31 de julho de 2009
31 de julho de 2009
Viajando na maionese
Por João Moraes
Por que será que quando o Estado não dá conta de suas obrigações alguém logo baixa uma norma transferindo o ônus dessa inoperância para a sociedade, penalizando, na ponta, o pobre mortal?
Resposta difícil de tão fácil. O que acham da proibição de maionese caseira, aquele inocente creminho verde servido em saquinhos nos lanches e sandubeiras das cidades? Em que será que esse alimento difere, por exemplo, do camarão servido em restaurantes e barraquinhas de praia? Deviam proibir, então, a venda de alimentos ao público, porque todos podem ter salmonelas e outras intromissões microbiológicas diluriantes e escapatórias. Me parece mais sensato e constitucional fiscalizar as condições sanitárias dos estabelecimentos e o manejo apropriado dos alimentos, ao invés de proibir a culinária popular. E não me digam que é difícil fazer isso, porque, se for para empreitar uma visitinha do fisco, é fácil. Para a fiscalização sanitária, não deveria haver também dificuldade, já que é um serviço pago pelo dinheiro arrecadado na visita do fisco, não é? Incentivo todos os fazedores de sanduba a se rebelarem contra esta proibição insensata e, a meu ver, inconstitucional, na medida em que é excludente em relação a outros comércios de alimentos e beneficiadora das grandes indústrias da famigerada maionese televisiva. Honestos e honrados homens das chapas e bacons gordurentos; talentosos cortadores de pão e valorosos arquitetos dos x-tudo de dois e três andares: rebelai-vos contra essa medida lamentável do estado e nos salvem da proliferação dos saquinhos coloridos que infestam solenes nossas geladeiras e o lixo das ruas. leia mais…
31 de julho de 2009
Sessão da Tarde: “Kafka inaka isha”
Koji Yamamura é um dos mais importantes nomes da animação experimental japonesa contemporânea. O desenho animado acima foi inspirado no conto “Um médico de aldeia”, a obra-prima de Franz Kafka, em minha modesta opinião. Legendas em espanhol e continuação, aqui.
31 de julho de 2009
O sumo dos cineclubes
Você só conhece o Fito Paez e acha que o rock argentino é o troço mais chato do Universo; mas cavando fundo você acha coisas bem legais, e a melhor delas, sem dúvida, é o Sumo. Se você nunca ouviu falar, não se culpe: como a banda fazia boa música, seus discos nunca foram lançados aqui, conforme dita a lógica das gravadoras. Embora um tanto careta para a figura que retrata, “Luca” (Argentina, 2007), documentário de 90 minutos de Rodrigo Espina, é uma boa introdução para as suas música e trajetória. O filme passa hoje, às 19h, na sessão Bossas D’América, do Cineclube Espaço Utopya (que funciona no Tempo Glauber, Rua Sorocaba, 190, Botafogo). O italiano Luca Prodan (foto), líder da banda, foi parar por necessidade na Argentina dos anos 80 e lá morreu de cirrose, aos 34 anos. A gente já falou de sua história aqui.
Completam o programa os curtas “Nome” (Brasil, 1993), de Arnaldo Antunes, Célia Catunda, Zaba Moreau e Kiko Mistrongo; “Tira os óculos e recolhe o homem” (Brasil, 2008), de André Sampaio, com Jards Macalé e Godô Quincas; e “Now” (Cuba, 1965), de Santiago Alvarez.
Em sua nona edição, o Cineclube LGBT exibe hoje, a partir das 21h, no Odeon, um programa especial do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, com quatro curtas-metragens, de diferentes países, que tratam da sexualidade: “Vândalo” (Suíça, 2008), de Simon Steuri; “O relógio” (foto, Argentina/Noruega, 2008), de Marco Berger; “Batismo de fogo” (França, 2008), de Nicolas Mesdom; e “Luxúria” (Polônia 2008), de Jarek Sztandera. Depois da sessão tem festa. Ingressos a R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).
