30 de abril de 2009
A turma é mesmo tosca
BLOG, Cine PE 2009, Cinema
Pasmem: quem roubou a cena na terceira noite do XIII Cine PE foi LDU x Sport
Texto: Dandara Palankof
Fotos: Rose Lima
Pensei que seguiríamos a mesma rotina da noite anterior; que as esperanças de novidades só se renovariam na noite de quinta-feira, véspera de feriado e que poderia pelo menos lotar um pouco mais o lugar. Tudo começou já se esperava: a fila pequena, a praça de alimentação cara, o hall do jabá parado e desinteressante, a sala ainda se enchendo ao início da sessão. Sensação totalmente enganadora. A maior surpresa ainda estaria por vir. Não que ela fosse boa.
Graça Araújo (não, não vou falar do vestido dela hoje), como de praxe, adentrou o palco após a sempre tediosa apresentação dos spots de patrocinadores, apoiadores e afins. Como sempre, chamou um por um os realizadores dos curtas-metragens para apresentarem seus filme. Tudo como dantes no quartel de abrantes, diria minha mãe.
Mas como o primeiro curta, “Artilheiro do Meu Coração”, era sobre futebol (alguém aí conhece Ademir “Queixada” de Menezes?), não dava pra ficar sem a paixão. Subiram ao palco os diretores Diego Trajano, Lucas Fittipaldi e Mellyna Reis; e aí, além do já clichê discurso sobre o resgate da memória, que nós, brasileiros, insistimos em deixar se perder, ainda teve:
— Futebol e cinema podem andar juntos, sim! Não tem nada de brega!
Esse menino deve ter ouvido muita gracinha de jornalista pedante de oclinho quadrado (o filme é resultado de um TCC). Mas anda mal informado, já que filmes envolvendo futebol são cada vez mais comuns; O documentário “Fiel”, de Andrea Pasquini, por exemplo, recentemente entrou em cartaz no circuito comercial. O problema mesmo é que tudo isso acabou com o melhor das apresentações, nas últimas duas noites: o fato de os realizadores serem sucintos em suas apresentações e deixarem histórias, emoções e apresentações para quem quiser ouvir na coletiva do dia seguinte. Na sessão, o que importa é o filme.
Foi aí que Graça resolve dizer que Sport e Náutico, os maiores times da terrinha, estariam passando por jogos importantes naquela noite. “Que nada a ver dizer isso aqui”, pensa a incauta signatária deste texto. Daí ela diz algo mais baixo, que não consigo entender. Algo terminando com “ão”. Deixei pra lá. Não devia ser nada importante.
Logo depois, os outros diretores voltaram a ter bom senso e apresentaram suas obras rapidamente, como convém ao evento. Começa então a sessão, na sala às escuras. Quer dizer, na maior parte do tempo. Porque a incrível equipe do Canal Brasil chegou e teve a idéia mais incrível ainda de ligar refletores em nossas caras, vez ou outra, pra fazer tomadas no meio das exibições. Assim, no meio da sala. Sem nem ao menos procurar um ângulo que não atrapalhasse os espectadores. Mas isso? Fichinha. (continua aqui)
Acaba que o Ademir “Queixada” de Menezes foi também jogador do Sport. Daí as coisas parece que se misturaram, a emoção de um jogo que não valia nada (LDU x Sport) brotou na garganta de algum boçal, e vocês sabem como é consciência de massa, né? Pois é. Quando um berra, todos berram. E aí:
“Pelo Sport nada?
Tudoooooo!
PELO SPORT NADA?!
TUDOOOOOOOO!
Então como é que é e pra sempre será?!
CAZÁ! CAZÁ! CAZÁ, CAZÁ, CAZÁ!
A TURMA É MESMO BOA!
É MESMO DA FUZARCA!
SPORT! SPORT! SPOOOOOORT!”
Foi isso mesmo. O outro filme começando e a platéia mais cretina com a qual já tive o desprazer de dividir uma sala berrando o grito de guerra de um time de futebol, desrespeitando o realizador da obra seguinte e aqueles (poucos, pelo visto) que estavam ali pra ver os filmes, e só. E depois alguém ainda tenta puxar um grito de guerra do rival! A sensação foi que os cérebros das pessoas haviam escorrido e elas tinham voltado a um estado primitivo tribal.
Sim, eu quero mais é que a platéia se manifeste, sempre friso que a mecanicidade da audiência pernambucana me dói. Mas quero que se manifestem quanto AOS FILMES! E sem essa de que estava inserido no contexto: o personagem supera os times pelos quais passou. E mesmo que quisessem ceder ao enorme desejo de exaltar seu clube, o que não compreendo como num ser racional pode ser superior a tudo o mais que o cerca, que o fizessem rápido! Todos sabem que os curtas são exibidos imediatamente um após o outro. É demais esperar que as pessoas percebam que aquele é um momento importante pro realizador, e que o mínimo que você pode fazer, uma vez dentro da sala, é PRESTAR ATENÇÃO?
