21 de julho de 2008
A inteligência em mãos erradas
Por Arnaldo Branco
Dia desses Tico Santa Cruz, reserva moral da nação, criticou a Mulher-Samambaia a propósito de um quiz de caderno cultural em que a burrice das respostas da mina parecia ser estudada, promocional. Talvez ela tenha entrado tão bem no personagem que a crítica do sujeito valha como uma espécie de elogio velado. Quando a inteligência ganha defensores do naipe do Tico Santa Cruz, você sabe que o time está em má fase. Mas essa foi só uma manifestação muito comum da incapacidade do indivíduo para reconhecer em si mesmo o que só enxerga nos outros. É o fenômeno da projeção de que nos falava Freud e Moraes Moreira em seu hit “Besta é Tu”. Às vezes você se vê rodeado por pessoas que parecem legitimamente consternadas por uma manifestação da burrice, até que aos poucos percebe nelas os mesmos sintomas. A coisa parece um filme de Zumbi, é contagioso e não há para onde correr. Talvez o governo devesse estimular o auto-exame, como no caso dos preventivos de câncer de mama. O sujeito ficaria em frente ao espelho apalpando a consciência, para ver se também engrossa as estatísticas das vítimas da estupidez. Inteligência, ainda que light, está na moda e é importante distinguir os adeptos de ocasião do pessoal true, roots. De repente aquele cara que protesta contra a falta de conteúdo do Big Brother é um leitor contumaz da Martha Medeiros. Abaixo a demagogia!
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