E o Cineclube Sala Escura, que funciona no Cine Arte UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói) passa “A dama oculta” (Reino Unido, 1938), clássico de Alfred Hitchcock, em 35mm. O filme é aquele em que Margareth Lockwood interpreta uma jovem rica que procura uma senhora (Dame May Whitty) que sumiu num trem. A sessão também é às 21h, mas a entrada é franca.
30 de julho de 2009
As coisas estão se transformando o tempo todo
30 de julho de 2009
Rádio Zé Pereira: “Toda tristeza”, Lê Batista
O Preguinho voltou pro estúdio e fez esta nova versão. Vai passar, toda e qualquer, com certeza.
29 de julho de 2009
Desmarco
Por Toinho Castro
Recife tem um Marco Zero. Passei anos achando que ali havia começado a cidade. Quando descobri que era, na verdade o quilometro zero das estradas de rodagem do estado não consegui evitar uma certa decepção. Esta foi a primeira decepção, que logo foi superada justamente pela idéia de que ali começavam as estradas, de que dali podia-se partir para onde quer que fosse. Eu mesmo parti e acabei no Rio de Janeiro.
Lembro da minha mãe me levando até lá, para ver as águas do porto, águas oleosas. Para ver o molhe e uns poucos navios, enormes, atracados. Era um conjunto de pequenas praças, com árvores, uma estátua, alguns bancos e o próprio Marco Zero, uma peça aparentemente de ferro, pintada de vermelho e com as inscrições apropriadas a esse tipo de… Marco. Havia ali uma movimentação típica desse tipo de recanto, embora fosse ali, à margem do mar, aberto à dimensão do mar, era um recanto no qual residia uma certa intimidade de cidade do interior, com direito a pipoqueiro e folhas pelo chão.
Quando soube, já morando no Rio de Janeiro, que a praça do Marco Zero seria reformada, não pude conter então minha alegria, satisfação por saber que quando eu fosse ao Recife, poderia reencontrar a velha praça organizada, limpa e iluminada. Lá eu poderia reencontrar certas lembranças e um Recife bem pequeno, bem menor que a metrópole suja com mais de um milhão de habitantes. O Recife que eu trouxe comigo para o Rio de Janeiro é assim pequeno, pequenas praças, pequenas ruas no lugar de amplas avenidas.
Visitando então o Recife quis rever a praça do Marco Zero. E eis minha segunda decepção, essa irremediável. A praça havia sido destruída e substituída por uma imensa, redonda e plana aridez de cimento. A praça do Marco Zero é agora um pomposo espaço-porto colorido, coisa para ser vista do alto, como as figuras de Nazca, só que feio. Mas soube que agora, no entanto, é palco de grandes acontecimentos da cidade, grandes shows, porque o que importa é a hipérbole.
Bem sei que essa é uma polêmica antiga no Recife, junto com o monumento de Francisco Brennand que se postou entre a cidade e o mar e que não merece comentário. É que hoje pensei na antiga praça do Marco Zero e na insolação que impuseram no seu lugar para caber as multidões. Procurei por fotos na internet e mal encontrei três, com resolução e tamanho clássicos das coisas esquecidas. Quem quiser pode chamar de nostalgia, mas porque diabos não se pode ter nostalgia, quando aquela praça era uma lugar tão aprazível? Hoje as estradas de Pernambuco começam num vazio tremendo.
29 de julho de 2009
A cidade-irmã ou Olinda – Parte I
Por Dandara Palankof
Ilustração: Raquel Temporal
Quando eu era pequena, achava que dois municípios eram necessariamente distantes um do outro. Afinal, em tese, estamos falando de cidades diferentes. Daí o conceito de “região metropolitana” foi incutido na minha cabeça e me toquei de que as coisas não são tão simples. Mesmo depois disso, por certo tempo, ainda achava que Recife e Olinda eram coisas completamente distintas e longínquas uma da outra.
Primeiro que, mesmo quando cheguei à idade em que se sai sozinha pelo mundo, tinha pouca disposição e companhia para explorar a terra durante as férias na casa de meu pai. Em segundo lugar, a imagem de Olinda presente no inconsciente coletivo do resto do país, vendida pelo carnaval (sempre ele), é completamente distinta da de Recife: casas coloniais baixinhas e muitas, muitas ladeiras.
