1 de fevereiro de 2010
As utopias perdidas da geração do Jabor
Por Arnaldo Branco
O Arnaldo Jabor deu mais um chilique contra a internet por conta de textos que circulam na rede escritos por outrem e atribuídos a ele. Engraçado porque o sujeito condena o meio pelo mau uso; seria como ver um filme dele e sair puto com o cinema.
Jabor aproveita o gancho para voltar ao velho papo da decadência da humanidade através do olhar da última geração que prestou, a dele. E volta a usar - sem crédito, ahá - a “revolução dos idiotas”, do Nelson Rodrigues, aquele levante silencioso dos medíocres, que antes conheciam seu lugar e que saíram das sombras quando se descobriram maioria.
Não sei se o cara parou para pensar que, quando Nelson escreveu isso, se referia à geração do jovem Jabor. Mas o tempo passou e os anos sessenta são hoje a Nova Academia. A principal herança conceitual dos colegas de turma do Jabor é que o Marcelo Madureira não pode dizer que Glauber Rocha é uma merda (ó, não concordo).
A tal da geração da contestação não admite ser contestada. Engraçado como lidam com a coletividade, esses velhos que tanto fizeram - é o que sempre gostam de repetir - pela democracia. Toda vez que leio um desses artigos sazonais, imagino o Freddie Mercury Prateado chegando bem pertinho do meu xará e perguntando: “tá com saudadinha, tá?”
Repare que Jabor se coloca sem nenhum medo da imodéstia entre “os inteligentes que deitavam falação”. Sobre deitar falação até concordo, mas aí: “Eu sei que eu vou te amar” é uma merda.
32 comentários para “As utopias perdidas da geração do Jabor”
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1 de fevereiro de 2010 às 13:10
[...] Jabor não foi do The Who, mas gosta de falar – bem - da sua geração. O xará Arnaldo Branco dá um toque sobre o ridículo desses recorrentes autoelogios. Leia aqui. [...]
1 de fevereiro de 2010 às 13:13
Nelson Rodrigues, de certa forma, tirava muito sarro dessa postura jaborística. Sobretudo quando cobravam, por exemplo, “alto nível” da programação televisiva.
Para responder, dizia que nossa população era formada por ARISTÓTELES, pois só isso explicaria a indignação com o que chamavam de “baixo nível”. E isso servia para ironizar gente como o então Jabor.
O mesmo que agora empresta expressão rodrigueana para tentar fazer troça com a geração mais nova.
Arnaldo Jabor está entre os melhores letristas de Rita Lee - contando entre todos os que também já dirigiram filmes e escreveram em jornais.
1 de fevereiro de 2010 às 13:15
Adorei seu post! O Jabor é muito radical e tá ficando cego, alheio a algumas coisas que estão acontecendo. Será que é porque ele voltou a filmar no ano passado (ou 2008, whatever) e ficou fora por um tempo? hahaha Quero só ver quando o filme novo for lançado, como ele se sairá com relação às críticas. “Tá com saudadinha, tá?”
1 de fevereiro de 2010 às 13:23
Bravo, Arnaldo! Jabor é um Willian Shatner sem noção. O próprio, pelo menos, tem autoironia. E “Eu sei que eu vou te amar” é, mesmo, uma merda.
1 de fevereiro de 2010 às 13:26
Arnaldo, vc é gênio <3
1 de fevereiro de 2010 às 13:28
arnaldo branco é amor!
1 de fevereiro de 2010 às 13:31
Bello, lembro que tinha um colega poeta na faculdade que andava com um caderno com frases de que gostava, uma delas “o desejo é a praça onde passeia a tua promessa”. Eu: “De quem é essa MERDA?”. Suspirou e disse: “De ‘Eu sei que vou te amar’”. Caso sério.
1 de fevereiro de 2010 às 13:39
Caraca! É ainda pior do que eu pensava…
1 de fevereiro de 2010 às 13:45
Pô, Arnaldo, o chilique do Jabor é antigão. Novembro do ano passado. Por que você ressuscitou o assunto agora?
