1 de junho de 2009
A pureza da resposta das crianças
Por Arnaldo Branco
O mais engraçado dessa história dos livros inadequados adotados pela Secretaria de Educação de São Paulo é o que os reponsáveis pela cagada declararam, depois do flagrante, que crianças não têm discernimento para decidir o que é certo e errado quando lêem um texto de ficção. Examinando o episódio, parece que os adultos também não.
Bem, é claro que os adultos em questão a) não leram os textos que indicaram, o que não seria de se estranhar porque uma das diferenças entre adultos e crianças diz respeito à liberdade para não cumprir obrigações b) leram e não entenderam, o que engrossa os índices de analfabetismo funcional entre os membros dos primeiros escalões.
Mas não vou gastar esse texto para insinuar o que todo mundo já disse. Na verdade essa coluna sai em defesa das criaturas mais subestimadas da face da terra, as crianças. Sei que isso vai parecer irresponsável, mas acho que qualquer moleque pode ler os palavrões e os maus conselhos dos livros aprovados pelos subsecretários analfabetos sem problema algum.
Aprendemos muito cedo que os livros mentem. Graças a um irmão que não quis seguir o código da omertá que os mais velhos devem respeitar quando descobrem sobre a inexistência do Papai Noel, desde os quatro anos aprendi sobre o materialismo do mundo e de onde vêm os presentes (os bebês, só dois anos depois). Mas Papai Noel continuou existindo até bem mais tarde nos livros infantis que não conseguia mais levar a sério.
Qualquer pirralho sabe que não dá para aceitar o nonsense que os que a literatura - para público infantil ou adulto - tenta empurrar. E diferente dos adultos, crianças não tomam o que está publicado como verdade absoluta, e muito menos que alguma coisa é letra de lei só porque foi impresso.
Lamento informar aos pais que essa relação de causalidade só faz sentido para o tipo de adulto que confunde autor (ou ator, se acompanha novelas em vez de ler) com personagem - ou seja, o retardado arquetipal que não deve servir como educador e nem de base para o resto da sociedade.
O grande problema em relação a leitura é outro. Crianças têm discernimento sim, o que elas geralmente não têm é interesse.
9 comentários para “A pureza da resposta das crianças”
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1 de junho de 2009 às 17:38
[...] Qualquer criança sabe disso: escreveu, não leu, o pau comeu. É o que nos conta Arnaldo Branco em sua coluna de hoje. Leia aqui. [...]
1 de junho de 2009 às 23:00
Pena que as crianças nem devem estar se tocando dessa polêmica toda. Leitura proibida que é a mais gostosa…
2 de junho de 2009 às 5:33
[...] Minha coluna Mal Necessário para a Zé Pereira: A pureza da resposta das crianças. [...]
2 de junho de 2009 às 10:28
O link do primeiro parágrafo não está conduzindo a nenhum lugar.
2 de junho de 2009 às 10:40
Está errado, mas é só copiar o link e corrigir na barra de endereço do browser.
2 de junho de 2009 às 11:03
Agora, graças à Wikipedia, o Papai Noel deve ter morrido de vez mesmo…
2 de junho de 2009 às 11:20
mandou ver bem arnaldo! aprendi isso tudo desde cedo com os métodos educacionais paulo allemand, onde “criança não tem gosto, portanto coma!” e “matematica é bom e vc vai aprender na marra!”
abraços
2 de junho de 2009 às 11:36
O problema dessa história é que tem pedagogo burro de um lado e político cínico do outro.
E imprensa moralista no meio.
Vc tinha que ser professor, Arnaldo.
4 de junho de 2009 às 18:42
O link foi corrigido. Desculpem a nossa falha.