Cenário completamente distinto de sua cidade-irmã, que se tem ladeiras ainda não encontrei e hoje tem restrito ao centro da cidade suas construções da época em que mal éramos um país. Isso ajuda qualquer um a não pensar em proximidade. E pelo que percebi em conversas com outros amigos “estrangeiros”, não sou a única que achava isso.
Já antes de voltar para cá, percebi que a coisa não era bem assim. Olinda é ali do lado, a uma viagem de “vale B” num ônibus metropolitano (as tarifas A e B, cobradas na maioria das linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife, RMR para os íntimos, custam R$ 1,85 e R$ 2,85, respectivamente). Mas isso aquela Olinda que se vende por aí. leia mais…
28 de julho de 2009
Uma canção ao cair da tarde: “Take five”, The Dave Brubeck Quartet
Entre julho e agosto de 1959, o Dave Brubeck Quartet entrava nos estúdios da Columbia Records para gravar “Time Out”, um dos álbuns mais importantes e mais vendidos do jazz estadunidense. O disco foi remasterizado e relançado agora, em comemoração de seus 50 anos. Essa maravilha aí foi a única faixa que o pianista Brubeck não compôs: ela é de autoria do saxofonista Paul Desmond - eu disse Paul Desmond. Completam o quarteto o baterista Joe Morello e o baixista Gene Wright.
28 de julho de 2009
Contraponto na linearidade
O novo CD de Estela Cassilatti, “Peixes = Pássaros”, tem algumas boas surpresas. A paulistana já madura chega com banca, agora com faixa de trabalho tanto no seriado “Alice”, sucesso da HBO, (disponível no YouTube e no MySpace da cantora) e também emplacando faixa no blockbuster de Claudio Torres, “A mulher invisível” com Selton Mello e Luana Piovani. Vocação para Ogerman e Morricone pop? Nada de jabá, não. Merece um “spin”, como diriam os DJs.
Mãos à obra, pois. Tem faixa com mellotron!!! Para os incautos, isso era o sintetizador do Fred Flinstone, onde os “efeitos” ficavam armazenados em fita e podiam ser apagados. Era genial a idéia de um computador que poderia ter perda de memória. Enfim… As levadas de moog estão ali. Engraçado, pois todo o CD tá solto como arroz bem feito, é tudo faixa de trabalho. “Peixes” e “Mais” são canções introspectivas e, ao mesmo tempo, chiclete: grudam na audição. Ela tem um domínio bem, bem acima do Joel Santana no inglês, o que faz a fonética soar como deve, e fluir com a dicção nas colcheias. Em “Al”, ela usa o “a” grave e forte, dando a conotação de “tudo”, e mesmo no “Al” britânico o “a” é mais aberto, sendo pronunciado “El”. Mas isso são coisas menores que não tiram o mêrito de nada. Ah, como ela prefere em inglês, são “minor quibbles aside”. Ou talvez seja de propósito.
No total, é uma obra muito profissional, “tight”, e deveria ganhar mais giros e revoluções por minuto com a proposta ousada. A voz dela, quando rasgada e blueseira implorando por um amor, paz ou o que desejar, é comovente. E o bom é o ecletismo que deixa o rapaz na gafieira de perna torta, pois vagamos do blues violento a uma quase valsa country, e de volta a experimentalimos pós-tropicalistas.