1 de fevereiro de 2010 às 13:54
Porque o Jabor fez um re-chilique. Deve ser esclerose.
1 de fevereiro de 2010 às 14:46
Outra coisa que gostei no post: realmente, a geração do Jabor se acha “engajada”. Até transformaram isso num meio de vida… Se hoje não se dá mais tanta atenção à UNE e aos partidos de esquerda, é porque - dizem eles - as gerações seguintes são “alienadas” e tiveram sua consciência política “tolhida” pela ditadura. Besteira! A geração do Jabor fez muita merda e tinha uma utopia bastante autoritária. A galera que veio depois continua antenada, mas a política passa, hoje, por outros caminhos. Inclusive pela internet, que o Jabor tanto despresa. Ainda vamos ouvir - de novo - esses caras condenando a guitarra elétrica na MPB.
1 de fevereiro de 2010 às 14:57
Acho que é o caso do sujo falando do mal-lavado né? Concordo com tudo o que ele falou, exceto ao se posicionar como o último intelectual vivo do planeta Terra. A geração atual é alienada e superficial; A anterior, intelectualóide e acha que “derrubou a ditadura”; os que vieram antes fizeram a Guerra Fria; e antes, a 2a Guerra e por aí vai. Acho que tudo é merda, no final, e por isso eu vou encher a cara hoje e ver o replay dos gols do Mengão.
1 de fevereiro de 2010 às 17:13
um tanto dessa ranzinzice do jabor talvez não seja mais do que sintoma de senilidade. tipo minha avó, que reclama dos caixas automáticos dizendo que toda a pressa dos nossos dias não compensaram o desejo por mais agilidade das filas de ontem. as queixas do jabor geralmente falam mais de sua dificuldade antiquada de lidar com o mundo de hoje do que propriamente de problemas objetivos da contemporaneidade.
no fundo é um grande lugar comum de toda geração envelhecida quando passa a culpar o mundo por não ter se fossilizado junto.
1 de fevereiro de 2010 às 17:43
Arnaldo, eu concordo que não se deve criticar o meio pelo mau uso, é uma mentalidade conservadora e demodé. No entanto, pelo fato de ser brasileiro e observar mais o fenômeno da ignorância in loco, algumas peculiaridades devem ser relevadas, ao meu ver. A TV no Brasil tem uma força incontestável na função simbólica dos sujeitos, basta conversar com qualquer moleque de 10 anos e descobrir o quanto daqueles miolos foi formatado pelos raios catódicos. Acho que a internet no brasil ainda é meio que um ‘espelhamento’ interativo da TV. Um sistema avançado de troca de lixo e ignorância. Acho o Jabor um bom comediante, quando fala que o Brasil está afogado em miséria e tecnologia. É claro que os miseráveis não foram cooptados pela tecnologia, mas fica engraçada a discrepância entre a supremacia da técnica-tecnologia e a degradação das relações interpessoais nessas terras. O que não dá é pra encarar o Jabor como um intelectual, como uma classe média lunática faz por aí.
nunca devem ter lido um Hunter Thompson, um Mencken, ou até mesmo o Francis, que mesmo quando falava merda falava com propriedade.
1 de fevereiro de 2010 às 18:13
arnaldo jabor é um tremendo ,,,,, pois é,é isso mesmo que voce pensou,tô fora,abraços.
1 de fevereiro de 2010 às 19:40
Só posso concordar, e elogiar. Parabéns.
1 de fevereiro de 2010 às 19:54
Jabor deveria procurar tirar a teia das velhas estantes (talvez estas estejam mais em seus olhos) e dar um lida em “Apocalípticos e Integrados”.
Sempre fui a favor dos que contestam o “stabilishment” e o “status quo” para usar termos comuns à geração supramencionada.
É uma pena constatar que aqueles não são mais inteligentes do que os alvos de suas críticas.
