30 de maio de 2009

Por Luiz Henriques
Um supercomputador controla uma sociedade de gente passiva (epa!), onde qualquer dissidência é punida com uma morte bizarra. Completamente dependentes da máquina, as pessoas perderam sua criatividade e sua vontade, e sua única esperança está em um superagente estrangeiro ousado e aventureiro, que desafia o cérebro eletrônico com jogos de palavras. Epa, peraí, da última vez em que eu vi essa história ela se chamava “Alphaville” e era um clássico sci-fi da Nouvelle Vague!
É a segunda vez (a primeira foi com “O estranho Charlie”) que “Jornada nas estrelas” se apropria claramente de um marco recente (à época) da ficção científica, e talvez não por coincidência, “A hora rubra” é a segunda trama engendrada por Gene Roddenberry, embora ambos os roteiros finais tenham sido redigidos por outros. Apesar de ser o criador da franquia e já ter no currículo montes de scripts pra televisão, alguns críticos põem Roddenberry entre os piores escritores do seriado – ou pelo menos de suas primeiras duas temporadas (a terceira é confessadamente um lixo em quase sua totalidade).
Sendo “Alphaville” uma obra-prima de Godard e “A hora rubra” um programa de tevê americano, Roddenberry despe o primeiro de poesia, estilo, angústia, existencialismo e diálogos curtos e cínicos e até de seu futurismo. Por óbvias razões orçamentárias, a cidade dominada pelo cérebro eletrônico tem um aspecto de século XIX da Terra, o que permite filmar em um cenário dos muitos seriados de bangue-bangue da época, aproveitando também os figurinos. Por algum motivo inexplicado, entretanto, na primeira e instigante cena, Sulu apareça trajado como se foragido da Guerra da Independência americana, com o chapéu dele tendo três pontas, tendo três pontas o chapéu dele, se não tivesse três pontas não seria o seu chapéu. (continua aqui)
leia mais…
Publicado em BLOG, Recanto nerd, Star Trek, TV | 1 comentário »
30 de maio de 2009
Eles tinham essas caras em 88 e essas aqui em 2007. Vão abrir o show de Neil Young, no encerramento do festival da Ilha de Wight, em junho próximo. Será outra reedição de um evento onde, entre 1968 e 1970, se apresentaram The Doors, The Who, JethroTull, Bob Dylan e Jimi Hendrix, entre outros. Aliás, em 70, segundo a impávida wikipédia, Caetano, Gil e Gal fizeram “uma apresentação improvisada na abertura do segundo dia do festival”.
Bem, Neil Young escreveu “Hey hey my my” (1979) para tentar desmentir a profecia de Johnny Rotten sobre o fim do Rock. Vai ser irônico ver o dinossauro canadense, que esteve em Woodstock, entrar no palco logo depois dos pós punks Pixies, idolos de Nirvana e companhia. Pra fazer chorar até o Zé…
Publicado em BLOG, Música, Uma canção ao cair da tarde | Nenhum comentário »
29 de maio de 2009

Por Luiz Henriques
Delinquência juvenil espacial onipotente parece ser um problema sério na Via Láctea do século XXIII. Pelo menos é o que se depreende de “O senhor de Gothos”, exibido pela primeira vez cinco meses depois de “O estranho Charlie”. Em ambos uma criança mimada com superpoderes arma o maior auê na Enterprise até que seus pais venham levá-lo de volta puxando-o pela orelha, justo na hora em que o capitão Kirk (quem mais?) está lhes ensinando o que significa ser homem.
A fartura americana do pós-guerra, que transformou os Estados Unidos numa enorme nação de classe média criou a famosa cultura suburbana dos anos 50. Subúrbios lá, como os leitores devem saber, de comum com os nossos só o fato de serem longe do centro. Buscando escapar do cada vez mais desordenado crescimento das massacrantes megalópoles, a família média estadunidense se mudou para bucólicos condomínios de casinhas com cerquinhas brancas longe de toda aquela complicação barulhenta das cidades. Só que também longe do convívio com outros tipos de pessoas, longe do comércio variado, longe de bibliotecas, teatros, cafés, restaurantes, botequins… enfim, já deu pra pegar o quadro.
Embora a liberação feminina ainda fosse incipiente (trabalhar fora pra substituir os homens nas linhas de montagens pra guerra foi fundamental pras mulheres se tornarem mais independentes), já havia mães que trabalhavam fora, ou simplesmente tinham mais o que fazer do que comprometer tudo em sua vida em favor do lar e das crianças. Empregadas e eletrodomésticos estavam disponíveis pra cuidar da casa e a televisão pra tomar conta da garotada. E com dinheiro e tempo sobrando, a preocupação das mães em terem mais lazer e atividades pra si mesmas aumentou. (continua aqui)
leia mais…
Publicado em BLOG, Recanto nerd, Star Trek, TV | 1 comentário »
29 de maio de 2009

