28 de fevereiro de 2010
26 de fevereiro de 2010
Porvir
Por João Moraes
A vitrine da estufa olhava fixamente dentro de meus olhos, por trás de suas retas retinas vítreas, banhados em banha, pedaços de porco seduziam. Perguntei se era barriguinha, mas Joel disse que era papada. Ô Joel, então bota aí pra gente provar e abre a meiota de Engenho do Vovô.
Assim começa meu carnaval em Mundo Novo, distrito de Dores do Rio Preto, lá na Serra do Caparaó.
Mas não ficamos na cidade, ficamos numa casinha cravada na serra, mais acima. Um terreiro de café diante a casa era nosso planetário. Não havia luz perto da casa, apenas capoeirão e uma mata cheia de Canelas, Embaúbas prateadas e Quaresmeiras. Nessa época do ano, seria comum chover a não mais poder, mas a seca e o céu limpo tornava as estrelas tão vivas e tocáveis quanto os vaga-lumes que por lá também ocupavam sua parte no firmamento. leia mais…
25 de fevereiro de 2010
Rádio Zé Pereira: “Surfista calhorda”, Replicantes
Vou escrever uma paródia dessa música pro Quanta Ladeira do ano que vem. Chamar-se-á “Intelectual calhorda”: “Mas quando abre a boca, ele é cabeça oca, ele é cabeça oca!”.
25 de fevereiro de 2010
Alcantilado homenageia Jacob do Bandolim
Formado pelo violonista Fábio Nin e pelo bandolinista Paulo Sá, o Alcantilado (em foto acima de Paula Monte) convida quatro expoentes da música instrumental brasileira para homenagear o grande mestre do choro Jacob do Bandolim (1918-1969), no Centro Cultural Correios: o trompetista Silvério Pontes (hoje), o gaitista Gabriel Grossi (amanhã), o pianista Vitor Gonçalves (sábado) e o violinista Nicolas Krassik (domingo). Contando também com a participação do percussista Beto Cazes, os shows começam às 19h, com ingressos a R$ 10 e meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos.
25 de fevereiro de 2010
Yakult assassino
Por Luiz Henriques
Imagine uma série onde uma pacífica, ainda que poderosa e sofisticadíssima, espaçonave cheia de humanos das mais diversas culturas (e mesmo um alienígena, isto em plena tevê americana dos anos 60) explora o universo em busca de conhecimento, usando para tanto ferramentas avançadíssimas – tricorders, computadores, defasadores… não soaria meio estranho se eles resolvessem fazer um episódio virulentamente anti-tecnologia?
Uma sonda terráquea perdida no espaço profundo tem um encontro com alguma coisa misteriosa que a conserta e a torna uma máquina indestrutível e invencível. Após destruir alguns viventes, ela encontra a galera da Enterprise, com quem topa bater um papo antes de de desintegrar tudo. Sim, se você curte “Jornada nas estrelas”, já sacou que a história foi recauchutada pro primeiro longa-metragem, provando pela segunda vez que ela não era uma boa ideia. Mas, pelo menos no cinema, o final celebra a união do homem com a máquina e o cosmos, fazendo uma apologia à tecnologia não só na trama como também nos efeitos visuais caríssimos pra época. Já na série original, mesmo passando-se no famoso universo “treknológico”, temos mais uma vez uma ressurgência da paranoia dos anos 50 de que tudo que tenha luzinhas piscando e saía da mente de um cientista é o Mal Encarnado (eles tavam meio cabreiros com a bomba atômica, lembra?). leia mais…
24 de fevereiro de 2010
Rali ou Pra que faixas?
Por Dandara Palankof
O carnaval foi embora; podemos dizer que o ano finalmente começou. Pela primeira vez em dias me sinto de volta ao Recife em si, agora que o que se respira não é mais apenas festa. A atmosfera da rotina é palpavelmente díspare com relação à euforia que se vinha vivendo há semanas, praticamente desde janeiro. É até bom; a verdade é que por mais que recifenses amem muito tudo isso, a ressaca é logicamente tão grande quanto a festa, e faz com que todo mundo nem ache a quarta-feira tão ingrata assim, a despeito da canção. Não que alguém vá admitir isso.