1 de fevereiro de 2010 às 22:54
Bom pra caralho esse artigo.
Hoje o Jabor defende os interesses dos grileiros da Cutrale no espaço que tem no Jornal da Globo; a vida parasita desse merda é financiada por quem? Por quem?
E, realmente, “eu sei que vou te amar” é uma merda.
1 de fevereiro de 2010 às 23:17
Eu desconfio de todo texto atribuído ao Jabor que circula na internet. Inclusive esse aí.
2 de fevereiro de 2010 às 10:45
Putz, me torci de rir do “freddy mercury prateado”, hahahahahah
2 de fevereiro de 2010 às 13:43
No fundo, o Jabor é puto com o fato de lhe terem tomado a exclusividade de opinar. E fizeram isso de uma forma tão escrota que opinam como se fosse ele próprio, replicando textos que seguem a linha de indignação sarcástica que ele acha ter inaugurado.
Ele é puto mesmo é com isso e não com o sistema, a ideologia ou o futuro das cabeças pensantes desse país.
3 de fevereiro de 2010 às 17:23
“Não sei se o cara parou para pensar que, quando Nelson escreveu isso, se referia à geração do jovem Jabor.”
Rest my case.
4 de fevereiro de 2010 às 7:20
[...] Minha coluna Mal Necessário da semana: As utopias perdidas da geração do Jabor. [...]
4 de fevereiro de 2010 às 10:30
Issaí!
(…mas, Glauber Rocha É uma merda!
4 de fevereiro de 2010 às 10:56
GLAUBER E UMA MERDA MESMO MACONHERO DELIRANTE
4 de fevereiro de 2010 às 16:29
Essa foi a coluna Mal Necessário que eu mais gostei, até hoje. E olha, que eu leio toda semana. A idéia do Freddie Mercury Prateado é consoladora.
4 de fevereiro de 2010 às 20:56
“eu sei que vou te amar” é uma merda mesmo…
4 de fevereiro de 2010 às 21:11
PARA ESSE DESENHISTA DE MERDA E SEUS FÃS PUXA-SACOS: “QUEM DESDENHA QUER COMPRAR”.
5 de fevereiro de 2010 às 1:20
[...] Revista Zé Pereira» Arquivo do Blog » As utopias perdidas da geração do Jabor http://www.revistazepereira.com.br/as-utopias-perdidas-da-geracao-do-jabor – view page – cached O Arnaldo Jabor deu mais um chilique contra a internet por conta de textos que circulam na rede escritos por outrem e atribuídos a ele. Engraçado porque o sujeito condena o meio pelo mau uso; seria como ver um filme dele e sair puto com o cinema. See all Top 5K for revistazepereira.com.br [...]
5 de fevereiro de 2010 às 11:44
A culpa é do cinema mesmo. Inventaram essa máquina de idiotice e agora a humanidade tá aí, toda fudida. Televisão, Cinema: lixo. Desvirtuação da vida. O mundo deveria ter acabado na era Vitoriana, esse sim um tempo maravilhoso, nobres galalaus trocando impressões sobre a pureza da vida, a música, a pintura, a escultura… Os sabiás e os leprechauns passando de um lado pro outro, reafirmando aquela aura mística da common decency britânica. Ai que saudades do Plínio Salgado…
15 de fevereiro de 2010 às 9:13
Não sei Arnaldo, acho que dessa vez me parece que você teve tanto ímpeto em exaltar as falhas do Arnaldo quanto Arnaldo teve em tentar denegrir o meio pelo seu conteúdo. De qualquer forma, talvez tenha sido ingênuo, mas não vi tanta auto-afirmação assim por parte do Jabor, vi bastante crítica e algumas desmedidas… mas isso também se encontra no seu texto.
Tá tudo errado, desde os “intelectualóides” da internet, quanto os “idiotas” da internet.
I.
17 de fevereiro de 2010 às 22:28
a liseira crônica do arnaldo o transformou numa paródia dele mesmo.