31 de dezembro de 2009
31 de dezembro de 2009
A fuga das baratas
Por Luiz Bello
2009 foi um ano de surpresas, quando muitos paradigmas foram quebrados. Após mais de uma década sem hiperinflação e com várias políticas de redistribuição de renda, os filhos do jeca tatu e do zé ninguém já começam a comprar DVDs, LCDs e netbooks. Melhor ainda: parece que estão deixando seus filhos na escola.
As crises que sempre jogavam o Brasil de volta ao fim da fila, dessa vez nos colocaram em destaque: as diferenças entre nosso sistema financeiro o dos gringos, juntamente com o fortalecimento do mercado interno, nos protegeram do pior.
A violência mostrou muito a sua cara, mas também deixou entrever uma possível solução: o poder público começou a se coçar e a ensaiar banhos de cidadania em comunidades historicamente ignoradas, no Rio de Janeiro. Embora tardia, foi uma demonstração de que mesmo os governantes mais ambíguos não podem mais ficar gastando o dinheiro da prefeitura e do estado apenas nos bairros das elites.
A mídia continua batendo cabeça para entender o que se passa no país. Entre bigbrothers e bigmentiras, estão todos meio perdidos e com medo do amanhã. Tem cada vez menos gente prestando atenção neles.
A corrupção mostrou suas mil caras. Mas democracia não é apenas botar o voto na urna. Os oligarcas ainda são fortes nas câmaras e tribunais, e o Brasil precisa descobrir um jeito de tirar essa gente de lá, pois fomos nós que lá os colocamos.
Ignorância não é benção e consciência exige responsabilidade. Quando a ditadura acabou e acenderam a luz, as baratas começaram a correr. Isso assusta? Ok, mas a luz vai continuar acesa em 2010.
30 de dezembro de 2009
Uma canção ao cair da tarde: “Teardrop”, Massive Attack
Elementar, meu caro Wilson. Em cena, no cair da lágrima, um inusitado intérprete para o tema de abertura do maior sucesso da TV a cabo em 2009. Aqui, uma versão mais apocalíptica, do José González.
30 de dezembro de 2009
Traço (borrado) do arquiteto ou O que diabos esse povo tem, afinal? – II
Por Dandara Palankof
“E só tende a piorar”. O comentário não me foi feito por uma pessoa apenas. Várias o fizeram, quando de minhas reclamações sobre o estado de conservação de nosso querido avião modernista. Porque quando voltei pra esta casa de mãe que Brasília é pra mim, semana passada, esta foi a sensação que tive: estão acabando com a cidade. O lugar no qual tive uma infância quase idílica, que eu esperava proporcionar aos meus próprios rebentos, quando viessem, pode acabar não tendo muito do que eu prezava nos próximos anos.
Décadas de desgoverno. Não dava bem pra esperar outra coisa, no fim das contas. A triste verdade é que o que tem acontecido em Brasília nos últimos tempos não é novidade. O governo do Distrito Federal é uma máfia desde os tempos em que nosso representante máximo era “biônico”, escolhidos pelo governo federal. Tudo, tudo o que há de errado nessa cidade começou quando o Sr. Joaquim Roriz assumiu pela primeira vez o seu comando. leia mais…
29 de dezembro de 2009
Fotodiário celular HK LXXXVI
Por Henrique Koifman
Correr para poder parar. A semana antes do Natal – e, com ele, o recesso de fim de ano – é perfeitamente definida com esse chavão. Pelo menos pra mim. Correria que inclui o fechamento desta edição do Fotodiário um pouco mais cedo que o habitual, na sexta, dia 25. Bem a tempo de desejar boas festas e feliz ano novo para todos.
No sábado da semana anterior, estivemos na casa de amigos no Jardim Botânico – onde encontrei essa pequena árvore natalina enfeitando o lavabo. Mais cedo, parado num sinal da Atlântica, reparei nas grandes flores amarelas espalhadas (como se tivessem sido colocadas, criteriosamente, uma a uma) sobre a calçada do canteiro central, No domingo, caminhando por ruas quase desertas da Tijuca, no começo da tarde, passei por muitas casinhas de ar bucólico e flores sobre os muros como a da foto. Um pouco depois, fomos deixar nosso caçula em uma festa. A casa – da tia do aniversariante – fica na Mário Portela e se parece com uma daquelas chácaras do século XIX. Talvez tenha sido.
