22 de maio de 2009
A esperança de óculos
BLOG, Música, O mundo lá fora
Por Luiz Bello
“Você é muito bacana, simpática e coisa e tal… Só que não vai dar pr’eu ficar mais tempo com você. O meu tempo na sua cidade já está no fim e ainda têm muitas pessoas que ainda precisam de mim. Você me deu o seu tempo, carinho e coisa e tal, só que não vai dar pr’eu perder o trem e ganhar você. A minha turma já botou o pé na estrada e, além de mim, não falta quase mais nada. Eu vou seguir as cordas dessa guitarra até o fim.
Por isso, entenda que eu não posso ficar. Não, eu não posso interromper meu caminho! O que o meu coração prefere que eu faça, eu só posso fazer sozinho. Você merece coisa mais descansada do que essa vida tão desorganizada e, por isso, fique esperta: pode ser que, um dia desses, eu volte por aqui. Ô!”
Apesar de eu muito o catarolar (mal), nenhum dos meus amigos que gostam de Zé Rodrix conhecia esse roquezinho dos parágrafos anteriores, presença certa na Rádio Mundial, ali pelo fim dos anos 70. Autêntico espírito easy ryder num português simples, pra consolo de alguma fã, em algum lugar no caminho de alguma turnê de um quase famoso. Desculpem as eventuais incorreções na letra.
Pouco sei desse velho ídolo, que sempre me pareceu muito criativo, irreverente e pragmático. Dele guardo fragmentos de melôs satíricas, românticas, rurais ou não. Sem mencionar a óbvia “Casa no campo”, que eu acho uma das maiores da MPB. Na voz cansada de guerra de Elis, ali está o sinal fechado, e a classe média morrendo de vontade de ligar o “foda-se”, antes que fosse tarde, pra ir atrás daquilo que realmente importa, que é tão simples e, geralmente, tão difícil. Coisa de quem não morreu antes de ficar velho.
Em meio a esse resgate que está aí, ao Simonal, lembro que cheguei a ler uma “Dica” em alguma edição do “Pasquim”, também por volta de 73, onde um grupo de caras mais ou menos famosos desejava um câncer de próstata para o Zé, vejam vocês! Nunca soube o porquê, nem quem tinha razão. Mas continuei a ouvir Zé Rodrix no rádio, cada vez menos pois, a certa altura, o cara se bandeou para a publicidade. Melhor. Menos um niilista duro, mais um cara criativo com dinheiro no bolso. E mais um belo jingle (“Eu digo Ciiii Ciii, Êi Eeeeei…”), grudado em nossos ouvidos.
Soube de um show, aqui no Rio, testemunhado pelo nosso fotodiarista Henrique Koifman. Leio, hoje, na Folha On Line, sobre o Som Imaginário, a parceria com Sá e Guarabyra, o show no Rock in Rio e o DVD de volta à estrada, em 2001… Teve até uma apresentação com João Gordo, em abril, no CCBB de SP. Não vi nada disso e já não importa. Não esqueceria o cara-da-música-da-baleia nem que quisesse. Que Mestre Jonas o receba muito bem.
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