1 de setembro de 2010

Por Dandara Palankof
Além da minha identidade secreta de colunista da Zep, em minha “vida civil” venho trabalhando como mediadora do MAMAM no Pátio. Os assíduos três leitores talvez se lembrem de que o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães já foi tema da BdR quando de sua reabertura — e seu magnífico coquetel. Essa é a casa principal, que fica na querida Rua da Aurora. Estamos falando aqui de uma espécie de anexo.
O Pátio de São Pedro, já devo ter dito algumas vezes mas não custa repetir, fica no centro do Recife e é mais um de nossos (eu disse nossos? Uau, repatriei-me) pontos turísticos históricos. Em volta da Igreja de São Pedro, quase que isoladas do resto da cidade, estão as casas do século XVIII hoje ocupadas por instituições culturais da prefeitura e alguns bares. Uma delas, o MAMAM no Pátio, um espaço para instalações e… er… hum… performances. Mas eu ainda não peguei nenhuma, graças. leia mais…
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25 de agosto de 2010

Por Dandara Palankof
Me lembro razoavelmente bem das aulas de alguma longínqua série do ensino fundamental na qual aprendi o que era uma cidade dormitório, porque elas assim o eram, e como o tal fenômeno da conurbação transforma tudo em uma coisa só — e finalmente entendi São Paulo.
Como brasiliense (sim, por princípio me defino como cria do Planalto), tenho bem introjetado o conceito de cidade-satélite — apesar de sempre tê-lo achado estranho; mas agora a Wikipedia me disse que 1) as regiões administrativas do Distrito Federal brasileiro não podem ser separadas em municípios, e que 2) desde 1998 há uma lei que proíbe tais regiões de serem chamadas de cidades-satélite.
O que me fez pensar que realmente deixaram de me contar muita coisa na escola. leia mais…
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18 de agosto de 2010

Por Dandara Palankof
O comércio informal cresceu tanto que a pergunta não é mais se você compra em camelô, mas o que você compra em camelô. Que serviços, inclusive.
Esses dias, por exemplo, precisei de alguém que consertasse meu celular (comprado também num camelô, mas virtual). Me lembro de uma época em que só haviam duas marcas de aparelhos e suas autorizadas careiras. Ou lojinhas com ar de submundo cuja garantia era nenhuma. Agora, existem marcas aos quilos, uma invasão chinesa e um monte de gente que faz isso no meio da rua, no maior clima de feira. leia mais…
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11 de agosto de 2010

Por Dandara Palankof
(esta coluna é pra Mari, a pessoa mais rock n’ roll que eu conheço)
Algum tempo atrás, comentei brevemente sobre a efervescência que vez ou outra toma conta da Rua do Lima; cheguei a dizer que o lugar seria um forte candidato a “novo Recife Antigo”, no sentido de tomar o posto do bairro histórico enquanto agregador de multidões. Bom, talvez a coisa ainda esteja meio longe de acontecer nestas proporções, mas o movimento está firme e forte.
Mas, admito, a “modinha” (já que o termo da moda é esse) passou relativamente rápido entre os meus e passamos a freqüentar a tal rua com menos assiduidade — o que quer dizer que Flávio e Bebel, donos do Espaço N.AV.E. tinham como bordão “vocês sumiram” quando nos encontrávamos casualmente em outros lugares, já que era ali o nosso quartel-general.
(Pode ser que tenha havido um estranhamento inicial e puramente inconsciente da crescente lotação do lugar; quando conhecemos o N.A.V.E, ele havia sido recém-inaugurado e, por muitas noites, foi totalmente nosso. Havia o quê, uma sensação de acolhimento/recolhimento, talvez? O fato é que há tempos ele deixou de ser uma constante. Talvez seja hora de voltar, uma vez que já passamos a reclamar da rotina dos lugares que freqüentamos atualmente?) leia mais…
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4 de agosto de 2010