Em sua nona edição, o Cineclube LGBT exibe hoje, a partir das 21h, no Odeon, o programa especial do Femina - Festival Internacional de Cinema Feminino. São cinco filmes de diferentes países: “Dias brancos”, de Débora Giammarini (Argentina), “Minha primavera com salto” (Mon printemps talons hauts, França, foto), de Viva Delorme Origina, “Dançando para a felicidade” (”Tanz ins Glück, Suíça), de Barbara Seiler, “Twende”, de Lindsay Sanner (Noruega), e “Homo baby boom” (Espanha), de Anna Boluda. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia).
Publicado em BLOG, Cineclubes | Nenhum comentário »
29 de maio de 2009
Amanhã tem show do Zémaria em Vitória (no Clube Centenário, na Praia do Canto, às 22h) e eu estou indo lá só por causa disso - é só dar uma olhada no vídeo acima para imaginar o porquê. Talvez só a Nação Zumbi seja tão profissa no palco quanto Sanny Lis, Marcel, Spon e Negoléo, que em julho tocam em Londres, Dublin e Sligo, na Irlanda. O quarteto também está preparando seu novo EP.
Publicado em BLOG, Show | Nenhum comentário »
28 de maio de 2009
Texto e ilustração: Toinho Castro

quando foi a última vez que vimos uma boa partida? quando foi a última vez que subimos à superfície e andamos pelas galerias do estádio? na minha gaveta ficam jogadas algumas fotos que registram nossa alegria, minha, do jamerson e do jadeir, assistindo a uma partida de futebol. hoje caminhamos pelos corredores escuros, onde apenas piscam luzes intermitentes, vermelhas, amarelas… caminhamos e mal esbarramos em alguém. ouvimos ecos da torcida logo acima, que nos ignora. sentimos um certo arrepio por sabermos, intuitivamente, que a bola raspou a trave, que noventa minutos ainda não definiram um jogo.
outro dia flagrei johnson, o filho de john, com a orelha pressionada contra uma parede, tenso, tentando escutar o desenrolar de um jogo da seleção brasileira que, segundo ele, se propagava em ondas desde a superfície até aquele ponto exato. — contra quem? perguntei. — não sei… estamos perdendo. de repente ele olhou para mim e falou:
— estou acompanhando esse jogo há três dias…
então ele me explicou que percebeu variações inexplicáveis em certos gráficos durante bombardeios regulares no coração do maracatron. mapeando o complexo em busca de distorções de realidade encontraram alguns pontos de reverberação, de onde emanavam sons que, aparentemente, provinham da superfície, do estádio, através de caminhos tortuosos pelos dutos e paredes, chegando apenas a alguns pontos milimétricos da estrutura ao nosso redor. nesses pontos, com estetoscópios, ou com o rudimentar método de colar a orelha contra a parede, podia-se escutar o desenrolar de uma partida, mais precisamente aquela partida entre o brasil e uma seleção desconhecida. esse looping dimensional já durava três dias, até onde se sabia.
deixei johnson “monitorando” o jogo e saí a procura do jadeir, aquele cínico. acabei por encontra-lo no controle central debruçado sobre os monitores, atento aos gráficos e númeors que se multiplicavam nas telas em busca dos pontos específicos que irradiavam aquele jogo bizarro.
— pelo visto não fui o único a encontrar o johnson…
— e você acha mesmo que eu precisaria encontrá-lo para saber que algo está fora do lugar?
— o que há por trás dessa jogo?
— o de sempre… o estagiário de sempre bombardeou a partícula errada com outra partícula errada de sempre e agora deve estar tomando café no 5º subsolo. como sempre. filho da mãe…
— se você quer destruir o mundo basta arrumar um estágio no lugar certo. como vamo sair dessa?
— quem disse que ele arrumou um estágio aqui?
enigmático, maldito enigmático. onde ele queria chegar?
— e agora… o que vamos fazer?
— temos que descobrir qual é o outro time e utilizar esse dado no reversor fatorial de neutrons. talvez assim a gente consiga anular o looping e acabar o jogo.
— mas a gente tá perdendo, jadeir. não podemos acabar agora.
— volte para a sua cela!
— nós não vivemos em celas aqui, jadeir… mas em alojamentos.
— chame como quiser… olha, vou dar uma chance pros palhaços. se esse jogo já dura três dias, a gente pode deixar rolar mais um pouco.
de repente escutamos a voz de johnson ecoando pelos corredores e salas:
— levamos mais um!
jadeir correu desesperado para pegar o reversor fatorial de neutrons e executou cálculos complexos que eu jamais esperaria ele que conhecesse. foi como se a minha mãe começasse a falar aramaico de uma hora pra outra.
— vamos acabar com esse merda agora! aposto que é a argentina!
jogou o “argentina” codificado e anagramatizado no reversor, que emitiu sinais e ruídos típicos de um reversor fatorial de neutrons. por fim um apito pareceu soar dentro da minha cabeça. caí ajoelhado…
— é o apito final… o apito final. — murmurou jadeir.
Publicado em MARACATRON | 1 comentário »
28 de maio de 2009
Por Eduardo Souza Lima

