30 de novembro de 2008

Assinada em 1948 pela Assembléia Geral das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos no dia 10 de dezembro. Na Baixada Fluminense, a ONG ComCausa propõe uma reflexão diferente sobre o tema, desassociando-o da violência e focando em ações de consolidação de uma cultura de direitos - como o direito à cultura, à educação, ao saneamento básico, à sexualidade, à comunicação, ao trabalho, à habitação, à auto-estima e ao reconhecimento. Para levar esta reflexão à população, a ONG está promovendo a Jornada Baixada: 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que começa amanhã, na Praça do Pacificador, em Duque de Caxias, num ato pelo Dia Mundial de Combate a AIDS, e segue até o dia 14 com debates, shows e mostras de cinema. A programação completa do evento você encontra aqui.
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30 de novembro de 2008

A fotógrafa Barbara Copque expõe o ensaio fotográfico “Jesus está no Comando”, que retrata um momento de fé do Comando Vermelho num presídio, durante o I Seminário Imagens e Narrativas, que acontece amanhã, de 9:30h às 20h, no Centro Cultural da UERJ. Barbara fez as fotos da reportagem “S.O.S. Vila Operária”, de Ana Paula Conde, que a gente publicou aqui.
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29 de novembro de 2008

O grande Luís Pimentel lança amanhã, a partir das 14h, na Primavera dos Livros (nos jardins do Museu da República), “Flamengo desde menino” (Mauad). O livro, que conta histórias do mais querido do Brasil para crianças, tem ilustrações de Amorim.
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28 de novembro de 2008

O Cineclube Mate Com Angu, de Duque de Caxias dá um tempo nas atividades este ano e anuncia os vencedores da quarta edição do prêmio Angu de Ouro: “A lenda da fundação”, de Diana Iliescu, levou o Angu de Ouro Freestyle; “Baletéia, a boneca misteriosa” dos alunos do Núcleo de Artes Alencastro Guimarães; o Angu de Ouro da Curadoria; e “O lobinho nunca mente” (foto), de Ian SBF, o o Angu de Ouro do Público.
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28 de novembro de 2008
Por Fernando Carneiro
Paul Krugman é hoje quase uma unanimidade. Quase. Ninguém lhe nega o brilhantismo e um caráter inovador ao abordar os temas mais complexos da economia mundial. Sua principal arma é o bom domínio da retórica. Entretanto, como podemos observar ao longo de artigos de sua autoria, ninguém se insurgiu visando desafiar suas idéias como deveriam. Talvez um ou outro tenha medo de sair chamuscado do debate. Vamos dar uma passada em algumas coisas que Krugman disse e ver se seus proverbiais 15 minutos de fama (que já duram anos e lhe renderam um Nobel recente) estão prestes a se esgotar. Nada de livro e econometria, só as opiniões curtas, rápidas e rasteiras.
Ele nunca saiu da academia. Mas antes de vociferar e vituperar em jornalão foi para a revista on-line da Microsoft, “Slate”. Bill Gates não é bobo. Quando “fundou” a revista chamou Jack Shaffer, (então editor do alternativíssimo “City Paper” - da outra Washington, a capital) para se mudar para o estado homônimo, na Costa Oeste. Uma escolha peculiar, assim como a de Krugman, que se manifestava volta e meia, mas lá ganhou coluna regular. Depois foram escrever para Gates todo tipo de gente, até o Cristopher Hitchens. Saúde!
Os artigos eram saudados por todos com adjetivos como “brilhantes”, “magníficos”, de uma lucidez sem par. Mas, apesar da unanimidade em relação a esse bad boy da economia, ele não vem (re)inventando novas rodas e suas análises às vezes são rasteiras.
Trata-se de um economista interessante, com bom domínio da retórica, mas que peca pelo que mais critica: Krugman sempre afirmava que os economistas não vêm contribuindo em nada para melhorar a crise mundial, por falta de criatividade e de soluções. Pois ele tampouco propõe algo de radical e inovador. Como diria Ivan Lessa, gozado. (continua aqui)
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28 de novembro de 2008