Foi-se a baderna, ficou o bom e velho caos. As ruas sujas, as horas de rush, as calçadas intransitáveis e, claro, o trânsito. O grande flagelo das metrópoles modernas; e se em Brasília, com suas ruas largas e planejadas, a coisa já tá ficando feia, por aqui é que não ia ser diferente (ainda que algum espertinho possa, e com razão, questionar a classificação de Recife e Brasília como metrópoles, mas isso é outra história). Dia desses, me disseram que a “Veneza Brasileira” foi eleita uma das capitais mundiais a serem visitadas antes de ruírem sobre si próprias. Pode ter certeza que vai ter muito carro nessa ruína. leia mais…
24 de fevereiro de 2010
Crentes que sambam
O Eduardo Martins, que já tinha mandado pra gente uma ótima reportagem sobre uma festa só para cegos - não leu ainda?, clica aqui -, arriscou suas convicções para nos trazer um relato de como foi o desfile do bloco evangélico carnavalesco Cara de Leão, na terça-feira gorda. Um teste para a fé de qualquer cristão. Leia aqui ou clicando no quadradinho de reportagens aí no alto.
24 de fevereiro de 2010
Samba, suor e oração
Por Eduardo Martins
É terça-feira de Carnaval no Rio de Janeiro e um caminhão de som para na esquina da Avenida Presidente Vargas com Rio Branco. No epicentro da mais tradicional folia de rua carioca, o bloco evangélico Cara de Leão, do Projeto Vida Nova, esquenta os tamborins. Do alto do veículo, o pastor Ezequiel Teixeira acompanha atentamente a movimentação lá embaixo. Contrariando o senso comum, ele encara o carnaval como uma oportunidade de evangelizar. O pastor se apega a passagem da Bíblia que diz “Ide e pregai o evangelho a toda criatura”. Como a única coisa que o versículo não determina é o tempo para se fazer a pregação, Ezequiel aproveita para pregar até fora da hora.
Com o microfone em punho, ele acerta os últimos detalhes pondo 2500 fiéis em ordem. “Porta-Louvor, mais pra frente…”, de cetim brilhante nas cores azul e branco, a porta-bandeira puxa o mestre-sala pela mão. Carregam o estandarte e um sorriso encabulado após o aviso que ecoou em 12 mil watts de som.
“Ala da Ilusão, liberte-se!”, ao comando de Ezequiel cerca de cem jovens, todos de preto, espalham-se de um lado ao outro da avenida. Levam garrafas vazias de cerveja, canudos de papel imitando cigarro e placas com frases de efeito, tal como “O mundo jaz no maligno” e “O salário do pecado é a morte”. Eles são os “iludidos” que dão nome à ala. Mais adiante estão os demônios, que por algum motivo tem a cabeça coberta por meia-calça. Na comissão de frente, um Lúcifer magro que lembra mais o coringa de um baralho.
Antes de iniciar o desfile, uma ligeira pausa para oração, depois, um minuto de silêncio. Com o relógio dourado à altura dos olhos, Ezequiel acompanha ansioso o movimento do ponteiro. Terminado o tempo, dá a largada. “Atenção, Bloco Cara de Leão! Vamos lá, povo de Deus! Chegoooou… a horaaa… GLORIFICA, CAVACO!”
A bateria ataca com força, fazendo vibrar as fachadas de vidro dos bancos, escritórios e lojas. Na falta de samba no pé, os crentes agitam os braços.
“O povo que andava em trevas
Viu uma grande luz
E sobre os que habitavam na região da morte
Resplandeceu a luz…”
Do lado de fora do bloco, várias pessoas com as mãos dadas formam um cordão de isolamento, protegendo a evolução dos componentes pela avenida. Um dos elos da corrente é Renato Vieira, 28 anos, morador de Belfort Roxo. Ele participa do bloco há seis anos e diz que nunca foi muito fã de carnaval, mesmo antes de entrar para a igreja. “Como nunca bebi, sempre achei uma festa sem graça”. Abruptamente Renato encerra o papo voltando para o batente porque cinco bate-bolas embriagados ameaçam invadir seu pedaço. Mas com os braços enlaçados a outros irmãos, ele afasta os desordeiros. “Toda atenção é pouca”, diz.
