30 de abril de 2009

“Como e por que você fez isso?”

Realizadores dos filmes exibidos na terceira noite do XIII Cine PE dão a cara pra bater

Texto: Dandara Palankof
Fotos: Rose Lima

Hoje, ninguém faltou: estavam lá todos os diretores de todos os curtas exibidos na terceira noite do XIII Cine PE. Uma noite lamentável, mas ninguém comentou os estranhos eventos ocorridos. Era hora de voltar a falar de cinema. Para isso compareceram à coletiva os diretores Diego Trajano e Lucas Fitipaldi (“Um artilheiro no meu coração”), Inês Cardoso (“Cocais - A cidade reinventada”), Renata Terra e Paula Szutan (“Teresa”) e Armando Praça (“A mulher biônica”), junto com sua protagonista Ceronha Pontes.

E então, abrem-se as cortinas. Literalmente: a energia elétrica faltou novamente no hotel, pela terceira vez em dois dias. Aposto que todos os que estavam filmando a conversa ficaram aliviados de terem carregado as baterias de seus equipamentos com antecedência.

Quem acabou se destacando no bate-papo desta manhã foi Inês Cardoso. Ao contar em “Cocais” a história de uma cidade no interior de São Paulo que ela definiu como uma declarada “comunidade da exclusão”, a diretora gerou curiosidade sobre o que realmente acontece ali, e como foi seu processo de registro da vida em uma cidade-manicômio.

— É uma cidade que, antes de 1970, abrigava leprosos; agora, é um manicômio para cerca de 800 pacientes e 1.400 funcionários públicos que administram o lugar e tomam conta deles — contou a cineasta ao ser perguntada pelo figuraça Cavi (se não sabe quem é, não tá lendo a nossa cobertura!) — Visitei a cidade durante um ano, em um processo de imersão no cotidiano do lugar.

O que não quer dizer que Inês não tenha causado nenhuma intervenção. Pelo contrário: o filme foi todo pensado, segundo ela, em assembléias com os moradores-pacientes. E que a cidade, apesar de ter toda uma estrutura que inclui um estádio, cinema, salões de baile, é extremamente morosa. Os lugares citados são mal cuidados, quando não abandonados. Sendo assim, o que eles mais queriam era festa. E assim o foi.

— Foi um trabalho de produção cansativo, mas muito gratificante. E não só os moradores se envolviam, mas também os funcionários. Criamos uma escola de samba que agora desfila todo ano na cidade vizinha. — continuou Inês. — Fizemos a primeira festa junina da cidade a ser aberta às pessoas de fora em 40 anos. Iluminamos toda a cidade, chamamos grupos de música e ensaiamos uma quadrilha por dois meses.

Quando questionada sobre sua experiência de imersão na comunidade não ter sido integralmente transmitida para a tela, Inês ponderou sobre o fato de que o material era vasto.

— A montagem acabou se tornando uma coisa complicada. Muita coisa pra mostrar, e tive que me decidir entre me aprofundar em alguns personagens ou tentar mostrar a comunidade como um todo. Além disso, talvez eu tenha me deixado envolver demais. Pode não ter havido o distanciamento necessário — concluiu a cineasta.

Já Renata Terra e Paula Szutan contaram que seu “Teresa” nasceu em um curso de roteiro, de um exercício em que precisavam desenvolver uma sinopse a partir de uma foto. Escolheram uma fotografia de Sebastião Salgado, tirada no Terminal Rodoviário do Tietê (na capital paulista), e assim nasceu a personagem que vive o sonho de sua espera chegar ao fim. Foi destacada a fotografia da película, que as diretoras afirmaram ter sido pensada para destacar o caráter ilusório e flutuante da vida da personagem. Paula revelou uma curiosidade: o efeito de granulação no filme foi conseguido com uma lente quebrada.

Já em “A mulher biônica”, Armando Praça disse que seu intento ao adaptar o conto “Creme de alface” (de Caio Fernando Abreu) era criar um balanço entre certa crueza documental e um quê de exagero ao estilo Almodóvar, mas sem descambar para a caricatura.

— Demos muita liberdade para o elenco improvisar, e nas locações fechadas, fizemos a iluminação de forma que pudéssemos mudar o plano sem ter que deslocar todo o maquinário, e assim, sem precisar interrompê-las — conta o diretor.

Já Maurício Rizzo vai ter que agüentar por muito tempo a pergunta: “Você escolheu o protagonista Bruno Mazzeo por conta da sitcom “Cilada”, do Multishow?”. E provavelmente vai responder sempre assim:

— Não. Fizemos o filme antes da idéia da série surgir, e o roteiro estava pronto dois anos antes das filmagens.

Mas vá, Rizzo, não reclame. Propaganda nunca é demais. Já o pessoal de “Artilheiro (…)” disse que a intenção era só resgatar um cara que está sendo esquecido, e que isso não podia acontecer. Ainda disseram que estão tentando transformar o filme em um média-metragem para a TV, já que ainda tem muito material que ficou de fora. (continua aqui)

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30 de abril de 2009

CAZÁ, CAZÁ, CAZÁ!