OS BRUTOS TAMBÉM AMAM
(”Shane”, George Stevens, EUA, 1953)
Por Luiz Henriques
Quando o homem era um caçador-coletor, catando vegetais, frutas e larvas que dessem mole e perseguindo animais comestíveis, sua mitologia estava viva, acontecia no aqui e agora. Os grupos humanos tinham morubixabas que estavam em direto contacto com os espíritos e deuses. Os pajés, para curar doentes, levantar maldições ou trazer boa sorte viajavam pelo mundo místico e disputavam as almas de seus pacientes com as entidades malignas em pessoa. Para quem vivia numa constante batalha de vida ou morte com suas presas e dependia da morte de outras criaturas para sua sobrevivência, com toda a carga psíquica que tal pensamento envolve, essa cosmogonia era a que melhor refletia seu mundo e portanto mais fazia sentido.
Mas o homem começou a arar a terra e cultivar seu próprio alimento. A comida passou a abundar, mas os antigos caçadores passaram a ter um papel predominantemente passivo, apenas esperando os grãos brotarem, colhendo-os e armazenando-os. A era heróica acabara. Sua mitologia, como sua vida então, passou a ser altamente organizada. Seus deuses viviam em um panteão hierarquizado, com tarefas e atributos bem definidos, e toda a cosmogonia era um fato passado. Não mais se vivia com os deuses, viva-se sob eles. Os grandes feitos e heróis pertenciam ao passado, a um passado remoto e inseguro, ao contrário do presente e do futuro previsível e, de preferência, imutável, continuando a trazer safras seguras e fartas.
Mas esse afastamento do homem da produção de seu alimento também o deixou com uma sensação de perda. O sentimento de culpa pela morte de outras criaturas foi recuperado pelo cristianismo, mas a emoção da caçada se perdeu. Com alimento abundando, a maioria das pessoas pôde ser desviada da labuta essencial para outros trabalhos - construção, comércio, pastoreio, letras, artes, até mesmo sacerdócio, já que os deuses não mais viviam entre nós, mas num lugar inatingível e distante e nossas súplicas quase não mais poderiam ser ouvidas por eles, necessitando de intermediários amplificadores, elaborados rituais, e ainda assim provavelmente os seres superiores se fariam de surdos. Essa separação do homem da criação de sua subsistência criou nele um sentimento de falta. Era o começo da alienação e da neurose, que Marx e Woody Allen tão bem explorariam. (continua aqui)
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28 de novembro de 2008

O Garganta Profunda lança hoje o seu novo álbum, “Quando a esquina bifurca” (Rob Digital), às 20h, na Sala Baden Powell (Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360). Criado pelo maestro Marcos Leite em 1985, o grupo atualmente é formado por Katia Lemos (mezzo-soprano) e Regina Lucatto (contralto), Fabiano Salek (percussionista e tenor, filho de Leite), Marcelo Caldi (pianista, tenor e diretor musical) e Maurício Detoni (barítono). O show tem direção é de Malu Valle e o quinteto vai interpretar canções próprias, como “Motivo pra sorrir”, samba de roda de Nilze Carvalho e Fabiano Salek; “A hora dos fogos”, bolero de Thiago Amud e Maurício Detoni; e “Nem parecia”, baião de Marcelo Caldi e Edu Krieger; e de novos nomes da MPB como “Sonho” (de Rodrigo Maranhão), “Seu rosto” (de Edu Krieger), “O contador de estórias” (de Edu Kneip) e “Sopro do vento” (de PC Castilho e Carmélio Dias). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (idosos e estudantes).
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27 de novembro de 2008

Caiçaras são expulsos da Praia Grande da Cajaíba, recanto paradisíaco descoberto há dez anos pelo turismo, e vão morar em favelas em Paraty. Apenas uma família ainda resiste. Mas o histórico de disputa de terras na região litorânea da fronteira do Rio com São Paulo remonta dos tempos da ditadura militar. Leia aqui a reportagem de Tadzia Maya.
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27 de novembro de 2008

