12 de janeiro de 2009
Alma do negócio, bunda na janela
Por Arnaldo Branco
Quando o Zeca Pagodinho desistiu de fazer propaganda para a Nova Schin por uma proposta da sua cerveja de coração, Brahma, uma discussão, digamos assim, ética surgiu na mídia. O sambista teria sido mau-caráter por não ter cumprido o cronograma da ação publicitária?
Acho que não: se contratos de publicidade fossem uma formalização do Sagrado, não teriam cláusula de recisão. Um arranjo desses prevê que uma das partes desista durante sua vigência, e permite que o contratado de repente se dê conta que, na verdade, Nova Schin é uma merda - de acordo que pague uma multa. Nunca o óbvio custou tão caro.
Mas nem todo mundo pensou assim. Um sujeito chegou a me dizer que a carreira do Zeca estava acabada, e eu realmente gostaria de lembrar quem foi mesmo o cara que mandou essa para cobrar dele a profecia ridícula. Um blogueiro famoso (oxímoro) chegou a escrever que quem não condenasse a atitude era um CANALHA, CANALHA, CANALHA - assim, em maiúsculas e no repeat.
Não tenho nenhuma bronca da publicidade porque ela mente ou exagera descardamente. Faz parte do seu arcabouço estrutural: há um pacto de suspensão da descrença com o público para legitimar sua mensagem, que nem os filmes do 007. Todo mundo sabe que nenhuma mulher jamais olhou duas vezes para um cara na rua por causa do seu desodorante, assim como é evidente que o smoking de um agente secreto que escala um prédio eventualmente vai ficar amarrotado - mesmo que o cara seja britânico.
Mas essas pessoas que reagiram contra o Zeca parecem acreditar na mentira a ponto de se sentirem lesadas, como se fossem intimamente atingidas, ou acionistas da marca. Devem achar que, enquanto durou o contrato, a Gisele Bündchen usou mesmo roupas da C&A.
Lembro de um publicitário que foi perguntado sobre se faria propaganda de cigarro´, e respondeu: “só fiz uma opção ética na vida, que foi cursar publicidade”. A publicidade existe em um Universo Moral particular e não se trata de condenar a prática, mas de entender o seu contexto - e deixar os abusos para o CONAR.
A propaganda é a alma do negócio, reza a velha pérola do pensamento liberal. Que bom que existe uma.
8 comentários para “Alma do negócio, bunda na janela”
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12 de janeiro de 2009 às 16:20
[...] Branco tem algo a lhe dizer. Leia aqui. E amanhã é dia de Fotodiário celular [...]
13 de janeiro de 2009 às 7:48
Oxímoro é o máximo!
E a frase deste publicitário merece ficar registrada no wikiquote!
13 de janeiro de 2009 às 8:15
ontem, em conversa com o zé, ontem, uma frase do j. l. borges: na nossa época erámos ingênuos. comprávamos um produto porque o fabricante dizia que era bom.
13 de janeiro de 2009 às 15:18
[...] Cartum genial do Jaguar para anunciar minha coluna Mal Necessário, toda semana na Zé Pereira. Hoje: Alma do negócio, bunda na janela. [...]
15 de janeiro de 2009 às 16:11
CANALHA,CANALHA,CANALHA!
16 de janeiro de 2009 às 18:02
Lembro de uma figura que disse que a carreira do Zeca ia pro buraco, que era anti-ético e tal. Como se existisse fidelidade à marca de cerveja ou ao publicitário - e o cara nem bebe. O Pedro Só estava no papo - e você sabe que ele beeeeebe.
Um abraço,
Marsiglia
23 de janeiro de 2009 às 2:13
brawndo é aquela bebida do Idiocracy né? kkkkkkkkkkkk
eu me lembro dessa polêmica do Zeca, é tipo um tapinha na carona da publicidade, mas ninguém percebe essas coisas. O Zeca Pagodinho é um cara ganancioso e desleal por não ser fiel a uma marca de cerveja. Hahahahaha.
27 de abril de 2009 às 9:35
OI OBRIGADO POR ESTÁR NESTA REDE DE NEGÓCIOS, NÓS DA FANTASY PRODUÇÕES E ESTAMOS LHE OFERECENDO A SEGUINTE OPORTUNIDADE:
1 – TER SEU DVD-AULA OU TÉCNICO, FILMADO E EDITADO.
2 – TER SEU DVD COM 100 CÓPIAS PARA COMEAÇAR SEU NEGÓCIO SEU DVD SERÁ ENTREGUE COM RÓTULO, ESTOJO E CAPA TUDO COLORIDO.
3 – TER SEU DVD COM REGISTRO NA AGENCIA NACIONAL DE CINEMA PARA NÃO SER PIRATA E VOCÊ NÃO ACABAR PRESO
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6 – NÃO FORNECEMOS LOCAIS DE LOCAÇÃO PARA FILMAGENS NEM, FIGURANTES , NEM MAQUIADORES, TUDO É COBRADO EM SEPARADO.
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MSN: fantasyproduceções@hotmail.com
TELEFONES: 21- 2262-8118 /// 34744038 /// 88998130 ( RIO DE JANEIRO)