Após o surto, todos viraram os robôs de sempre e as outras exibições transcorreram sem problemas (com exceção de um animal que ainda devia pensar estar na maldita Ilha do Retiro e meteu a mão na frente do projetor). Para minha surpresa, a sala agora estava cheia como me acostumei a vê-la, com várias pessoas sentadas ao longo das escadas, ou mesmo de pé, atrás das últimas fileiras. Iniciado o intervalo, a saída congestionou-se um pouco pela primeira tietagem do ano: Cássio Gabus Mendes, jurado da mostra de longas-metragens, posava para várias fotos, enquanto eu me perguntava se o cara que fez “Se Eu Fosse Você 2” poderia julgar o que quer que fosse.
E lá fora que me dei conta de que a situação era bem pior do que eu imaginava. O hall do jabá estava lá, com sua movimentação monótono-habitual. Mas olhei para o lado e vi, meu Deus, eu vi, e me dei conta da palavra com “ão” que Graça Araújo, vestida de pé de alface (ah, pronto, falei), havia pronunciado. Era “telão”. Haviam montado um telão na praça de alimentação (rima involuntária). E nesse telão, ali, no meio da praça de alimentação do maior festival de audiovisual da região Nordeste, que aspira a ser um dos maiores do país, que arrotou a vinda do ícone Costa-Gavras, que já havia me dado presentes como “Árido movie”, estava sendo transmitido LDU x Sport. Com um enorme público em sua frente. E, vim a saber, a pedido dos próprios Bertini.
Então, veja bem: você pode perguntar qual é o problema, já que os gritos ensandecidos que vieram de lá durante as duas horas seguintes não atrapalharam a exibição dos longas-metragens (dois, ontem: começou a Mostra Pernambuco); o isolamento acústico do Teatro Guararapes garantiu isso. Que quem não quisesse ver os filmes e se incomodasse com o barulho, que fosse jogar Speed Racer no hall do jabá ou fosse pra casa.
Mas a meu ver, aquilo ainda é um festival de cinema. É nos festivais que nasce o cinema autoral. É neste ambiente que devem ser estimulados a convivência de estudiosos, profissionais ou simplesmente fãs de cinema, para que haja a troca de idéias e a busca de soluções para os problemas que a produção do audiovisual encontra em seus meandros. Não basta reservar salões de hotéis e fazer alguns seminários, quando é na efervescência e no calor das exibições que nascem contatos, propostas e visões. Desvirtuar este ambiente e transformá-lo no emulador de um boteco de esquina é negar esta oportunidade àqueles que ainda vêem nos festivais uma alternativa à produção massificada e ao cinema de multiplex. E mesmo que o Cine PE tenha problemas com seu público e que suas seleções volta e meia sejam criticadas, ele ainda é realizado e visto por todos como um FESTIVAL DE CINEMA. E assim deveria ser defendido por seus produtores. E não ter um “Cazá! Cazá! Cazá!” puxado pela própria Sandra Bertini.
19 comentários para “A turma é mesmo tosca”
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5 de maio de 2009 às 18:03
Sou torcedor do Sport, mas concordo com seu texto. Foi um erro o telão com a transmissão do jogo, um desprestígio à proposta do festival aos ralizadores dos filmes. Até aí tudo bem.
Mas: “A sensação foi que os cérebros das pessoas haviam escorrido e elas tinham voltado a um estado primitivo tribal.”
Sem essa, meu caro rapaz. Você estava de cabeça quente e deve ter sentido o SEU cérebro escorrendo. Afora a gafe antropológica de associar tribosXprimitivasXsem cérebro, algo já superado desde o século passado, você claramente se coloca acima de um público evidentemente adorador de futebol, que se dispôs é pegar um cinema, mas que foi chamado para sua paixão pela própria produção. Era quase um convite protocolar do evento que essa euforia tomasse conta da noite, visto que eles mesmos (os produtores) armaram o circo.
Muito cuidado na hora de julgar, tanta arrogância tira o mérito da justa crítica ao evento. Futebol não é uma manifestação menor do que cinema ou teatro na sociedade, tudo isso se cultua e tem seu espaço na sociedade: como você bem tentou mostrar.
5 de maio de 2009 às 18:14
13 de maio 1905 dia divino em que Guilherme de Aquino reune no Recife ardentes seguidores, fundando esta naão de vencedores. Que encanta enobresse e dá prazer, SPORT SPORT uma razão para viver.
5 de maio de 2009 às 18:19
São gerações e campeões fazendo a história, são emoções e corações tecendo a glória. Do bravo leão da ilha, sport obseção que faz bater mais forte o coração. Torcida mais fiel não pode haver. SPORT SPORT UMA RAZÃO PARA VIVER!
Meu e-mail é: 01joao@gmail.com
Se quiser o hino por mp3 eu te passo!
PELO SPORT TUDO!
5 de maio de 2009 às 18:21
você é muito otário, nunca vi uma pessoa se achar tanto!
5 de maio de 2009 às 18:22
CAZÁ CAZÁ CAZÁ CAZÁ CAZÁ
A TURMA É MESMO BOA
É MESMO DA FUZARCA
SPORT,SPORT SPOOOOOOOOOOOOOOOOOORT!
