27 de outubro de 2008
A vigência dos nerds
Por Arnaldo Branco
Fui uma criança relutante. Nunca gostei de ser tutelado, um ser humano sem as prerrogativas da espécie. Ficava me perguntando “quando a ação vai começar”? Nem pensava no queria ser quando crescer: adulto já era suficiente.
Portanto vejo com espanto a tendência de toda uma geração em negar o término da infância. Falo desse modus vivendi que implica em estudar e debater subproduto de cultura pop como se fosse teologia e nunca deixar a casa dos pais; acho que podemos chamar de nerd.
Nem é porque nunca curti muito ficção científica, quadrinhos de super-herói ou achocolatados, mas por uma questão de prioridades: gosto muito de sexo para abraçar um estilo de vida em que aparentemente não desempenha papel muito importante.
Digo “aparentemente” talvez porque seja da época do nerd de raiz, do nerd de várzea, do nerd moleque, que era basicamente um sujeito que estudava ao invés de ir a festas e não o público-alvo principal de toda campanha destinada a, aham, jovens adultos. Talvez seja o conservadorismo disfarçado dos anos 00 o responsável pela popularidade da figura, uma forma embutida de difundir o celibato.
Por descuido da organização de alguns eventos, já participei de mesas sobre quadrinhos que não de humor, cheios desses tipos que decidem o futuro comercial de um blockbuster se não curtirem a cor da sunga do herói no trailer. O termo cultura inútil adquiriu um novo significado pra mim.
Estou pensando em começar uma campanha: Adolescente - saiba quando parar.
7 comentários para “A vigência dos nerds”
Deixe um comentário
- A sedução dos inocentes
- Report as spam
- Exclusão analógica
- Ah, a Globo
- Mania de vítima
- As utopias perdidas da geração do Jabor
- Trash kosher
- Falta de ambição
- A esquerda séria
- Eu só estava cumprindo ordens
- Minha lista de melhores do ano
- Vai ver que é pelas crianças
- Licença poética
- O inferno são os outros
- Silêncio na favela
- O sucesso não acontece por acaso
- Deixem o erotismo em paz
- É sobre a Rússia
- Qual é a moral dos moralistas?
- Vendido!
- O A e o Z
- Indignação pautada
- Saudades da direita cínica
- Como é cruel cantar assim
- O uso correto da liberdade de expressão
- Humor: como reconhecer
- Descuido
- Retroceder nunca, render-se jamais
- Chega de perdão
- What’s so funny about peace, love and understanding?
- O que aprendi com a coluna da semana passada
- Vítima da sociedade
- Baixo elitismo
- South american way
- Inimigos da internet
- Vaidade autoral
- Não me inveje, trabalhe
- Unidos lamentaremos
- As agruras do fracasso
- Informação privilegiada
- A pureza da resposta das crianças
- A cultura do carão
- Rota de fuga cheia de encantos mil
- Dadinho é o caralho, meu nome é Michael Corleone
- Vivendo em negação
- Picareta na estátua
- Tragam-me a cabeça de Diogo Mainardi
- Francamente, Adriano
- Indignação seletiva
- O mito do humor inteligente
- Advertisement biatches
- Fatalismo em arte
- Teoria do co-autor
- Por um punhado de ordens de pagamento
- Estado de Graça
- Teoria do autor
- Larica total
- Fase de crescimento
- Calabocracia
- Tempos difíceis para um Stalinista
- Alma do negócio, bunda na janela
- Era mais jogo se eu tentasse fazer charme de intelectual
- Isto era Hollywood
- Parem de formar o público leitor
- A banalização da misantropia
- Gossip world
- Gentileza gera gentileza
- Ridendo castigat mores?
- Consciência culpada
- Fome F.C.
- A grande ameaça amarela
- A vigência dos nerds
- O último tango na praça Paris
- O ataque dos telepatas assassinos
- Concorrência desleal
- A morte do sapo
- Disposição contrária
- To be or to appear to be, that is the etc etc
- Kill kill kill the poor
- As portas da percepção
- Home of the brave, land of the free
- Patrulha de Elite
- A questão do conteúdo
- A inteligência em mãos erradas
- O Brasil é um país sem o que mesmo?
- Coleção Primeiros Passos: O que é Didatismo
- Humor anal
- Um mundo de possibilidades
- O Homem superando os meus limites











28 de outubro de 2008 às 12:55
[...] 2) Minha coluna na Zé Pereira: A vigência dos nerds. [...]
28 de outubro de 2008 às 13:21
se fosse o VL diria: o “nerd-nerd”, estilo Odvan, bola pro mato que jogo é de campeonato …
bons tempos, o que nos anos 80 e 90 eram exceções hoje são regras !
nerd-garoto-velho-cool de 32 anos, mora com a mãe, come hot pocket, usa all star, cabelo espetado com gel, aquelas camisas de mangas comprimdas que parecem ter uma de manga curta por cima … que beleza !!!
28 de outubro de 2008 às 17:44
Cita nomes!!!! hahah!
um abraço
29 de outubro de 2008 às 16:35
Aparentemente! Nerds são gatos de Schrodinger. É impossível saber com certeza. Traduzindo, nerds são os seres mais come-quieto do mundo. A escassez de filhos de nerds talvez contribua pra essa impressão, mas é porque o dinheiro do emprego em TI vai todo pra bonequinhos, encadernados, DVDs…
30 de outubro de 2008 às 9:05
Sou um daqueles nerds “sujeito que estudava ao invés de ir a festas”.. e o que acontece é que toda essa onda de “nerd is cool” é que fez surgir o tipinho descrito por você e reconhecido por aí como nerd. Contudo, ser craque em cultura pop e só não conta. Não é nerd, não é CdF.
Ainda prefiro estudar a ir a festas, mas tb “gosto muito de sexo para abraçar um estilo de vida em que aparentemente não desempenha papel muito importante”
Aliás, tenho 30. E não moro com mamãe.. e nem sou casado. hahahaha
2 de novembro de 2008 às 15:42
Uma coisa não exclui a outra. Dá pra fazer sexo e discutir gibi ao mesmo tempo. Talvez antes não desse, mas…
Não sei, quando “cultura pop” e “nerdismo” passaram a significar “comprar bugigangas modernas” eu decidi me afastar do movimento.
31 de dezembro de 2008 às 13:05
Simone acho q você errou nessa analogia sua:”Traduzindo, nerds são os seres mais come-quieto do mundo’. Nerds não comem ninguém. Sonham com a Sylvia Saint e já viram todo tipo de pornografia pervertida do universo, mas não comem ninguém. Os come-quieto são aqueles caras que comem, mas ninguém fica sabendo por que eles são discretos e tal. Nerds não são come-quieto.