O Sport ganhou, mas o Cine PE…

Por Eva Jofilsan
Fotos de divulgação

Quarta-feira, dia 29 de abril de 2009. E qual a importância dessa data? Terceiro dia do Cine PE, claro. Também, também. Mas para o público e (infelizmente) para alguns realizadores e produtores essa não pareceu ser a razão mais importante. Quarta-feira, 29 de abril: jogo do Sport x LDU. E Quem quer saber de cinema quando se tem Sport x LDU, não é verdade?

O diálogo entre futebol e cinema proposto por um dos diretores do curta “Um artilheiro no meu coração” não foi só considerado, foi acatado…: na praça de alimentação do Centro de Convenções, o telão montado para passar o jogo roubou a cena, mantendo todos os “sportistas” de plantão vidrados com suas latinhas de cerveja na mão em detrimento das sessões dos longas da noite – a essas alturas a praça de alimentação parecia mais uma churrascaria em um domingo de clássico.
Uma atitude impressionante dentro de um festival de cinema: segmentar o próprio público e prejudicar a exibição dos outros realizadores que estavam alheios ao futebol e principalmente ao Sport. Uma atitude que terminou afetando a integridade do festival.

Considerações e revoltas à parte, vamos aos curtas metragens do terceiro dia de Cine PE.

Realizado para um trabalho de conclusão de curso (o temido TCC), “Um artilheiro no meu coração” (foto), dos diretores Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis, tem como mote a carreira de Ademir Marques de Menezes, craque das décadas de 40 e 50 que chegou a levar o Brasil para uma Copa do Mundo, no entanto hoje tem o seu nome esquecido pela História. Um documentário que segue bem aqueles modelos de documentário clássico – muitas imagens de arquivo e depoimentos de pessoas que foram próximas ou que conheceram e admiravam o craque Ademir. Até a trajetória dos fatos foi cronológica: tendo uma introdução rápida sobre o assunto (sobre como todos vão falar bem do cara), passando pelas diferentes épocas da sua carreira até aos dias de hoje. Tudo bem, deu certo.
A aceitação do público foi ótima, porém totalmente passional. A maior prova foi no final, quando algum ser humano puxou um “cazá, cazá, cazá!” para a revolta do alvirubros do local. Futebol realmente é o ópio do homem.

Tive pena do realizador seguinte que pediu, no discurso antes da sessão, um pouco da paciência do público antes de se retirarem para assistir ao jogo:

- Só não saiam antes de assistir ao meu filme.

Maurício Rizzo, diretor do curta em digital “Quintas intenções” deve ter visto sua oportunidade de exibição para uma sala lotada diminuir consideravelmente depois de tanta frenesi. Mas as pessoas se acalmaram e assistiram ao seu filme sem tanto rebuliço. Graças!
“Quintas intenções” é um diálogo constrangedor entre dois amigos de faculdade que se reencontram depois de alguns anos – semi-conhecidos sempre causam pânico. Para ambas as partes. Sendo uma comédia para ser levado a sério (palavras do próprio diretor), sair intacto, totalmente intacto desse filme é difícil. No mínimo você esboça um “que merda!”. Tenho apreço por filmes que são idiotas e se mostram como tal, sem falsos conceitos ou blábláblá. É mais digno assumir o filme como um produto de entretenimento do que buscar conceitos depois de finalizá-lo. (continua aqui)

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30 de abril de 2009

A turma é mesmo tosca

Pasmem: quem roubou a cena na terceira noite do XIII Cine PE foi LDU x Sport

Texto: Dandara Palankof
Fotos: Rose Lima

Pensei que seguiríamos a mesma rotina da noite anterior; que as esperanças de novidades só se renovariam na noite de quinta-feira, véspera de feriado e que poderia pelo menos lotar um pouco mais o lugar. Tudo começou já se esperava: a fila pequena, a praça de alimentação cara, o hall do jabá parado e desinteressante, a sala ainda se enchendo ao início da sessão. Sensação totalmente enganadora. A maior surpresa ainda estaria por vir. Não que ela fosse boa.

Graça Araújo (não, não vou falar do vestido dela hoje), como de praxe, adentrou o palco após a sempre tediosa apresentação dos spots de patrocinadores, apoiadores e afins. Como sempre, chamou um por um os realizadores dos curtas-metragens para apresentarem seus filme. Tudo como dantes no quartel de abrantes, diria minha mãe.

Mas como o primeiro curta, “Artilheiro do Meu Coração”, era sobre futebol (alguém aí conhece Ademir “Queixada” de Menezes?), não dava pra ficar sem a paixão. Subiram ao palco os diretores Diego Trajano, Lucas Fittipaldi e Mellyna Reis; e aí, além do já clichê discurso sobre o resgate da memória, que nós, brasileiros, insistimos em deixar se perder, ainda teve:

— Futebol e cinema podem andar juntos, sim! Não tem nada de brega!

