25 de março de 2009
Cadê o Brasil?
BLOG, Cinema, Festival de Guadalajara 2009
Por Estevão Garcia
O que saltou os olhos na seleção da competitiva de ficção ibero-americana desse ano foi a escancarada ausência de filmes brasileiros. Não tenho de memória a lista dos filmes que competiram nas edições anteriores do festival, mas certamente esse é um fato novo. O que poderia explicar isso? Porque se na competitiva de ficção mexicana tiveram 50 filmes inscritos, o número de filmes brasileiros possivelmente foi maior do que isso. Digo possivelmente me baseando apenas no fato de que a produção cinematográfica anual do Brasil é superior a mexicana, o que não indica, absolutamente, que todos os filmes que foram feitos no Brasil no ano passado tenham se interessado em participar do Festival. Mas, o fato de que não exista nenhum filme brasileiro de ficção e que haja quatro documentários brasileiros na competitiva de documentário (em uma seleção de 14) é significativa e nos remete ao último Festival de Brasília. A seleção do Festival de Brasília do ano passado também foi diferente em relação aos anos anteriores. Ao selecionar mais documentários do que filmes de ficção a justificativa que foi encontrada por todos foi de que a produção contemporânea brasileira ficcional anda ruim das pernas. Mas, será que é isso mesmo? Será que existe mesmo uma grande diferença qualitativa ao compararmos os dois últimos anos com os últimos cinco anos? O único filme na competitiva de ficção que leva o nome do Brasil (o que não faz dele um filme brasileiro ou metade brasileiro) é a co-produção Brasil/Chile “Tony Manero” (Dir: Pablo Larrain, 2008, foto). A escolha desse filme é o que mais espanta, porque se não há nenhum filme brasileiro recente melhor que “Tony Manero” o cinema brasileiro está na maior e na mais terrível crise de toda a sua história.
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