Na segunda, caminhando pela Laranjeiras em direção ao Largo do Machado (pegaria o metrô), registrei o céu visto de dentro do caramanchão da Praça Del Prete. Mais tarde, passando pela 7 de Setembro, fiquei encantado com os bonecos da vitrine da H. Stern, na esquina com Rio Branco. Terça, depois de um dia daqueles, sem praticamente sair da frente do computador, resolvi olhar pela janela do escritório e avistei um dos mais bonitos pores-do-sol (é esse o plural?) dos últimos tempos. Pouco depois, passando pela Cinelândia, encontrei um concerto promovido pelo Theatro Municipal. No dia seguinte, aliás, fotografei parte da audiência de um outro espetáculo da mesma série, aboletada na arquibancada montada sobre a calçada (que frase mais rimada!). E, esperando o ônibus na Presidente Wilson pouco depois, fotografei as cores do final da tarde no céu da Glória.
Quinta, já de folga, fui ter com meus amigos de infância da General Glicério para nosso encontro anual, que acontece religiosamente desde 1980. É de lá o copo de cerveja. Antes, pela manhã, passando por uma transversal da São Francisco Xavier, na Tijuca, encontrei um fusca bem maltratadinho e identificado com uma quase apagada e antiga placa amarela de duas letras.
Hoje, dia 25, no final da manhã, novamente naquele pedaço da Tijuca, enquanto esperávamos a namorada (minha)/mãe (dele), que fazia uma visita, eu e o caçula demos a volta no estádio do Maracanã a pé. São 1.770 metros – pelo menos é o que diz a marcação na calçada do entorno.
O sujeito lendo numa poltrona cercada de livros, pisos e reflexo (canto inferior esquerdo) estava na Livraria da Travessa da 7 de Setembro, na segunda; o telefone antigo cercado de livros estava na outra livraria do grupo, esta na Travessa do Ouvidor, no mesmo dia; o menino de rosa está passando na frente de uma casa de janelas altas que fica na São Francisco Xavier.
O sujeito lendo numa poltrona cercada de livros, pisos e reflexo (canto inferior esquerdo) estava na Livraria da Travessa da 7 de Setembro, na segunda; o telefone antigo cercado de livros estava na outra livraria do grupo, esta na Travessa do Ouvidor, no mesmo dia; o menino de rosa está passando na frente de uma casa de janelas altas que fica na São Francisco Xavier. E o Belini (com “flores no cabelo”) estava onde sempre esteve: em frente ao portão do Maraca.
28 de dezembro de 2009
Mal necessário são as melhores do ano
Demorou, mas saiu. Após exaustiva apuração e inúmeras consultas às mais brilhantes mentes de nossa equipe, aí está a lista das melhores do ano, segundo o infalível Arnaldo Branco. Leia aqui e não perca, amanhã, o Fotodiário celular HK.
28 de dezembro de 2009
Minha lista de melhores do ano
Por Arnaldo Branco
Melhor capa da Veja
O responsável pela capa da Veja tem sempre a tarefa complicada de conciliar alarmismo e design, o que faz a revista parecer uma franquia involuntária da Photoshop Disasters. Mas aqui o sujeito não tinha nem a desculpa do tema espinhoso.
Melhor campanha frustrada de twitter
A tentativa de derrubar o Sarney com protestos de 140 caracteres coordenada por formadores de opinião como Luciano Huck e Marcos Mion era forte candidata, mas o viral para reverter as eleições fraudulentas no Irã bateu recordes de uso equivocado e megalomaníaco da ferramenta.
Melhor saída à francesa
Dizem que a gordura do Ronaldo atrapalha seu talento para jogar bola; ninguém fala nada sobre como prejudica sua performance na hora de simular falta. O mergulho sem jeito que deu para tirar o seu da reta no Flamengo x Corinthians da penúltima rodada do Campeonato Brasileiro mostra que o Fenômeno precisa treinar o fundamento.
Melhor atuação
O prêmio fica dividido entre os que simularam choque e indignação com essas duas revelações, esses dois novos valores da corrupção brasileira: José Sarney e José Roberto Arruda.
Melhor inserção de azeitona na empada alheia
Graças aos alunos ginecofóbicos da Uniban, surgiu a ameaça da Playboy (e se chegamos a esse nível de delírio, quem sabe até da Boa Forma) com a Geisy na capa. Obrigado.
Melhor decisão profissional
Marcelinho Paraíba, que trocou o Flamengo pelo Coritiba.
Melhor declaração do Pedro Cardoso
“Na HBO só tem putaria”
Melhor declaração de membro do CQC
Empate entre “Qual o problema em chamar negro de macaco?” - Danilo Gentili, “Suicida tem mais é que se fuder” - Rafinha Bastos, “PM nesses vagabundos” - Marcelo Tas.