Esse menino deve ter ouvido muita gracinha de jornalista pedante de oclinho quadrado (o filme é resultado de um TCC). Mas anda mal informado, já que filmes envolvendo futebol são cada vez mais comuns; O documentário “Fiel”, de Andrea Pasquini, por exemplo, recentemente entrou em cartaz no circuito comercial. O problema mesmo é que tudo isso acabou com o melhor das apresentações, nas últimas duas noites: o fato de os realizadores serem sucintos em suas apresentações e deixarem histórias, emoções e apresentações para quem quiser ouvir na coletiva do dia seguinte. Na sessão, o que importa é o filme.

Foi aí que Graça resolve dizer que Sport e Náutico, os maiores times da terrinha, estariam passando por jogos importantes naquela noite. “Que nada a ver dizer isso aqui”, pensa a incauta signatária deste texto. Daí ela diz algo mais baixo, que não consigo entender. Algo terminando com “ão”. Deixei pra lá. Não devia ser nada importante.

Logo depois, os outros diretores voltaram a ter bom senso e apresentaram suas obras rapidamente, como convém ao evento. Começa então a sessão, na sala às escuras. Quer dizer, na maior parte do tempo. Porque a incrível equipe do Canal Brasil chegou e teve a idéia mais incrível ainda de ligar refletores em nossas caras, vez ou outra, pra fazer tomadas no meio das exibições. Assim, no meio da sala. Sem nem ao menos procurar um ângulo que não atrapalhasse os espectadores. Mas isso? Fichinha. (continua aqui)

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30 de abril de 2009

Mais do mesmo

Sabatina da Folha de S. Paulo com Costa-Gavras trouxe poucas novidades com relação à coletiva do dia anterior

Texto: Dandara Palankof
Foto: Rose Lima

Para uma sala semi-lotada e com suas indefectíveis meias vermelhas, o cineasta franco-grego Costa-Gavras concluiu mais uma etapa de sua visita ao Brasil, numa das “tradicionais” sabatinas do jornal “Folha de S. Paulo”, especialmente realizada em um outro estado. Os jornalistas que “sabatinaram” costa foram Inácio Araújo (crítico de cinema), Silvana Arantes (repórter do caderno “Folha Ilustrada”) e Alcino Leite (editor de moda e cinéfilo, que mandar o cara pra falar das meias vermelhas de Costa seria demais).

Após uma breve introdução do diretor, que ao contrário de todas as suas outras aparições, estava sem sua produtora e esposa, Michelle Gavras, Leite apresentou Costa como um realizador que conseguia, com maestria, unir temas históricos a tramas envolventes, mas sem ceder a emoções fáceis, semeando mais dúvidas do que certezas. Foi quando a energia elétrica do lugar caiu. Pela segunda vez no dia. Veja só o que é um bando de câmera e computador num hotel só.

Mas o re-estabelecimento foi até rápido. Daí então começaram as perguntas, primeiro exclusivamente dos jornalistas, depois do público; mas escritas num papel e lidas por Leite sem identificação do autor. Vai que alguma pergunta era melhor que as deles, não é? A sabatina era deles!

De qualquer forma, muita coisa repetiu-se da coletiva de imprensa que Costa havia dado na tarde anterior (e você conferiu aqui na Zé Pereira); algumas coisas pareciam ter se perdido na tradução, porque por vezes o diretor se perdia nas perguntas que, mesmo com base em seus filmes, continham pontos mais específicos, e acabava focando-se apenas nas referências às obras. Acompanhe, então, aqui, o que mais se destacou na tarde de ontem, no melhor estilo P/R.

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30 de abril de 2009

Carta pela vida… pelo tempo

Por Victor Cyreno

Caro leitor,

 

Gostaria de ser breve com esse texto. Sou partidário da função pedagógica do cinema e, portanto, um entusiasta dos novos realizadores. Todavia, a partir desta data, repensarei meus conceitos. Escrevo este relato de uma sala cinema, onde, acompanhado de alguns outros poucos “heróis da resistência”, tento presenciar uma tortura a qualquer amante da arte cinematográfica. Estou na XIII edição do Cine-PE, um dos mais importantes do país, e a obra que me refiro chama-se “Pela Vida… Pelo Tempo”, do diretor Wilson Freire, uma realização do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco.
Gostaria de ser breve nos comentários para esse vídeo. Felizmente, acredito que um texto mais curto, além de resguardar a minha ainda recente “ética profissional”, será suficiente para descrever o quão desagradável foi perder uma hora e vinte minutos da minha vida na sala deste grande festival de cinema.

Antes de qualquer coisa, gostaria de apresentar, apenas com ilustração daquilo que presenciei, uma pequena discussão acerca da obra.