Atrás da barraca de cachorro quente, o vendedor recebe uma oração de cabeça baixa. Mão estendida, a pastora Tânia Silva, de Itaipuaçu, faz um louvor. Seu trabalho é quebrar maldições. Por sua natureza pagã, provocante, estimuladora dos prazeres terrenos, para Tânia, o carnaval é obra do diabo. Confessa que já se divertiu muito em anos anteriores, no entanto, desde que se converteu, nunca mais caiu na folia.
Na calçada, o morador de rua usando uma bermuda presa apenas por um alfinete de fralda, traga o cigarro com indiferença. Bumbos, caixas, cuícas, pandeiros, repiques, passam ruidosamente a poucos metros de sua cama de papelão, e ainda assim, é como se um continente os separasse. Uma desavisada catadora de latas, usando sacos plásticos no lugar de sapatos, se anima com o batuque e tenta aderir ao bloco. Logo é barrada. Sem esmorecer ela abre um sorriso ébrio, depois volta a sua rotina de revirar lixeiras atrás de alumínio.
Um dos organizadores do bloco Cara de Leão é o pastor Alexandre Rodrigues, de 36 anos. Ele tem os cabelos grisalhos, bem aparados, óculos de aro fino e um olhar pacífico que lhe dá um ar confiável de gerente bancário. “Nossa missão é chegar no limite do profano para resgatar essas almas”, defende. Nas contas do pastor, a pregação mostrando que a verdadeira felicidade não dura só quatro dias tem dado certo. “Cerca de sessenta por cento dos que estão aqui no desfile, se converteram por causa do bloco”, diz ele.
Enfim, o Cara de Leão chega ao seu destino: a Cinelândia, onde nessa altura a diversão pega fogo e o “hino-enredo evangelístico” é recebido com estranheza. “VÂMO BOTAR CAMISINHA!”, provoca Júnior, um mulato parrudo, com vestido de alcinha e bolsa de couro a tiracolo. A seu lado, Vilson, fantasiado de índio americano, gargalha desafiando a reprovação dos evangélicos.
Se o Carnaval é realmente a festa do profano, a praça é o que o pastor Alexandre e os outros pastores chamariam de fundo do inferno. A avenida é o território livre de bêbados, mulheres em trajes provocantes e foliões seculares. Pressentindo o enfrentamento, mais uma vez Ezequiel pede a palavra. Todos levantam as mãos numa prece contínua. Há um frenesi no ar. Talvez seja a mesma agonia de uma tropa que caiu numa emboscada. Ele segura o microfone, ajeita os óculos escuros no alto da testa e parece pronto para a guerra.
“Venha para frente, meu irmão. Saia do seu lugar. Não tenha vergonha de pedir uma prece. Você que está precisando, você que passa dificuldades. O Senhor quer te ajudar”, diz Ezequiel. A resposta veio em bate-pronto: “Volta pra igreja, caralho!”. A ofensa alcoólica rasga a oração como se fosse uma gilete. No entanto, o pastor não se abala e alguns foliões mais dóceis se rendem aos pedidos abaixando a cabeça.
Nas esquinas da praça, os protestos insistem. “Vai pro retiro!”, esperneia um deles. Coagido pelas inúmeras provocações, Ezequiel apela para um minuto de silêncio em prol da paz no mundo. Milagrosamente o pedido surte efeito e a multidão emudece. É como se o pastor agarrasse a massa carnavalesca pelos chifres e dominasse a situação. Por um breve momento foi assim. Até que, nos segundos finais, um vendedor percebeu que aquela era a melhor hora para divulgar sua promoção: “Ó, três Skol, cinco real!”.