O pessoal está trabalhando duro para tudo estar nos conformes para a abertura da oitava edição da Primavera dos Livros, logo mais, às 18:30h, nos jardins do Museu da República, no Catete. O evento acontece até domingo, o homenageado deste ano é Vinicius de Moares e o tema, a bossa nova. Hoje, às 19h, Ruy Castro, patrono da festa literária, e Heloisa Seixas autografam seu livro da série Álbum de Retratos (Folha Seca Livraria e Edições). No sábado, o autor de “Chega de saudade: a história e as histórias da bossa nova” faz palestra sobre o estilo musical que completou 50 anos. Também no sábado, o teólogo Leonardo Boff vai falar sobre o Natal para o público infantil, seguido de show gratuito do Casuarina. Para assistir às palestras, é preciso se inscrever no site da Liga Brasileira de Editoras, onde também dá para consultar a programação completa da Primavera dos Livros. São 86 estandes e mais 3.000 títulos que serão vendidos com até 50% de desconto. Boas leituras.
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27 de novembro de 2008
Conta-se que, além de estrelar este curta, ao lado de Seu Jorge, Selton Mello também o dirigiu, sob a alcunha de 300ml. Já “Feliz Natal”, em cartaz no Rio, é dele mesmo. Leia aqui uma entrevista com o ator sobre o seu primeiro longa-metragem como diretor e aqui, a crítica do Luiz Henriques, originalmente publicadas em nossa cobertura do Festival do Rio 2008.
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26 de novembro de 2008
Por Eduardo Souza Lima

A esta altura, todo mundo já leu os blogs do Zanin e do Bonequinho e deve estar sabendo que “FilmeFobia”, de Kiko Goifman (chapadão na foto), ganhou, merecidamente, o Candango de melhor filme do 41° Festival de Brasília - veja aqui a lista completa dos vencedores -, mas vou dar os meus pitacos. A gente pode até discordar de um prêmio ou outro, mas o júri está de parabéns pelo esforço de não deixar de premiar nenhuma categoria, apesar dos pesares - o melhor exemplo disso foram os prêmios de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante dados em conjunto ao elenco feminino de “Siri-Ará”, de Rosemberg Caryri. Everaldo Pontes levou o de ator coadjuvante e devia levar o de flair-play também, ao dizer que, num festival de cinema, a competição é o que menos importa. Kiko Goifman também merecia o troféu por lidar bem com as vaias ao receber o prêmio principal e com a surpresa, ao ganhar o da crítica: “Eu nunca esperaria por isso depois das críticas que li do filme”. Já o de falta de espírito esportivo e de consideração com os colegas vai para Geraldo Sarno, que não foi ao Cine Brasília por achar que não ia ganhar nada - e o filme dele, “Tudo isto me parece um sonho”, ganhou os de melhor direção e roteiro. O meu camarada Evaldo Mocarzel ganhou, pela segunda vez (a primeira foi com “À margem do concreto”), o prêmio do voto popular por “À margem do lixo”; tomara que esta comunicação com o público em breve se reflita no circuito também.
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25 de novembro de 2008
Por Eduardo Souza Lima