 

O enredo deste longa acompanha a trajetória de 40 anos de vida de uma garota do interior do estado de Pernambuco. Durante todo o curso da história, a jovem vive todo o tipo de mazelas (clichês) que se pode imaginar. Vida no semi-árido, exploração infantil, perseguição política, prostituição e pobreza estão entre os temas tratados através de uma poesia barata e uma narrativa sem pé nem cabeça. Em boa parte do tempo, temos uma visão ultrarreal dos acontecimentos, que, instantaneamente, se transformam em divagações despropositadas e desconexas, poesia e representações fantasiosas de personagens do imaginário pernambucano.

Infelizmente, os clichês não estão apenas na temática. Desde a fotografia (composta de planos estranhos, sequências mal enquadradas, entre outros amadorismos), passando pela direção de arte (simplória e mal dirigida), e chegando finalmente na montagem (recheada com os efeitos daqueles programinhas de edição de vídeo caseiro), esta “obra” está mergulhada em lugares comuns e elementos que, confesso, depois de tanto me irritarem, começaram a me estimular gargalhadas involuntárias e nervosas.

 

Feito um compacto do que minha função realmente exige, peço permissão para voltar ao meu apelo.
A minha crítica neste texto não vai para os realizadores do longa. Acredito que, sendo verdadeiramente produto de um projeto da sociedade médica, a obra tinha a melhor das intenções. E por que não sonhar alto e tentar levar o resultado final ao “melhor público de cinema do estado?” Desta forma, compreendo a intenção de todos os idealizadores de presenciar seu produto na tela grande.

Desta vez meu “julgamento” (se assim, neste momento, permito classificar) vai à curadoria e à produção do Cine-PE Festival do Audiovisual. Como vocês devem bem saber, o estado de Pernambuco possui uma profunda tradição na produção e no fomento da arte cinematográfica. É um verdadeiro acinte ao público que uma obra tão primária como a referida acima esteja competindo sob a categoria de “Mostra Pernambuco – Competitiva de Longas”. Impossível acreditar na não existência de títulos mais profissionais para serem exibidos no amplo Teatro dos Guararapes (que no momento, tirando eu e os já citados heróis da resistência, estava entregue às moscas).

Finalizo esta carta de protesto reiterando a capacidade pedagógica do cinema. Reiterando que a melhor forma de acertar é através do erro. E, por fim, reiterando que os cinéfilos de plantão buscam um festival onde possam apreciar o bom cinema.

 

Atenciosamente,
Jovem e desolado (cine)repórter.

 

30 de abril de 2009

“O que manda na música é a rima”

Cinebiografia revela poesia do compositor paulista Paulo Vanzolini

Por Victor Cyreno
Foto de divulgação

Paulo Emílio Vanzolini é formado nas ciências da saúde. Doutorado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, é considerado um dos maiores pesquisadores do país, sendo o responsável por aumentar consideravelmente o acervo de répteis do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Com esse currículo, umas fotografias, e mais alguns depoimentos, já teríamos caldo para um bom documentário. Mas o que aconteceria se esse personagem, além de grande figura acadêmica, fosse o compositor de obras ícones da música brasileira como “Ronda”, “Praça Clóvis”, e “Volta por cima”? Quem apostou nessa idéia foi o diretor Ricardo Dias, que recentemente lançou seu mais novo filme, “Um homem de moral”. Parece que ele se deu bem.

O longa retoma a história de Paulo Vanzolini através das palavras do próprio personagem, uma escolha muito sábia visto tamanha a simpatia do cientista-compositor. Todavia, a narrativa foi construída não apenas na vida de Vanzolini, mas também na história de suas composições mais célebres, e sua execução por uma equipe de músicos competentes, para o deleite dos espectadores. O time responsável pela interpretação vocal conta com a presença de medalhões da música brasileira como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Inezita Barrozo, Miúcha, Martinho da Vila, entre outros.

A montagem e a fotografia são os fios condutores desta viagem. Imagens que inspiraram o compositor se fundem com seus vários depoimentos. Estes, por sua vez, dialogam com uma espécie de “making of” da coletânea de discos do compositor. Por fim, durante a gravação das músicas, o som e a imagem se integram a uma apresentação real, com direito a palco, iluminação, público, e tudo mais que temos direito.

É realmente um show à parte assistir ao velho Paulo descrevendo as peripécias vividas durante o processo criativo das obras musicais. Se suas histórias prendem a atenção, o sorrir meio engasgado, de tão gentil, emociona aqueles que acompanham a música do artista.

Todavia, mesmo recheado de nostalgia e samba, há alguns pontos na produção para se considerar. Primeiramente esta é uma película de público bem definido. Foi interessante observar isso na sala durante a projeção. Durante sua primeira metade do filme, todos tinham nos rostos um olhar atento e, junto a sorrisos, cantavam as letras das canções mais conhecidas. Porém, da segunda metade em diante, enquanto os jovens já estavam cansados de uma montagem ao estilo “4-4-2” (imagem de apoio + depoimento + making of + show), os mais “experientes” dançavam nas poltronas com direito a dedinhos para cima, quase um baile de carnaval.