Por Dandara Palankof
Há alguns meses, Recife ganhou um Centro Cultural dos Correios. Fica lá no bairro do Recife Antigo, numa avenida que o Google me contou se chamar Marquês de Olinda. E até a segunda-feira retrasada, eu nunca havia botado os pés no lugar. E sem nenhum pudor admito que havia sido, durante quase todo o tempo, por pura falta de interesse — só havia tido vontade de ver uma única exposição (“Rico Lins – Uma gráfica de fronteira”), que acabei perdendo por displicência. Não me olhe assim, coisas de slacker.
Mas pois bem, eu tenho uma porção culturete, e tenho amigos envolvidos com teatro. Uma, em particular, de forma bem assídua — e eu acho ela boa, portanto, gosto de vê-la. Então, acabei pisando no Centro pela primeira vez para vê-la participar de uma leitura dramática dirigida por Lívia Falcão. O projeto, que seguiu-se por algumas semanas, com diferentes companhias, tinha leituras de textos do chamado “teatro do absurdo”; desta vez, tratava-se de “As relações naturais”, do gaúcho José Joaquim de Campos Leão (também conhecido como Qorpo Santo). leia mais…
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28 de julho de 2010

Por Dandara Palankof
1. INT. TÁXI. NOITE. DANDARA E MOTORISTA.
O táxi está parado em frente à uma loja de conveniências de um posto de gasolina, no começo da Avenida Conde da Boa Vista. Cai uma chuva fina. O posto está um pouco movimentado, mas a avenida está vazia. O MOTORISTA do táxi é um senhor moreno, calvo, de óculos e relativamente franzino. Espera pacientemente que DANDARA, no banco de trás, pegue o dinheiro na carteira para pagar a corrida. Ela usa uma saia na altura do joelho, camisetinha regata e um casaco; entrega a ele uma nota e algumas moedas e vira-se para sair do carro. É quando vê, pela janela, alguns grupos de pessoas subindo a avenida. A maioria dos homens usa bermudões e chinelos; alguns, bonés. As mulheres, calças e shorts jeans nitidamente menores que os números que realmente deveriam usar. A maioria de ambos usa a camisa da Torcida Jovem do Sport. Um grupo passa pelo carro. DANDARA engole em seco. Vira-se para o MOTORISTA.
DANDARA
O senhor poderia esperar só um instantinho, enquanto esse pessoal passa?
MOTORISTA
Claro.
DANDARA (olhando para a câmera, à sua esquerda)
Esse foi um medo adquirido. Geralmente, com certos limites, acho que me viro bem enquanto pedestre na noite recifense. Mas a Jovem é a torcida organizada mais temida da cidade. Desde que me mudei pra cá que meus amigos plantaram em minha mente a imagem de que, se eu saísse desacompanhada pelo centro da cidade em dia de jogo na Ilha do Retiro, eu fatalmente seria atacada por uma horda de seres usando essa indumentária amarela, balançando os braços em forma de asa e gritando “ú-ú, ajoviarrêa!”. Tenebroso. Coisa de remarcar aula por conta do jogo. Já escapei de uns dois arrastões, acho. Vamos torcer para esse ser o terceiro. leia mais…
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21 de julho de 2010

Por Dandara Palankof
A última ponte que cruzo no caminho para casa chama-se Governador Paulo Guerra — e a que faz o sentido inverso, ligando a Zona Sul ao centro da cidade, Governador Agamenon Magalhães, assim como a avenida que se apresenta mais à frente; mas enfim, todo mundo chama as pontes, de um lado ou de outro, simplesmente de Ponte do Pina e pronto. Esses nomes oficiais são mais uma dessas coisas que você descobre por acaso no Google quando tá procurando por outra coisa.
O que acontece é que, certa vez, lá estava eu atravessando a Ponte do Pina, janela de ônibus, fones de ouvido, aquela coisa toda. À direita, o velho e cansado Capibaribe, o mangue às suas margens e várias palafitas. Várias. Coisas que a escuridão da noite esconde quase que totalmente. Então percebo que há agora algo grande e luminoso se sobrepondo imponentemente ao breu, no meio de mais aquele pedaço de contraposição entre a natureza e a nossa natureza. leia mais…
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14 de julho de 2010