Logo em seguida marchinhas são cantadas aqui e acolá, e o ambiente carnavalesco volta a prevalecer na Cinelândia. Mas Ezequiel já está satisfeito, a parafernália de som é desligada e o desfile encerrado. Entre os fiéis da Vida Nova há o sentimento de dever cumprido. Após percorrer centenas de metros num desfile atípico, resistindo a tentações de toda ordem e pregando a palavra do Senhor na adversidade, o único bloco evangélico do Rio de Janeiro se dissipa. O Carnaval já terminou para eles, que saem em grupos a perder-se de vista pelas ruas do centro, como um rebanho de ovelhas voltando para seu cercado.
23 de fevereiro de 2010
Fotodiário celular HK XCIV
Por Henrique Koifman
Nesses últimos anos, cada vez mais, Laranjeiras tem sido ótima durante a folia – para quem gosta de longos “passeios” no meio da multidão, latinha de cerveja morna na mão, barulhão (samba? acho que não), azaração adolescente, confusão… Não é meu caso. Por isso, no sábado de Carnaval, bem cedo, partimos do Rio para Guapi em exílio voluntário. São de lá – onde, diga-se, rola um simpático Carnaval de interior, com bailes de rua e até desfile de escolas de samba – as imagens das quatro primeiras colunas (da esquerda para a direita) desta edição do Fotodiário.
A primeira, feita quando chegávamos, é da rua principal, que ganha arquibancadas e decoração para o desfile das escolas. Mais tarde, estreamos os novos pratos (de vidro) do Cantinho do Sabor e, pouco depois, passei um tempo refrescante na beira do rio que margeia o condomínio. Mesmo longe da água, o calor de lá, não chegava ao do “forno carioca”, como atestava o termômetro da varanda, fotografado lá pelo fim da manhã de domingo – dia do aniversário do nosso filho mais velho, que ganhou bolo de chocolate da vovó. Mais tarde, passando novamente pela cidade, registrei outro trecho da rua principal, com lojas vendendo máscaras, confete e serpentina. Adiante, almoçamos no Alaiu, onde os ventiladores lutavam para amenizar o mormaço. De volta em casa, encontrei uma espécie ultramegapeluda de lagarta ruiva que me lembrou o cachorro do Cebolinha. As cachorrinhas do meu irmão – estas reais em latidos e rabos abanantes – ganharam recentemente casinhas próprias, instaladas ao abrigo da varanda. leia mais…
23 de fevereiro de 2010
Copa 5, João Donato e o samba-jazz
O Copa 5 (foto) recebe hoje João Donato nos primeiros shows da série Almanaque do Samba-Jazz, às 12:30h e às 19h, no Teatro II do CCBB-Rio. Idealizada pelo produtor e radialista Edison Viana, a programação promove encontros entre os criadores do gênero, nos anos 60, e artistas que o renovam nos anos 2000, a preços populares: R$ 6. A série fica em cartaz no CCBB até o dia 30 de março, com shows às terças-feiras, sempre às 12:30h e 19h. As próximas atrações serão o quinteto de Hamleto Stamato com o trombonista Raul de Souza (2 de março); Henrique Band e Antonio Adolfo (9 de março); Paulo Moura e o trio de David Feldman (16 de março); Mauricio Einhorn e o Sambajazz Trio (dia 23 de março); e, encerrando a série, a Almanaque Samba-Jazz Band (Rafael Vernet no piano, Guto Wirtti no baixo, Eduardo Neves nos sopros e Rafael Barata na bateria), criada especialmente para o evento, vai tocar com o saxofonista argentino Hector Costita.
22 de fevereiro de 2010
Mal necessário é se dizer excluído
Em sua coluna de hoje, o Arnaldo Branco fala da mania de exclusão, a desculpa favorita de dez entre dez fracassados em suas respectivas áreas. Leia aqui.
22 de fevereiro de 2010
“Ritmo de festaaaaaa…”
Por Dandara Palankof
É claro, se o Carnaval em Recife começa uma semana antes, nada mais natural que ele acabe alguns dias depois. A farra por aqui só acaba mesmo é no domingo. Há um bloco chamado Camburão da Alegria, que sai pela Av. Boa Viagem, à beira-mar, neste primeiro dia da semana pós-Carnaval: foi formado por policiais que passavam o Carnaval trabalhando e mas também queriam fazer a sua festa.