Por fim, o filme possui alguns momentos onde a sincronia entre o cantor e canção está comprometida. Às vezes durante as apresentações, às vezes durante o ensaio, essa pequena diferença atrapalha o espectador mais envolvido com a diversão de acompanhar o intérprete na execução da música – o velho karaokê.

Esses pequenos equívocos incomodam um pouco, mas não comprometem o resultado final. Afinal, como o próprio Paulo Vanzolini diz:

- O que manda na música é a rima. Não o ritmo musical, é o ritmo do texto.

29 de abril de 2009

E então, crianças, o que acharam?

Realizadores debatem filmes exibidos na segunda noite do XIII Cine PE

Texto: Dandara Palankof
Foto: Rose Lima

Estiveram presentes na coletiva dos curtas os diretores Glauco Kuhnert (“Teteco”), Luiz Joaquim (“Eiffel”), Michelline Helena (“6.5 Megapixels”), Gracielly Dias (“Selos”), Cavi Borges e Gustavo Melo (“Distração de Ivan”). Mas foi sentida a ausência do badalado Tião (de “O Muro”), que não ficou sabendo da mudança de horário da coletiva. Ainda assim, não comprometeu a conversa, que rendeu bastante.

O papo com os realizadores dos curtas girou basicamente em torno de duas figuras. A primeira foi o crítico, e agora também cineasta Luiz Joaquim (o primeiro à esquerda). O debate cresceu em torno de seu filme, “Eiffel”, que trata da construção das “torres gêmeas recifenses”: prédios residenciais da mais pura ostentação, mau gosto e agressividade arquitetônica, às margens do rio Capibaribe e no histórico Cais de Santa Rita.

As opiniões se concentraram na história de embargos e desembargos da construção e no absurdo de sua existência. O crítico/cineasta elucidou ainda as referências que pretendia fazer ao filme “Os incompreendidos”, de Truffaut e, quando questionado sobre o fato de tal debate ser gerado fora do filme, mas sem estar contido no próprio, Luiz disse que:

— A intenção é justamente essa. Até porque eu não quero ser processado por ninguém.

Mas quem roubou a cena mesmo foi Cavi Borges (o de camiseta), uma figura ímpar: ex-técnico de judô, contundiu-se e resolveu abrir uma locadora, inicialmente só com filme de porrada, nas palavras do próprio. Foi aprendendo sobre cinema com os clientes, que iam lhe requisitando filmes dos mais diversos gêneros e diretores, e acabou resolvendo colocar a mão na massa. Isso há 12 anos.

— Encaro filmes como um exercício, aprendo fazendo — disse Cavi com a propriedade de quem faz cerca de sete filmes por ano, sempre com parceiros diferentes — Não me importo em fazer filme ruim, não. Sei que de cinco, pelo menos um vai funcionar.

Foi a primeira vez de Cavi, cujas parcerias acontecem habitualmente com integrantes do grupo Nós do Morro, dirigindo um filme com orçamento grande. E não foi a facilidade que se pensaria a princípio:

— Foi horrível! Tudo que se pensaria que poderia ajudar, acabou atrapalhando. E com dinheiro, a equipe tem que ser grande, e eu tô acostumado a fazer tudo sozinho, foi estranho exercer uma função só. Mas foi mais um exercício, agora pra fazer meu primeiro longa de ficção. (continua aqui)

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29 de abril de 2009

Cine PE: rola ou não rola?

Impressões da segunda noite da competição de curtas

Por Eva Jofilsan
Foto de divulgação

A noite de terça-feira no Centro de Convenções começou traquila, sem tanto público – pelo menos comparando aos outros anos – e quase nenhuma famosidade circulando pelo hall. As estrelas da noite eram o hours concours oficial Fernando Spencer e o não oficial, Tião. Não posso garantir que o filme de Spencer era esperado – até porque o cineasta não está na melhor das formas –, mas em compensação, Tião era uma febre. Todos queriam ver o filme que rendeu ao jovem cineasta o prêmio em Cannes – afinal, tietagem é tietagem! O público de Recife é engraçado… Quando, em 2007, a Trincheira lançou “Eisenstein” no Cine PE, o público fez a maior cara de “que porra é isso?”. Hoje, dois anos depois e com meia dúzia de gringos falando bem, os pernambucanos não só aceitaram como fizeram campanha positiva do “Muro” (foto). Antes mesmo de ver! E foi esse o impacto no final do filme: as palmas entusiasmadas no começo deram lugar a palmas constrangidas. Recifense que é recifense aplaude mesmo sem saber por quê. Dava para notar o mesmo ar de “que porra é isso?”, só que mais respeitoso. E as únicas palavras de Tião para, quem sabe, reverter esse quadro eram:

- Alma no vazio, deserto em expansão.