A sequência de “Judgment Day”, “Morning theft” e “Meu silêncio” é totalmente incongruente e, por isso, genial. Esse é um excelente CD para se ter no porta-luvas. Impressiona o passageiro e cobrador. Quem é essa cantora? Legal esse som…
Realmente é, e não muitos conhecem. Mas isso para o bem de Estela, que pessoalmente é a delicadeza em pessoa, o que revela que como artista é fruta madura e suculenta, pronta para a feira das vaidades, a feira da vida. Peixes = Pássaros. Revelando também a paixão não só por um bioma repleto de Jeff Buckleys, mas também de forte marca celta. E ela é doida pela região. O CD onde o intimismo é aberto. E o que aparentemente é aberto encontra-se no profundo e íntimo. A menina acertou em cheio. Contraponto na linearidade. Eis a melhor definição…
28 de julho de 2009
Fotodiário celular LXIV
Por Henrique Koifman
No sábado da semana passada, fui com o caçula comprar umas flores na feira. É dele carregando o buquê, na volta, a imagem que abre esta edição do Fotodiário. No caminho, passamos por essas pastilhazinhas de chocolate no asfalto (e imaginamos a tristeza do pequeno que as deixou cair). No domingo, à casa de uma querida amiga. Almoço daqueles que dura quase o dia todo – começando por linguicinhas sem trema cozidas com mel pelo consorte (e bota sorte nisso) dela, traçadas entre goles de espumante. A salada verde com talheres multicoloridos também estava no cardápio. No caminho de lá, passamos por Copacabana e, esperando a namorada comprar a sobremesa (uma torta), fotografei a rua pelo parabrisa do carro, com o reflexo do talão de estacionamento.
Segunda amanheceu chuvosa – aí estão a poça d’água e as folhas de amendoeira afogadas, que pulei a caminho do trabalho, como prova. Aproveitamos o frio e provamos as sopas do Boteco Casual do Santos (a da foto é de legumes). Já na terça, passado pela Beira Mar, encontrei o gramado do Aterro forrado de flores vermelhas. Mas tarde, na Antônio Carlos, encontrei uma palmeira com folhas em arranjo patriótico e, seguindo adiante, na esquina da Araújo Porto Alegre, tentei fotografar o Pão de Açúcar. Já repararam que ele fica em frente à entrada dessa avenida? Eu só percebi isso recentemente.
Na quarta, passando pela Cinelândia, encontrei instalada uma feirinha e, no meio desta, uma barraca-butique com piso quadriculado (seria uma passarela?). Quinta à noite, voltando a pé para casa, fotografei a curiosa – e antiga – luminária que fica na praça em frente à Cecília Meireles. Na sexta, passei pelas exposições de fotografias do Centro Cultural da Justiça Federal (recomendo), de onde vêm os dois retratos feitos pelo Gustavo Malheiros.
O tapetinho (com pé de menino pisando nele) é da casa da amiga. O prato vegan é do Tempeh e as flores, colocadas num jarro sobre a mesa aqui de casa, são as tais que compramos na feira.
27 de julho de 2009
Seqüestro falso, descaso verdadeiro
Por Luiz Bello
Tenho, pelo menos, seis ou sete amigos que foram alvo desse golpe fajuto, via telefone celular. O leitor, provavelmente, deve conhecer outros tantos. As pessoas já estão até levando na brincadeira, mas o assunto fica sério quando um idoso atende o telefonema e, coincidentemente, o suposto seqüestrado se encontra momentaneamente fora de contato. Foi o que ocorreu com uma jornalista amiga nossa. Seus pais, ambos com mais de 70 anos de idade, receberam o telefonema dos falsos “seqüestradores” na manhã do último domingo, mas somente conseguiram confirmar que filha e netos estavam a salvo no meio da tarde, depois de muitas lágrimas e sofrimento. Nossa queridíssima amiga se encontrava bem, mas passava o fim de semana em um local onde seus dois celulares não funcionavam.
Dizem que a maioria desses golpistas já está nas prisões. Usam pessoas sem importância, aqui fora, para recolher o dinheiro dos eventuais incautos que acreditam nas ameaças e acabam por atender suas exigências. Outra amiga minha teve o sangue frio – e a paciência – de ir até a uma delegacia enquanto mantinha contato com os “seqüestradores”. Foi bem atendida, por sinal. Uma policial disfarçada assumiu seu lugar ao telefone e marcou encontro com os bandidos. Acabaram prendendo um casal de pés de chinelo. Em seguida, confirmaram que os mandantes do golpe estavam num presídio carioca.