Finda a festa, faz-se um balanço do que foi visto. A programação de shows é sempre muito extensa, com pólos espalhados por toda a cidade. É virtualmente impossível conferir todos. Mas a verdade é que os melhores shows, na semana pré, acontecem no Fortim do Queijo, em Olinda; na folia de momo propriamente dita, Pátio de São Pedro, Marco Zero e Cais da Alfândega, onde acontece o RecBeat, são as melhores opções.
Um pouco decepcionante foi justamente a programação do Fortim; o palco que trouxe, ano passado, nomes como Demônios da Garoa, Paulinho da Viola e Moraes Moreira, este ano acabou ficando mais caseiro, digamos assim. Tirando nomes já batidos no carnaval recifense, como Elba Ramalho, as maiores atrações foram artistas como Alceu Valença, em show igual já há tantos anos.
Espaço também para a Los Sebozos Postizos, projeto paralelo de integrantes da Nação Zumbi que toca versões de canções de Jorge Ben. Perdi este, apesar da curiosidade de ver o vocalista Du Peixe cantando algo em tom e cadência totalmente diferentes daqueles de sua banda principal. Os comentários, de gente de confiança, foram de que se tratou de um dos shows mais divertidos do pólo. Uma pena. leia mais…
22 de fevereiro de 2010
Exclusão analógica
Por Arnaldo Branco
Conspiração Filmes, Gravadora Trama… sempre curti esses nomes porque parecem escolhidos para provocar aqueles que acham que são vítimas de uma panelinha. Mas aí você vai checar com os cabeças dessas produtoras e eles realmente acreditam que promovem uma revolução estética ou algo assim; daí complica. Mas, enfim.
A mania de exclusão é um must entre dez de dez fracassados em suas respectivas áreas. É uma bela explicação para substituir a hipótese mais simples: a falta de talento ou determinação; muitos se dedicam mais a esse tipo de reclamação do que às suas carreiras. Devia haver uma campanha do governo para prevenir tal desperdício de energia.
O problema é que lamentar esse tipo de favorecimento deveria ser um anacronismo na era da internet. Fazia algum sentido quando os canais eram ocupados por quatro ou cinco gatos-pingados com as mãos estendidas, esperando que os menos favorecidos as beijassem. Agora é você com suas habilidades e um mínimo de vocação promocional.
É claro que ainda existem esquemas de camaradagem e alguns meios (editais, premiações) estão congestionados de gente com mais relações do que méritos, mas cada vez mais há menos fronteiras entre o reconhecimento (repare as aspas) “on line” e “real”. Do youtube para Hollywood, do twitter para a Playboy.
Lembro daquela frase (Duke Ellington, acho): “levei a vida inteira para fazer sucesso da noite para o dia”. Taí a diferença, hoje você não precisa mais da vida inteira. Vamos trabalhar.
20 de fevereiro de 2010
Entre maçanetas e peitos
Por Fernando Barreiros
Saí do apartamento para as ruas desertas dessa cidade maldita tentando achar um táxi. Desde peitos à maçanetas, tudo que tocava naquela noite ficava manchado de sangue. Havia machucado minha mão e não lembrava como, achei sensato ir embora antes de alguém me dizer que machuquei-a socando a mãe de alguém ou algo grotesco assim.
A borda do canteiro de plantas que estava perto avermelhave-se conforme eu esperava o táxi. Alguns movimentos bruscos fizeram com que as plantas também pingassem sangue. A noite estava terrivelmente clara graças as luzes exageradas da cidade. Ao longo da rua, o que parecia ser um táxi brincava de Nascar em minha direção, bom, pilotos de Nascar são bons motoristas e vou chegar rápido em casa, ótimo. Fiz a saudação nazista para chamá-lo e, para conseguir parar na minha frente, teve de deixar marcas no asfalto ao freiar. Como se num filme de terror vagabundo, a porta abriu-se sozinha, e, como uma puta, me convidou para dentro. leia mais…