Por Dandara Palankof
Recife sofreu um pequeno rebuliço na semana passada: a invasão do tal Teatro Oficina Uzyna Uzona, ou simplesmente Teatro Oficina, do lendário José Celso Martinez Corrêa; também dá pra abreviar as coisas aqui e chamar o septuagenário simplesmente de Zé Celso. Tudo começou na semana passada (se você não viu ou não lembra, dá uma olhada no bolo da semana passada, que a validade ainda não expirou).
Já havia a curiosidade de ver o que a tal companhia mais famosa e anti-convencional do país, pelo menos era o que me diziam, ia aprontar. Ouvira falar várias vezes de Zé Celso e seu Oficina, de sua importância, sua inventividade e seu suposto caráter transgressor, da briga com o Sílvio Santos, mas não sabia muito bem do que tudo se tratava com certeza. Teatro não é bem meu forte. leia mais…
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7 de julho de 2010

Por Dandara Palankof
Se por vezes eu acabo não tendo sobre o que falar, mas a rotina acaba quebrada quando eu menos espero, há também o excesso se fazendo de contrário — quando o inesperado reina tirânico, sem dar voz àquele lacaio que lhe pede para colocar as coisas nos trilhos. O que significa basicamente que às vezes eu já tinha algo em mente para contar, mas o dia (ou a noite) se faz, de uma hora para outra, tão surpreendente, que quando eu chego em casa e me sento na frente do computador, já existe algo mais interessante e, provavelmente, surreal a ser relatado.
Como quando você está tranqüila, num simples happy hour no boteco de sempre com os comparsas que fazem parte da Família. O telefone toca, é alguém desgarrado, e lhe convence a descer para o Pátio de São Pedro (área quadrada, paralelepípedos, casas antigas e uma igreja enorme, bem século XVII, já comentei por aqui). A razão: Tigre Dentes de Sabre. leia mais…
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30 de junho de 2010

Por Dandara Palankof
Eu tenho que ser sincera, de vez em quando, e dizer que vez ou outra me falta assunto pra fazer essa coluna (sim, seus engraçadinhos, estou ouvindo vocês ironicamente dizerem “não diga!” enquanto lêem esta confissão — há semanas em que isso é vergonhosamente claro). Terça qualquer estou eu na frente do computador e não sei sobre o que discorrer: dificuldade que vez ou outra se faz presente, ainda que eu e o excelso (como ele gosta de ser chamado) Zé José tenhamos previsto isso.
Como qualquer ser humano normal (ou seja, pobre e razoavelmente sã), eu tenho uma rotina — infelizmente, não é sempre que há disponibilidade e/ou disposição para procurar pessoas novas, sensações novas, lugares novos, essas coisas que na maior parte do tempo assustam por conta do comodismo que lhe aquece o coração quando você pensa naquela mesma mesa de bar de sempre. Fora as vezes em que se tenta fugir da linha contínua e acaba-se fazendo, com ela, um nó.
Frustrante.
É por isso que eu ainda fico realmente surpresa quando algo novo acontece. Domingo, então, é quase como um combo de mais de 70 hits. leia mais…
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23 de junho de 2010

Por Dandara Palankof
Adoro a Rua da Imperatriz, já comentei isso? Ali pro final da Boa Vista, saindo da Praça Maciel Pinheiro e descendo até uma esquina com a Rua da Aurora, em frente à Ponte D. Pedro II (ou Ponte de Ferro, mesmo). Sempre que posso, faço meu caminho por ali. É uma das poucas ruas do centro, talvez de todo o Recife, cujo espaço para pedestres é não só amplo como exclusivo — ainda que ele acabe tomado também por ambulantes e anunciantes das lojas do local. Mas faz parte da graça.
O calçamento de pedras retangulares dispostas em mosaico monocromático e as multicores das camisetas dos rapazes e moças, microfones em punho para apresentar as ofertas imperdíveis. Doces de todo tipo, banca de jornal e tanta gente. Eu: cigarro aceso e Morrissey nos fones de ouvido. Sol nem tão quente, vou caminhando num meio sorriso leve da falta de pressa. leia mais…
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16 de junho de 2010