Cabe perguntar: porque é tão fácil falar ao celular de dentro de um presídio? Por que as autoridades não conseguem controlar o cotidiano de bandidos perigosíssimos, condenados pela Justiça, sob a custódia do Estado? E por que as operadoras não assumem nenhuma responsabilidade sobre os crimes que bandidos confinados praticam através dos celulares? Por trás da suposta modernidade de nossa telefonia pós-privatização estão tarifas exorbitantes, atendimento péssimo aos usuários, falhas de cobertura e panes cada vez mais freqüentes. Mas nem vou falar mal da privatização, porque o Estado, que deveria fiscalizar tudo isso, é omisso. Agências reguladoras e ministérios estão na mão de “políticos da base aliada”, que nada entendem do assunto e só querem saber de dar emprego a seus cabos eleitorais e arrumar negócios para empreiteiros patrocinadores.
Aliás, se o Estado não consegue controlar nem a corrupção dentro do seu próprio sistema penal, o que o Estado controla, afinal? Mas o que cabe mesmo, pelo menos aos olhos de um leigo meio puto da vida com essa estória toda é: processar. Por que não meter Estado, Anatel, operadoras, Desipe e quem mais vier na Justiça? É preciso começar a incomodar os “responsáveis”, porque enquanto for fácil e barato fechar os olhos para essa tragicomédia subdesenvolvida, eles não vão se coçar.
27 de julho de 2009
Mal necessário, mas não para o seu bico
Esta semana, nosso intrépido Arnaldo Branco conjura até Bárbara Heliodora para falar de quem desdenha do popular mas não enxerga sua própria superficialidade. Leia aqui e não perca: amanhã tem Fotodiário celular HK; quarta, Bolo de Rolo; quinta, Luce e sexta, Grossericatessen.
27 de julho de 2009
Baixo elitismo
Por Arnaldo Branco
Não lembro que mãe de jogador de futebol em ascensão, ainda não desfrutando as benesses de um filho ganhando em (como diria o Vicente Mateus) Eurodólares, declarou que na casa dela só tinha Skol porque Itaipava era cerveja de pobre.
Lembrei disso porque li esse texto sobre Som & Fúria, minissérie da Globo, mais um dos empreendimentos legais da emissora para se desculpar pelo Caldeirão do Huck. É verdade que é uma versão frame a frame do original inglês, com perdas irreparáveis na tradução (”Hamlet não é Tommy!” virou “Hamlet não é festa de fim de ano”, nenhum sentido) mas mesmo assim, bem bacana.
O que é bem mais do que posso dizer do texto em questão. Alguns destaques: o despropósito de sugerir segmentação de público na TV aberta, a contradição de um usuário do twitter em dizer que a ferramenta é prova da decadência da comunicação humana e a bobagem de usar comentários isolados para apontar um suposto índice de rejeição à série. Talvez esse rapaz Cimino devesse usar sua sugestão a respeito de segmentação em sua própria página no twitter.
Mas o maior flagrante é o tom “não é para o seu bico”, que trai um elitismo de pobre bem típico do nosso classemedismo cultural, em que o fracasso dos nossos artistas é explicado pelo mau gosto do público que “não sabe o que é bom”. E os artistas e a crítica, que teoricamente sabem, podem continuar achando que o ruído na comunicação está no cérebro do interlocutor e não fazendo nada para reduzir seu efeito.
É verdade que temos altos níveis de analfabetismo funcional, mas é do jogo e lidar com o problema é bem melhor que ignorar o assunto e torcer o nariz pro ibope. O cara não percebe o disparate de pedir que as emissoras não subestimem a inteligência do público fazendo a mesma coisa.
Nessas horas dá vontade de fazer como o Woody Allen naquela cena famosa e tirar a Barbara Heliodora detrás de uma pilastra para espetar o indicador no peitoral do articulista: “O que tu manja de Shakespeare, camaradinha?” Se é para bater competição de quem está mais habilitado para aproveitar a obra do cara…
26 de julho de 2009
Manguenauta
Confira aí em cima como foi a performance “In-Margens nº 1: Lunatic”, de Biagio, na segunda-feira passada, dia dos 40 anos no homem na Lua, no Recife. A produção é de Rose Lima e Milena Andrade.



























