5 de outubro de 2008
Banzai!
BLOG, Cinema, Festival do Rio 2008
GLÓRIA AO CINEASTA
(”Kantoku Banzai”, Takeshi Kitano, Japão, 2007)
Por Antônio Rogério da Silva
O mundo anda muito estranho nos últimos anos. E a razão não poderia ser outra: os críticos de cinema japoneses perturbaram tanto Takeshi Kitano que o resultado assumiu proporções apocalípticas. “Glória ao cineasta” é uma das comédias mais iconoclastas desde “O Bandido da Luz Vermelha,” (1968) do falecido Rogério Sganzerla (1946-2004) e depois dos vários títulos do Monty Python. Acusado de só saber fazer filmes de gângster e de atuar como um boneco, “Beat” Takeshi – como é mais conhecido entre seus patrícios – bem que tentou aliviar a mão. Para provar que também era capaz de realizar obras sensíveis, com o espírito mais elevado, escreveu, dirigiu, atuou e editou seu premiado “Fogos de artifício” (”Hana-bi”, 1997). Uma bela história que unia a força bruta dos policiais à ternura e introspecção oriental.
Durante uma década e uma dúzia de filmes depois, Kitano procurou diversificar sua temática sem o mesmo sucesso de crítica ou de público. “Kikujiro” (1999) lembrava até o sentimental e acadêmico “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles. Não se pode agradar a todos. Dessa vez não sobrou para ninguém, Ozu, Kurosawa, Aoyama e até o próprio Kitano foram alvos da sua sátira mordaz. Retomando a época das comédias televisivas chamadas banzai – esquetes geralmente encenadas em duplas -, “Beat” Takeshi atacou todos os ídolos do cinema japonês, incluindo seus admiradores, sem dó nem piedade. É o fim do mundo.
Quem mandou cutucar o homem?! Deixem Takeshi fazer seus filmes sobre a Yakuza – máfia japonesa – em paz. “Glória ao cineasta” é uma boa comédia para quem gostaria de fazer o mesmo e se vingar dos seus críticos mais chatos.
O filme será reprisado amanhã, às 20:15h, no Estação Barra Point 2, e na quinta, às 15:15h e às 23:45h, no Espaço de Cinema 3.
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