6 de outubro de 2008
Cabeça a prêmio
BLOG, Cinema, Festival do Rio 2008
Por Eduardo Souza Lima
O sul do Pará é terra sem lei. No município de de Rio Maria, 14 pessoas estão com a cabeça a prêmio, devido a conflitos de terra envolvendo latifundiários e grileiros. E, como no caso da Irmã Dorothy Stang, as autoridades só costumam agir depois que é tarde demais. O padre Ricardo é um destas pessoas marcadas para morrer e há dez anos teve que fugir da região. “Esse homem vai morrer - Um faroeste caboclo”, primeiro longa-metragem assinado pelo documentarista e jornalista Emilio Gallo, é um documentário investigativo que pretende mostrar como se move esta engrenagem macabra. O filme tem sessões amanhã (às 17:30h) e quarta (às 12:30h, seguida de debate no Galpão da Ação da Cidadania), no Odeon, e na quinta, às 17:50h, no Estação Gávea 3.
Quem é esse homem que vai morrer?
Pode ser qualquer um dos personagens do filme, todos são ameaçados. Essa expressão era usada pelas pessoas na cidade para apontar um dos nomes da lista, porque todos sabiam quem estava para morrer.
Por que ele vai morrer?
Basicamente o conflito é pela terra. Fazendeiros de grandes terras, porém sem escrituras, de um lado, e pequenos agricultores, chamados de posseiros, de outro. Os escolhidos para as listas em geral são lavradores que tem um nível de conciência mais elevado e sabem que os fazendeiros não são donos da terra.
Quem vai matá-lo?
Pistoleiros a mando dos grileiros.
Quanto custa uma vida humana no Sul do Pará?
Depende da “cabeça”. Padre, por exemplo, custa cerca de R$ 30 mil, sindicalista, cerca de R$ 50 mil.
Você temeu por sua vida durante as filmangens?
Não… temi pela vida do padre Ricardo que estava voltando para a região depois de dez anos afastado.
Por que você usou cenas encenadas com atores?
Usamos a Dira que faz uma professora (que existiu na vida real), que passa anos escrevendo e denunciando a lista macabra. Ela conversa com o público como se estivesse em um gabinete de algum deputado. Ela aparece duas vezes. No fim do filme, 20 anos mais velha, ela continua pedindo ajuda, desta vez para uma outra cidade da mesma região, onde circula uma nova lista com 18 pessoas marcadas para morrer. Usamos ela para deixar marcado que o tempo passa, as histórias se repetem, e nada é feito.
Como arrumar dinheiro para fazer um filme desses?
Passamos quase quatro anos tentando uma verba para o filme. Apesar das inúmeras promessas, nada aconteceu. Os recursos vieram da própria produtora, e do apoio da Dira e do padre Ricardo que não cobraram nada para fazer o filme. Luciana Lopes, que fez um excelente roteiro final e de quebra, foi a responsável pela produção executiva. Sem ela não tinha filme.
Por que você quis fazer este filme?
Porque é uma história tão absurda, que contada parace ficção, mas a gente queria mostrar que é verdade.
De que filme você reservou ingresso antecipadamente neste festival?
De “O homem que engarrafava nuvens”, de Lirio Ferreira.
Um comentário para “Cabeça a prêmio”
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10 de março de 2009 às 9:09
Oi eu sou detetive, e tenho documentários sobre casos de moradores que mudaram os limites territoriais dos seus municípios.
Guardas municipais na luta por enquadramento.
E caça predatória.
Gostaria de me informar se vocês investem em trabalhos assim em revista.