Melhor declaração, ponto
“Foda-se o pênalti” - Dejan Petkovic
28 de dezembro de 2009
Sessão da Tarde: “Rio de Jano”
Qual um moderno Debret, o quadrinista e ilustrador francês Jano esteve no Rio de Janeiro em 2000 para fazer um álbum de desenhos sobre a cidade. Este documentário acompanha suas aventuras e o seu processo de criação. Dirigido por Anna Azevedo, Renata Baldi e Eduardo Souza Lima. O filme é falado em francês e português, mas legendas, só no DVD.
27 de dezembro de 2009
Parágrafos
“Os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada anualmente pelo IBGE, mostram uma queda sistemática da desigualdade da distribuição da renda domiciliar per capita no Brasil desde 2001. No mercado de trabalho, observa-se que há clara tendência de queda desde 1995. O crescimento real do salário mínimo a partir de 1996 certamente contribuiu para isso. De 1999 a 2008 o valor real do mínimo aumentou 61%. Além de condicionar as remunerações mais baixas no mercado de trabalho, é o piso das aposentadorias e é, também, o valor do BPC (Benefício de Prestação Continuada), paga aos idosos de famílias pobres. Não há dúvida de que a criação e expansão dos programas de transferências de renda, como o Bolsa Escola e, depois, o Bolsa Família, contribuíram para a redução da pobreza e da desigualdade. O crescimento da escolaridade das pessoas ocupadas e a menor diferença entre rendas de moradores das capitais e do interior, ou de áreas urbanas e áreas rurais também influenciaram. Em caráter mais especulativo, podemos perguntar até que ponto essas mudanças no ambiente sócio-econômico são consequências de longo prazo da redemocratização do país e da estabilidade monetária”.
Palavras de Rodolfo Hoffmann, um dos maiores especialistas em concentração fundiária e de rendimentos do país, em entrevista na edição deste domingo de O Globo.
26 de dezembro de 2009
Desespero
Por Fernando Barreiros
Estava tentando escrever há horas, mas só consegui não mais que dois parágrafos que realmente faziam sentido, o resto era apenas um amontoado de idéias inconclusivas. Páginas e mais páginas de idéias sem fim, sem começo ou sem meio. Eu podia viver no meu próprio mundo, mas isso não fazia o relógio parar de contar as horas. A idéia de escrever bebendo foi descartada, sempre acabava dormindo no meio ou escrevendo finais imbecis.
Diferente do resto das noites, esta estava silenciosa, sem barulho de carros ou bêbados gritando na rua. Fazia tempo que não tinha uma noite assim. Os bêbados deviam estar caídos e os viciados tendo uma overdose em algum lugar aonde ambulâncias não chegam. “Não vá ter uma overdose no meu tapete.” Já tive de dizer isso muitas vezes para convidados indesejáveis, uma vez não respeitaram e troquei o maldito tapete verde cheio de baba por um vermelho sangue, combinava mais.
Nunca recebi visitas agradáveis depois de duas horas da manhã, entre viciados e conhecidos chatos, minha ex namorada satanista dava o ar de sua graça embaixo da minha varanda para me xingar ou chorar perguntando se eu estava bem. Aquela louca maldita, ela sim poderia ter uma overdose ou simplesmente ser atropelada por uma jamanta.
O relógio marcava quatro e quarenta e seis da manhã, mas meus relógios estão sempre adiantados, então me atraso menos para compromissos. Apesar da calma da madrugada, eu não conseguia me concentrar, estava com apenas um lápis em casa e não poderia quebrá-lo de jeito nenhum. Quando encostei o lápis no papel, alguém resolveu bater na minha porta. Tentei ignorar de todas as maneiras para ver se o visitante iria embora logo, mas essa idéia só se revelava cada vez mais inútil a cada minuto que se passava e a batida continuava. Não parecia ser um homem batendo, era uma batida um tanto quanto feminina, se é que é possível definir o sexo de alguém por sua batida na porta. Resolvi atender, afinal, quem sou eu para não atender a porta para uma mulher de madrugada? leia mais…
24 de dezembro de 2009
Enterro de anão
23 de dezembro de 2009
Um estranho numa terra estranha
23 de dezembro de 2009
Sobre Sintra
Mais tarde tem “Diário de Sintra”, belíssimo filme de Paula Gaitán sobre os últimos dias de Glauber Rocha, seguido de debate, no Unibanco Artepex 3. Vai ser às 18h e além da diretora, vão estar na mesa os cinesatas Cacá Diegues e Walter Salles e o crítico Carlos Alberto Mattos.
23 de dezembro de 2009
