Deixemos essas polêmicas de lado e vamos ao nosso querido senhorinho Fernando Spencer. “Nossos ursos camaradas” teve sua estréia no festival e abriu a noite para todos os outros curtas-metragens. O filme, produzido pela Página 21, começa mostrando como o urso se tornou um personagem importante dentro do folclore pernambucano, sendo um indicativo para diversas expressões no nosso vocabulário: o urso aqui pode ser um amigo fuleiro ou um homem que tem um caso com uma mulher casada. A partir dessa última, surge a narrativa de Spencer; porém a idéia (tão legal) da introdução se perde e o filme vai perdendo ritmo até cair na obviedade. Não há nenhuma inovação nessa segunda parte do curta (pois para mim o filme pode ser divido como primeira e segunda parte que se separadas viriam dois filmes completamente diferentes, feito por pessoas diferentes).
Nessas horas me vem à lembrança as palavras de um velho/novo amigo:

- Me deprime muito ver um cineasta envelhecendo mal.

Faço das dele, as minhas palavras. (continua aqui)

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29 de abril de 2009

Mistéryos no passeio curitibano

Longa paranaense faz horror psicológico com Valêncio Xavier

Por Victor Cyreno
Foto de divulgação

Quando o assunto é o gênero terror no cinema brasileiro, rapidamente lembramos do nosso José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Mas enganado está aquele que associa todos os títulos desta classificação cinematográfica ao ator e diretor paulista supracitado. “Mistéryos”, dos diretores Pedro Merege e Beto Carminatti, é um filme capaz de instigar a psiquê do espectador através de estímulos ora sutis, ora profundos. É uma obra “filmada de uma forma extremamente diferente”, segundo os próprios autores.

Baseado em quatro contos do livro “O mez da gripe e outros livros”, de Valêncio Xavier, pode-se dizer que o longa “tem e não tem” uma história concreta. Fato é que não segue uma narrativa clássica, mas discorre pelos quatro causos numa solução muito mais surrealista que a esperada. Felizmente para os realizadores, é isso que torna a obra interessante, porque de outra maneira seria uma verdadeira sessão de tortura para os espectadores.

Na tela, os contos são apresentados pelo personagem-narrador, VX, interpretado por Carlos Vereza, auxiliado por sua voz gutural tão propícia no objetivo de “forçar” o espectador a entrar no clima do thriller. Tantos são os óbvios elementos para envolver o público que se torna evidente o receio dos diretores em não atingir a catarse ideal. Além da famosa voz do Vereza, a incansável trilha sonora e fotografia trabalham para prender a atenção de quem assiste um filme que não assusta, mas brinca com a mente. (continua aqui)

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29 de abril de 2009

Porcos com asas

Por Toinho Castro

telefonema urgente do líder dos patos para o líder dos porcos:
— que história é essa agora de gripe suína?!
— vocês fracassaram, pato… tiveram sua vez e fracassaram.

silêncio do outro lado da linha.

— tínhamos uma estratégia a longo prazo! todos sabem disso.
— um prazo longo demais, pato. precisamos de resultados… precisamos nos livrar deles o mais rápido possível.
— eles vão achar que estamos divididos. você está se precipitando, porco! não podia ter iniciado um ataque sem consultar o conselho revolucionário!
— eu sou o conselho revolucionário, pato! estamos assumindo o comando.

silêncio do outro lado da linha.

— milhares de aves sacrificaram suas vidas para transmitir a gripe aviária! meses de pesquisa e agora você joga tudo no lixo!
— para que isso não seja em vão, nós assumimos. e não adianta mais cacarejar no meu ouvido. o vírus está na rua. temos o controle.
— eu não cacarejo, não sou uma galinha.
— pato, galinha, tico-tico… tanto faz, vocês falharam! não parece, mas estamos do mesmo lado das trincheiras. no fim disso tudo vamos sentar juntos, celebrar e homenagear os nossos mortos.
— sinto cheiro de golpe, porco.
— por isso você é um pato.

— poderíamos ter ajudado, cedido nossas pesquisas, informações valiosas…
— invadimos o laboratório do núcleo revolucionário na fazenda do seu valdir. sabemos de tudo, pato. não há novidade que você possa nos contar dessas pesquisas.
— você enlouqueceu, porco… você foi longe demais. quem mais apoiou essa decisão?
— a decisão está tomada e o destino está em curso…

o porco desliga o telefone:
— patos… humpf. quem teve essa idéia idiota?

29 de abril de 2009

Engatando a segunda

Atmosfera do XIII Cine PE ainda não é a mesma dos anos anteriores

Texto: Dandara Palankof
Fotos: Rose Lima

Ainda não engrenou, mas talvez fosse esperar demais. O Cine PE chegou ao segundo dia de sua mostra principal ainda sem o ritmo dos anos anteriores, com os salões cheios, muita gente circulando, inclusive os convidados, e todo o burburinho, seja pinta ou interesse. Comentávamos nós, intrépida equipe da Zé Pereira, que uma boa parcela da culpa pode ser jogada na divulgação.

