15 de dezembro de 2008
A banalização da misantropia
Por Arnaldo Branco
Acho a Madonna um símbolo: de como a mulher teve que lutar tanto pra conquistar o direito de ser tão predadora quanto o homem que de algum jeito durante o processo a música ficou uma merda. Mas a coluna de hoje não tem nada a ver com isso, desculpem.
Vamos lá. Outro dia participei de um programa de debates com o tema Mau Humor só porque esse é o nome do meu blog - sou tão mal-humorado quanto o Tom Cavalcante é bêbado. Além de mim, discutiram o tema um rapper, um cômico stand-up, uma atriz e um psiquiatra, o único com experiência acadêmica no assunto.
Em certa altura a apresentadora entrevistou por telefone um carinha que se anunciou como “blogueiro de sucesso” sem rir depois. O sujeito falou do seu blog, um espaço virtual de queixas ordinárias sobre coisas comezinhas, mentiu sobre seu número de acessos e disse que era muito conhecido - também sem aparentar ironia - por sua acidez politicamente incorreta e desgosto pela Raça Humana.
Esbarrei com o psiquiatra na saída do estúdio e ele estava revoltado com o cara da ligação telefônica. Comentou: “É muita gente se achando melhor que os outros pra gente saber exatamente quem são os outros” - e fez o diagnóstico da patologia de que sofre o indivíduo, alguma palavra enorme terminada em óide.
Esse é o problema, hoje em dia qualquer idiota se acha qualificado para odiar a Humanidade. Antigamente a Menschenfeindlichkeit era de uso exclusivo de gente gabaritada (até porque acertar a pronúncia não é para qualquer um), e as frases de tédio pelo (modo de dizer) semelhante, muito melhores.
Tem a ver com a decadência do ensino, com a democratização dos meios de comunicação e as leis contra o castigo físico enquanto método disciplinar. A misantropia descontrolada é o Mal do Século.
23 comentários para “A banalização da misantropia”
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15 de dezembro de 2008 às 13:51
Mas e você? Você odeia a humanidade?
15 de dezembro de 2008 às 15:21
Ah, agora sim peguei a história, pelo twitter não tinha entendido
15 de dezembro de 2008 às 15:25
Eu curto, cara.
15 de dezembro de 2008 às 16:14
O sujeito era o Reynaldo Azevedo?
15 de dezembro de 2008 às 17:19
Antes de ser uma banalização, é uma certa imposição do eu, moi d’abord.
Gente que leu mal Nietzsche, gente que não entende ironias simplesmente porque não quer nem ler os outros.
16 de dezembro de 2008 às 10:06
[...] 2) Minha coluna Mal Necessário no site da revista Zé Pereira: A banalização da misantropia. [...]
16 de dezembro de 2008 às 13:07
Acho que isso é mais um sinal da terrível influência de Diogo Mainardi sobre a alfabetização dos adolescentes brasileiros.
16 de dezembro de 2008 às 17:16
Quem leu nietczche bem faz a mesma diferença pra ordem do planeta do que quem lê arnaldo branco ou diogo mainardi, ou seja, nenhuma. simplesmente vão trabalhar e fazer girar uns trocados pra alguém que tem muitos trocados, então parem de apurrinhar os outros seus geniais de araque.
16 de dezembro de 2008 às 17:27
O legal dos retardados é que sobra o minimo de consciência para preferirem o anonimato…
16 de dezembro de 2008 às 17:52
ora arnaldo por favor, seu trabalho é legal, eu realmente gosto e nao estou comparando com mainardi. o que não dá pra aguentar é a pretensão de todos de ser mais inteligente como se isso realmente fosse especial.
16 de dezembro de 2008 às 18:37
Concordo com o que você disse, é que nessa era de apatia pega bem ser o completo oposto do idealista e do entusiasmado, aí que a misantropia e o blasé viraram regra.
A propósito, você curte Anthrax? Essa música não é deles, é de uma banda de metal francesa chamada Trust.
16 de dezembro de 2008 às 21:21
Porra, nem sabia. Anthrax, curto sim.
17 de dezembro de 2008 às 1:15
“… não dá pra aguentar é a pretensão de todos de ser mais inteligente como se isso realmente fosse especial.”
QI pequeno, né? Lamento cara. Continua insistindo nos bloquinhos.
17 de dezembro de 2008 às 2:30
@macaco o Arnaldo, antes de virar blogueiro famoso e misantropo vendia cd pirata do Anthrax.
Eu sei que não é, mas quando falam de blogueiros famosos misantropos não tenho como não pensar nos wunderbloggers.
17 de dezembro de 2008 às 20:46
o q não são as suas tiras* se não as de um idiota que se acha qualificado para odiar a humanidade?
*assim como as de André Dahmer e Allan Sieber
17 de dezembro de 2008 às 22:00
De misantropo e louco todo mundo tem um pouco (ainda bem!)
16 de maio de 2009 às 16:47
eu sou duente mental
3 de junho de 2009 às 14:40
O sujeito que participou do programa era debilóide. Só pode.
10 de junho de 2009 às 14:41
total emnte de acordo com o psiquiatra: “É muita gente se achando melhor que os outros pra gente saber exatamente quem são os outros”
10 de junho de 2009 às 14:42
Se o camarada falou como ‘blogueiro de sucesso’ e não riu depois, convenhamos, está apto a odiar a humanidade. A começar pela própria - supondo que a tenha.
10 de junho de 2009 às 14:50
http://www.youtube.com/watch?v=jWtNWTETYoU
o Skrewdriver também tinha uma música chamada anti-social. O Skrewdriver, dos nazistas. A música é de quando eles eram bonzinhos, mas depois virou meio hino.
10 de junho de 2009 às 14:50
é com a misantropia virando moda que se explica a festa nazi da Adidas.
10 de junho de 2009 às 16:32
[...] Arnaldo Branco [...]