Eu bem que achei estranho chegar em Congonhas ontem à noite e encontrar o aeroporto vazio. Meu voo era das 22h, o último da TAM, mas assim que cheguei, bem antes do horário de embarque, a atendente se apressou em me embarcar. Quando entrei no avião, havia um princípio de revolta. O passageiro ao lado me contou que todos estavam presos lá dentro há pelo menos uma hora. Ninguém da companhia confirmou, mas a galera percebeu o que estava acontecendo: como o voo das 22h estava vazio, esperaram que os seus passageiros chegassem para embarcá-los no anterior - eu e mais uns três. Tinha criança chorando e gente com hora marcada no Rio, mas não adiantou reclamar. Quer dizer, quem reclamou ganhou essa cartãozinho aí em cima, onde se lia “Presidente online www.tam.com.br/Fax para o presidente 0800 123 900 (24 horas)/Fale com o presidente 0800 123 200 (de 2 a 6 feira - 08 as 15h)”, desse jeito aí mesmo, sem ao menos o e-mail do sujeito e sem crase. Imagino o próprio comandante David Barioni Neto atendendo o consumidor ao telefone e prontamente se botando à disposição para ressarcir seu eventual prejuízo - clicando na foto dá pra sacar o seu sorriso acolhedor. Eu mesmo só não liguei pra ele ainda porque sou preguiçoso.
Publicado em BLOG, Chamando na chincha | 2 Comentários »
28 de maio de 2009

Por Luiz Henriques
Depois de muita doideira, de encarar a inteligência artificial, o medo de envelhecer, velhas mágoas e ressentimentos, as neuroses que se escondem por trás de um comportamento profissional, as fronteiras entre realidade e percepção e até mesmo um submarino espacial, a galera da Enterprise repete a situação da estreia com outro monstro alienígena assassino. Mas desta vez ele não tem a aparência de belas mulheres e grandes amores do passado. Este, afinal, é o episódio em que no meio do caminho de Kirk e seus comandados tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho deles, uma pedra no meio do caminho deles tinha.
Num planeta que é um gigantesco depósito de minerais, mas difícil de explorar, equipamento começa a ser roubado e depois mineiros começam a virar cinzas fumegantes. A Enterprise chega para investigar, já que precisam dos recursos estratégicos de lá e logo um sujeito de camisa vermelha vira uma manchinha no chão. A caça aperta, Kirk e Spock descobrem que a criatura parece um rochedo vivo e é preciso muito, mas muito phaser para feri-la. (continua aqui)
leia mais…
Publicado em BLOG, Recanto nerd, Star Trek, TV | Nenhum comentário »
27 de maio de 2009

Está em O Dia desta quarta-feira (página 9), mas só na edição de papel: A 14ª Federal do Rio de Janeiro decidiu que o Canecão tem dois meses para cair fora do terreno da UFRJ. Além de obrigar o senhor Nelson Priolli a retirar os seus tapumes dali, a Justiça determinou que ele terá de indenizar a universidade em mais de R$ 4 milhões. Deve ser fácil manter um empreendimento tão lucrativo, numa das melhores localizações da cidade, sem pagar aluguel, não é mesmo?
A reitoria da UFRJ já revelou à Zé Pereira que pretende manter um centro cultural no local indevidamente ocupado pelo Canecão, que sublocou aquele espaço de outra invasora: a Associação dos Servidores Civis do Brasil. Cabe uma pergunta, porque somente o Dia publicou a notícia?
Publicado em BLOG, Da redação | 1 comentário »
27 de maio de 2009