PARA DE RECLAMAR
SPOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORT RUMO A DUBAI
5 de maio de 2009 às 18:33
Oi, sou torcedora do Sport.
acredito que foi um erro grotesco da realização do evento colocar o telão, e foi igualmente errada a manifestação dos torcedores.
assim como voce, também considero um desrespeito o que fizeram, atrapalhando a exibição dos filmes.
apenas meça suas palavras. concordo com o Rafael aí embaixo: “Muito cuidado na hora de julgar, tanta arrogância tira o mérito da justa crítica ao evento. Futebol não é uma manifestação menor do que cinema ou teatro na sociedade, tudo isso se cultua e tem seu espaço na sociedade: como você bem tentou mostrar.”
5 de maio de 2009 às 18:34
aí em cima*
5 de maio de 2009 às 18:34
ariano suassuna na literatura,alceu valença na musica,chico science no experimento,joão cabral de melo neto na memoria e SPORT CLUBE DO RECIFE no futebol…
eles engradecem pernambuco
a fase atual do sport é inedita
ei meu caro e mal humorado rapaz.preste atençao;
NUNCA,EU DISSE NUNCA HOSTILIZE A TORCIDA RUBRO NEGRA
nos somos uma força nesse estado
pense nisso e te mais…
5 de maio de 2009 às 18:35
Realmente é a torcida mais chata do Universo.
5 de maio de 2009 às 18:38
Sou torcedor do Sport e tenho de concordar contigo. Isso é idiotice. Nem sei qual foi o filme que passou em seguida, mas seus idealizadores e produtores mereciam respeito.
5 de maio de 2009 às 18:45
Quem é voce? nunca ouvi falar no seu nome.
Acho que o unico ser desprovido de inteligencia e que tem uma certa proximidade ao homem primitivo é você! Se fosse o hino do Flamengo todo mundo tava elogiando. Antes seja alguma coisa para poder falar de alguém, porque como eu ja disse: Você é ninguem!
Por que com esse senso de humor, você vai ser ninguem pro resto da vida! Concordo que ali nao é lugar para ser transmitido o jogo e tals. Mas você é muito arrogante e sem educação!
Respeite as pessoas, por que você não é nada demais!
5 de maio de 2009 às 19:05
Sem cérebro é a senhora sua mãe, caro amigo. Meça suas palavras ao falar do glorioso SPORT CLUB DO RECIFE. Se você tiver o mínimo de dignidade, respeite os amantes do futebol. Ser um cinéfilo não é mais importante do que ser um torcedor.
Espero que sua próxima crítica seja menos afeminada, embora eu considere isso um tanto quanto difícil..
5 de maio de 2009 às 19:13
Sim, pedantismo! Quão mais consciente é ter orgasmos com filmes cults que julgar “ententer” a ter com o hino de guerra do seu time?
Falta muito o que provar ainda pra poder ser tão arrogante… alguns dos mais notáveis intelectuais são mais simples na vida do que as duas primeiras linhas do seu texto.
Paciência…
5 de maio de 2009 às 19:14
Sim, pedantismo! Quão mais consciente é ter orgasmos com filmes cults que julgas “ententer” a ter com o hino de guerra do seu time?
Falta muito o que provar ainda pra poder ser tão arrogante… alguns dos mais notáveis intelectuais são mais simples na vida do que as duas primeiras linhas do seu texto.
Paciência…
5 de maio de 2009 às 19:33
Sou uma torcedora “rocha” do Sport.
Mas confesso que tenho que concordar com você em partes. O famoso grito de guerra do Sport deve ser incontestavelmente aceito, desde que não atrapalhe o objetivo principal. Se ele foi feito logo após o filme, acredito que não tenha atrapalhado (já que ainda tem os créditos e a pequena apresentação do outro filme). Até porque essa é uma manifestação de amor ao clube, e qualquer manifestação deve ser aceita. A liberdade de expressão, teoricamente, está aí.
Agora, realmente concordo que foi uma falta de respeito o telão do jogo. Pois eu, faltei esse dia no Cine-pe para ver o jogo, aqueles que estivessem interessados em vê-lo deveriam fazer o mesmo. Aquele local era para exibição de filmes, encontro com a função da divulgação do cinema, não do futebol. Iria prejudicar o público dentro do teatro, o que seria uma falta de respeito com o gigante trabalho dauqeles que estavam engajados nesse projeto.
Enfim, para finalizar devo dizer que torcedor do Sport é chato mesmo! Não existe torcida mais chata… nem apaixonada!
SPORT, pra sempre serás meu amor!
Obs: 2 x 1 hoje!!
5 de maio de 2009 às 19:52
Pelo Sport nadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Pereira quem?
5 de maio de 2009 às 20:03
Quanta babaquisse. Quanto recalque.
Lamentável o texto.
6 de maio de 2009 às 12:27
Fossem vocês menos fanáticos teriam ao menos percebido que quem assina o texto é uma mulher. Enfim…
6 de maio de 2009 às 12:37
Eu acho que torcedor do Sport não sabe ler direito.