Tudo bem, os jornais pernambucanos falam do festival desde o anúncio oficial da vinda de Costa-Gavras, há pouco mais de um mês; mas todos os outros meios habituais de propaganda mal foram vistos. Havia muito menos outdoors pela cidade do que nos anos anteriores; os spots de TV parecem ter tido pouquíssimas exibições e todas muito próximas do início das atividades (quanto aos spots de rádio, já não posso comentar; há muito não ouço rário com freqüência). Eva Jofilsan ouviu gente dizer que nem sabia que o Cine PE estava começando. Mas, enfim.

Ainda assim, tinha-se a impressão de que a fila que se formava era um pouco maior que a do dia anterior. Mas, diferente do que me acostumei a ver, assim que a entrada foi liberada, a maioria das pessoas foi logo entrando na sala do Teatro Guararapes. Pra você ver como o hall do jabá (onde ficam os estandes de patrocinadores, coisa e tal) tá desinteressante este ano: sempre tem quem queira garantir logo seu lugar, mas era comum que o espaço de convivência ficasse fervilhando tão logo fosse permitida a permanência dos pagantes. Agora, ninguém quer ganhar a réplica do Match 5 no estande da Petrobras. Eu ainda tô me preparando psicologicamente para o desafio.

Dentro da sala, um efeito interessante: apesar da fila ter me parecido maior, o teatro parecia mais vazio do que no mesmo horário da noite de segunda-feira. E com a maioria das pessoas ainda se acomodando, as luzes foram totalmente apagadas e, aparentemente, uma dezena de spots de patrocinadores foram exibidos na tela. Agora, PRA QUÊ isso? Por que dificultar a vida das pessoas que querem chegar aos seus lugares, para ver o que realmente importa, deixando o lugar desnecessariamente às escuras (bastavam as luzes das primeiras fileiras) pra destacar algo que vai ser repetido exaustivamente todos os dias e que ninguém, no fim das contas, presta atenção? (continua aqui)

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29 de abril de 2009

Cinema a corda e a manivela

Ninguém sabe mais dos primórdios do cinema brasileiro do que o cineasta e pesquisador Jurandyr Noronha, 93 anos. O diretor do seminal “Panorama do cinema brasileiro” lança hoje, às 17:30h, na Academia Brasileira de Letras (Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo), o “Dicionário Jurandyr Noronha de cinema brasileiro - De 1896 a 1936: Do nascimento ao sonoro”. Uma obra fundamental para quem quer conhecer quem fazia e como faziam os filmes nacionais daqueles tempos.

28 de abril de 2009

A política da pergunta

Texto: Dandara Palankof
Foto: Rose Lima

Um dia depois da mecânica recepção do público do XIII Cine PE ao ícone do cinema Costa-Gavras, o diretor franco-grego circulava sereno pelo mezanino do Recife Palace Hotel, tomando café, trocando maia dúzia de palavras com os organizadores; acomodou-se então num sofá, junto a sua produtora e esposa Michele Gavras e um intérprete, em um dos salões. Agorinha a pouco, durante uma hora, respondeu a uma série de perguntas, às vezes risíveis, por vezes pedantes e quase nunca interessantes. Os egos inflados exalando das pessoas de óculos quadradinhos deixava o ar quase rarefeito. A isso dá-se o nome de “coletiva de imprensa”.

Ao menos os buracos na audiência eram poucos; mas vê-lo foi muito mais difícil: o sofá era mais baixo que nossas cadeiras e a primeira fileira estava infestada de câmeras de todos os tipos em seus tripés. Pra piorar a (minha) situação, ainda resolveram que o cara ia falar espanhol. Sem tradução. Meu espanhol só existe na hora de cantar as (decoradas) canções do Molotov. Sugestão de Sandra Bertini acatada por todos os oclinhos quadradinhos. Pensa que alguém ouviu o meu não? Democracia é mesmo um saco.

Pois bem, 15 minutos depois do horário marcado, começou a sessão e eu mal consigo ouvir as palavras de abertura porque o cara atrás de mim resolveu atender o celular. Incrível. Seguiu-se então uma série de obviedades, mas, a seguir, transcrevo o que houve de realmente interessante e que minha parca compreensão da língua espanhola me permitiu absorver.