O Cachaça Cinema Clube de hoje leva ao Odeon, às 21h, o novo cinema português, representado por três curtas de jovens diretores da terrinha: “Perímetro”, de Miguel Seabra Lopes, “A serpente”, de Sandro Aguilar, e “Lost in art: looking for Wittgenstein”, (foto) de Luís Alves de Matos e João Louro. Completa a sessão um filme surpresa, do mais radical cineasta luso. Depois dos curtas, rola show com Negro Léo e Trio Extraordinário e festa com DJ H. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Publicado em BLOG, Cineclubes, Cinema | Nenhum comentário »
27 de maio de 2009

RASTROS DE ÓDIO
(”The searchers”, John Ford, EUA, 1956)
Por Luiz Henriques
Láááá nos anos 80, quando o pessoal que gostava da sétima arte ainda sabia quem eram Rossellini, Antonioni e Resnais, e ainda não era moderno achar Nouvelle Vague e Cinema Novo chatos, o filme mais bem cotado de John Ford era “No tempo das diligências”. Hoje em dia as poucas pessoas, normalmente mais velhas, que ainda assistem às fitas do genial diretor ídolo de gente como Bergman, Welles e Kurosawa, apreciam mais histórias com personagens com um lado obscuro e, por que não dizer, uma certa sociopatia, o que levou “Rastros de ódio” a ultrapassar seu primo em preto-e-branco e encabeçar a (longa) lista de obras-primas fundamentais da tela grande dirigidas pelo caolho fake (1).
“No tempo das diligências” ressuscitou o moribundo bangue-bangue, formatou um modelo que seria seguido pelo gênero, inclusive na tevê, até o surgimento de Leone e Peckinpah, e é tão perfeito no uso da linguagem cinematográfica que Orson Welles conta que, para aprender o ofício de diretor, assistiu-o dezenas de vezes. Aí saiu da cabine e foi fazer “Cidadão Kane”. Rosebud! O blogueiro, entretanto, é cria dos anos 80 e, crescendo com os agoniados antieróis (brincadeirinha, é anti-heróis mesmo) dos filmes “noir” então tão em voga, tem como seu favorito de Ford (ao lado de “Vinhas da ira” e “Paixão dos fortes”) a doentia saga de Ethan Edwards. (continua aqui)
leia mais…
Publicado em BLOG, Blogue Sem Lei, Cinema | Nenhum comentário »
27 de maio de 2009

Por Antônio Rogério da Silva
Embora seja uma nave militar, não são raras as falhas de segurança existentes na Enterprise, da série original de “Jornada nas estrelas”. Fosse o controle mais severo, poucas histórias preencheriam o tempo de um episódio. Pode-se talvez creditar essas brechas ao caráter liberal da tripulação e seus comandantes, que pressupõem que todos cumprirão seus deveres sem precisar da ordem de ninguém. O certo é que os erros de procedimentos são responsáveis pelos desdobramentos de várias histórias em todas suas temporadas.

O contraste entre essa postura de franca confiança e uma conduta mais rigorosa de controle fica evidente no capítulo intitulado “O punhal imaginário”. Depois de ter abastecido e trocado encomendas com a colônia penal do planeta Tantalus, sobe a bordo um passageiro clandestino fugitivo daquele presídio. Logo se descobre tratar do Dr. Simon van Gelder (Morgan Woodward), assistente do famoso cientista Dr. Tristan Adams (James Gregory), diretor da prisão – outro maluco como o Dr. Roger Korby de “E as meninas, de que são feitas?”. Uma vez capturado, o fugitivo transtornado informa fatos contraditórios que forçam o Capitão Kirk (William Shatner) a investigá-los, em Tantalus, acompanhado apenas pela bela psicóloga de bordo, Helen Noel (Marianna Hill), com quem já tivera um rápido romance numa noite de natal. (continua aqui)
leia mais…
Publicado em BLOG, Recanto nerd, Star Trek, TV | Nenhum comentário »