquele pedaço da Tijuca, enquanto esperávamos a namorada (minha)/mãe (dele), que fazia uma visita, eu e o caçula demos a volta no estádio do Maracanã a pé. São 1.770 metros – pelo menos é o que diz a marcação na calçada do entorno.

O sujeito lendo numa poltrona cercada de livros, pisos e reflexo (canto inferior esquerdo) estava na Livraria da Travessa da 7 de Setembro, na segunda; o telefone antigo cercado de livros estava na outra livraria do grupo, esta na Travessa do Ouvidor, no mesmo dia; o menino de rosa está passando na frente de uma casa de janelas altas que fica na São Francisco Xavier.

O sujeito lendo numa poltrona cercada de livros, pisos e reflexo (canto inferior esquerdo) estava na Livraria da Travessa da 7 de Setembro, na segunda; o telefone antigo cercado de livros estava na outra livraria do grupo, esta na Travessa do Ouvidor, no mesmo dia; o menino de rosa está passando na frente de uma casa de janelas altas que fica na São Francisco Xavier. E o Belini (com “flores no cabelo”) estava onde sempre esteve: em frente ao portão do Maraca.

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