Por Dandara Palankof
Vejam só vocês como o tempo passa rápido. Quando virei pro lado, já fazia mais de um ano que ganhei esse espaço aqui na Zé Pereira pra dar minha visão de nativa estrangeira desta terra chamada Recife. Há pouco mais de 50 semanas (porque as vezes a vida se sobrepõe) que digo a sabe lá deus quem as coisas que me fazem amar e odiar essa cidade.
E pra comemorar, uma pequena lista de 50 coisas, mezzo boas, mezzo ruins, que esse monte de ilhotas tem, feita na base do brainstorm. Não necessariamente em ordem de importância. Algumas já comentadas, outras que talvez ainda sejam. leia mais…
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9 de junho de 2010

Por Dandara Palankof
Às vezes pode até parecer que a cena do rock independente de Recife está polarizada entre o pessoal que gosta de umas bandas fofas da escócia e desconhecidas da Suécia, e entre o pessoal que acha que é muito novo misturar sambinha com guitarra elétrica, além de jogar uns tambores aí no meio. Tem muito disso, sim; o suficiente até pra enjoar um pouco, vez ou outra. Mas não é só isso, não.
Pois bem, no mesmo dia em que o Camera Obscura veio tocar naquele hell hole chamado Nox e congregava aqueles que poderiam ser enquadrados no estereótipo do indie, um monte de bandas da(s) outra(s) vertente(s) se juntavam pra tocar no Armazém 14, lá no Recife Antigo. Um festival de dois dias, chamado A Noite do Desbunde Elétrico. Pura tiração de onda, mesmo. Começando pelo cartaz, que numa total e intencional falta de técnica no uso do Photoshop, encaixava rostos de integrantes das bandas participantes na capa do Sgt. Peppers. leia mais…
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2 de junho de 2010

Por Dandara Palankof
Meu maior medo, antes de começar a perceber o Recife, era que se caso eu um dia me mudasse pra cá, poderia ter uma violenta síndrome de abstinência de bons shows de pop rock. Isso quando eu ainda não conhecia direito o Abril Pro Rock, não sabia da existência do RecBeat, e muito menos do No Ar Coquetel Molotov. Deus os abençoe.
E desde que passei a ser uma “recifense praticante”, como diz a campanha da prefeitura (é, sério), a situação só melhora. Uma amiga, na ocasião do Abril Pro rock deste ano, comentou que a nossa trinca de ouro de festivais devia ser realizada bimestralmente. Seria realmente incrível. Enquanto nossos sonhos groupies não se realizam, as produtoras tem feito o possível pra deixar o calendário de shows mais interessante.
Tudo bem que ainda tenho uma certa mágoa por, só agora que saí de lá, Brasília começar a fazer parte da rota das grandes bandas internacionais (ao menos as que me agradam) — ter perdido The Hives, Muse e Franz Ferdinand ainda é algo que me faz torcer o canto da boca numa careta. Mas Recife vem correndo bem por fora; e falando em Franz, da Escócia, quem teve por aqui semana passada foram seus conterrâneos do Camera Obscura. leia mais…
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26 de maio de 2010

Por Dandara Palankof
Acho que nunca havia demorado tanto, mas finalmente começou a chover no Recife. Todas aquelas frente-frias resolveram dar uma passadinha por aqui também para abrandar o calor às vezes insuportável. Não que adiante muita coisa, mas é o máximo de inverno que o recifense conhece.
Naquela toada de “aquecimento global”, desde que me mudei pra cá o “outono” não demorava tanto a acontecer: dias se passavam e aquele céu azul, o sol inclemente sobre nossas cabeças. Nos jornais, parecia que chovia em todo o resto do país, o Nordeste cercado por “massas de ar frio”, e pra nós nada. leia mais…
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