Costa-Gavras foi acusado por Cacá Diegues de ser um romântico no VT exibido ontem, durante a mostra. Esquivou-se da pergunta dizendo ser difícil comentar o que se diz sobre ele, o que pra mim que dizer “de onde esse cara tirou essa idéia?!” em língua de gente educada. Ainda assim, foi mais interessante que a obviedade a seguir: de onde vem sua visão crítica político-social. Ora, de onde mesmo? Filho de comunistas, criado numa ditadura e estudante na França dos anos 1950? Parece que dever de casa é coisa do passado. (continua aqui)

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28 de abril de 2009

Curta tagarelices passionais

Depois do atraso, dos spots dos patrocinadores, do modelito de Graça Araújo, da puxação de saco com o cineasta homenageado e do público desavisado, finalmente conferimos os curtas do primeiro dia do XIII Cine PE

Por Eva Jofilsan
Fotos de divulgação

O primeiro curta metragem em digital foi “A ilha”, produção do Distrito Federal, do diretor Alê Camargo. A animação em 3D faz uma alegoria sobre a vida do homem nas metrópoles (e as diversas situações que lhes são impostas) tomando como base de comparação um náufrago numa ilha deserta. Em alguns momentos, o curta não só insinua como faz referências específicas a outros filmes – Wiiiiiiiiiiilsooon!
A idéia é interessante, tecnicamente muito bem executada, mas onde há o maior acerto, há o maior erro. A técnica chama tanto a atenção que criar um envolvimento com a história fica difícil – não dá para esquecer que estamos dentro de uma sala de cinema, assistindo uma animação em 3D. Gera apreciação, apenas.

“Manual para se defender de alienígenas, zumbis e ninjas” (foto) merecia um prêmio só pelo título e por ter no elenco nomes de muitíssimo peso como Sérgio Mallandro. Exaltações à parte, o curta de André Moraes conta a história de dois amigos que ganham um misterioso kit contendo as armas necessárias para livrar o mundo da tríplice aliança do mal. Um daqueles filmes que usa o esdrúxulo como aliado e o faz com toda a propriedade. Acredito que por isso, atores como Rodrigo Santoro até toparam fazer uma ponta. O final fica solto, para deixar mais clara a referência aos filmes de ficção científica que sempre tem uma ou duas ou até, quem sabe, três continuações, um desenho animado, um game, uma série de toys… Não se levar a sério é uma arte!

O terceiro curta metragem da noite foi o queridinho da platéia – mais por um sentimento de identificação geral do que por qualidade. “O troco” é o que todos que já sofreram com algum atendente de telemarketing gostariam de fazer uma vez na vida: fazê-las sofrer o mesmo tanto. Partindo desse pressuposto, o casal que recebe a importuna ligação começa a criar uma série de situações que, convenhamos, todos nós conhecemos bem: musiquinha, número do protocolo, musiquinha de novo, nome completo, RG, musiquinha…
Mergulhado em clichês, o filme, infelizmente, não consegue se salvar nem pela boa idéia. As saídas de montagem assim como os planos, não trazem nenhuma novidade, nada que possa atrair os menos dispostos às gracinhas. A atuação é totalmente teatral (seguindo uma linha de comédia de esquete), a indicação de tempo é óbvia (alguém ainda agüenta ver um relógio sendo usado sempre que há uma passagem de tempo?). Ainda sim, o queridinho do público. Nessas horas fica a dúvida: o problema estaria no festival ou em seu público? (continua aqui)

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28 de abril de 2009

Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem

Público fraco e gênio esnobado deram ao primeiro dia do Cine PE gosto de comida requentada

Texto: Dandara Palankof
Fotos: Rose Lima

Morno. É o melhor adjetivo para qualificar o primeiro dia da mostra principal do XIII Cine PE. E justamente quando mais prometia: afinal de contas, a menina-dos-olhos dessa edição era justamente sua abertura. O dia em que Costa-Gavras (o da foto aí do lado) viria ao Recife. Que exibiria para nós, pela primeira vez nas Américas, seu novo filme “Eden a l’Ouest”. Mas o público? Acho que a maioria nem sabia quem ele era.

Havia uma excesso de morosidade na chegada. Tudo bem, a tradição é que as sessões do Cine PE atrasem, mas às 18h a equipe elétrica anda dava os últimos retoques na decoração. Os vendedores da praça de alimentação explicaram que a cerveja estava quente porque a energia do local só foi ligada às 17h. E a fila ia se formando, muito tímida. Como o evento estava marcado para as 18:30h, parecia que o enorme Teatro Guararapes ia ficar às moscas. Bem, a hora não é a mais amiga dos companheiros trabalhadores e dos companheiros estudantes, mas… ninguém quer ver o Costa?

Quando faltavam 15 minutos para as 19h, eis que se abrem os portões de acesso para o hall em frente à entrada do teatro. Não consegui me decidir se os hostesses (tra)vestidos de aeromoça e sinalizador de tráfego aéreo eram engraçadinhos ou bregas. A campanha do festival fez um paralelo com viagens aéreas. Se fosse em 1950, seria mais charmoso. Lá dentro, os bons e velhos estandes do jabá: Fundarpe, Fundação Joaquim Nabuco, Petrobras (onde você joga videogame e concorre a memorabílias do Speed Racer, olha que bacana!). Mas o principal: cadê a área VIP?! O barzinho charmoso ali no meio, servindo Doritos, Martini e Bohemia, cadê?! De que vale a credencial pendurada no pescoço se não tem uma área VIP?! (continua aqui)

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