Nunca entendi muito bem como o Fernando Adolfo está há tantos anos à frente do coordenadoria geral do Festival de Brasília. Ele me parece um cara sério, correto, discreto, nunca o vi bajulando ninguém, e o cargo é político. Há quem discorde do critério do ineditismo para os filmes, muita gente está reclamando dos longas-metragens da competição, mas a verdade é que esta safra em especial não foi das melhores - o Cine PE já apontava para o fato e o Festival do Rio veio a confirmá-lo -, não dá para culpá-lo ou culpar a comissão de seleção. Entretanto, ele parece abatido, há quem diga que está rolando um processo de fritura. Disso eu não sei, mas realmente parece que alguém quer que a gente acredite que o festival está em irremediável processo de decadência - basta ver o estado lamentável do Cine Brasília ou ouvir as reclamações de quem assistiu à competição de vídeo/16mm.
P.S.: queria manifestar a minha solidariedade ao pessoal da Cinética, que teve negados três vezes seus pedidos de credenciamento para o festival, e aproveitar para dizer que viajei para cá a convite de Anna Azevedo, minha mulher, que fez parte do júri de vídeo/16mm e tinha direito a um acompanhante. E eu que pensava que a maior função de um evento destes era estimular o debate crítico.
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25 de novembro de 2008
Por Eduardo Souza Lima
“Não sei até hoje que filme é esse”, disse Geraldo Sarno a respeito de “Tudo isto me parece um sonho”, último longa-metragem da competição do 41º Festival de Brasília. Se ele não sabe, imaginem eu. Mas, no debate de hoje de manhã, o diretor, que faz as honras da casa no vídeo acima, deu algumas pistas - tirem as suas conclusões: o filme lhe foi encomendado por Ricardo Dias, presidente da Odebrecht, seu amigo de infância, que, por sua vez, é amigo do presidente da Venezuela Hugo Chávez, que lhe fez uma provocação. Abreu e Lima foi um general permanbucano que lutou ao lado de Bolívar pela libertação da América Latina. Dele, só há uma imagem, uma pintura cuja data é desconhecida e, ao que parece, vai continuar sendo. Como não há imagens, Sarno acredita não ser possível fazer um documentário sobre o personagem e diz ao amigo que gostaria de fazer um filme de ficção. Entretanto, resolveu também documentar o seu processo de pesquisa e dá liberdades plenas ao câmeras. Se expõe corajasamente - a melhor seqüência, por Pedro Urano, mostra o diretor cortando cana, com a voz de uma menina em off dizendo que ele morreria de fome se tivesse que fazer isso para viver - enquanto expõe suas teorias sobre o Brasil. O documenário teria três horas e meia de duração, mas o bravo montador Luiz Guimarães de Castro conseguiu cortar para duas horas e meia. No fim da sessão, a sala estava bastante vazia; os poucos que ficaram, porém, o aplaudiram com entusiasmo. Ainda não tenho idéia do que seja o filme, mas acredito que ele vá ser recebido como um maná pelos fãs e pesquisadores da obra do diretor, e como uma enorme egotrip por quem não está tão interessado assim nela.

E já que eu falei do Pedro Urano, ele não pôde vir ao festival, mas é o seu grande destaque - assim como Lula Carvalho foi do Festival do Rio; quando essa nova geração puder produzir com regularidade, o cinema brasileiro vai arrebentar de verdade. Além de “Tudo isto me parece um sonho”, ele assina a fotografia de “Siri-Ará” e de “Superbarroco” (foto), também exibido ontem. O curta de Renata Pinheiro (diretora de arte dos filmes do Claudio Assis) deve ter aliviado a barra do júrio oficial. O outro curta da noite, “Cães”, de Adler Paz e Moacyr Gramacho - cuja deslumbrante fotografia é do outro fotógrafo do filme de Geraldo Sarno, Pedro Semanovischi, isso é que é curadoria -, também. Os prêmios principais da categoria devem sair daí. Quanto aos longas… eu só digo que a reunião dos jurados acabou às cinco da manhã. O resultado sai à noite, no Cine Brasília.
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25 de novembro de 2008
Por Henrique Koifman

Se é verdade que existe a piada pronta – uma situação ou frase que, dita sem tal intenção, funciona como quadro humorístico completo e acabado –, caminhando pela Rua Ibituruna, na Tijuca, segunda passada, descobri que existe também a metáfora pronta. É um exemplar desse tipo – gaiolas com passarinhos na janela engaiolada de uma casa – que abre esta edição do Fotodiário. Também poética e algo trágica, a tempestade que alagou o Rio na tarde daquele mesmo dia deixou a vista da janela do escritório inundada.
No dia seguinte, numa rotina que seguiu toda a semana, períodos de sol e de chuva se alternaram e banharam a cidade com uma luz clara e limpa. O painel da Travessa do Ouvidor, nítido apesar da garoa, foi registrado num desses momentos. A mesma luz destacou, na quarta e de maneira incomum, o castelinho, também na Ibituruna, e os cães de ar aristocrático da Praça Afonso Pena.
Na manhã de quinta, levando meu caçula para jogar bola com seus amigos, encontrei esse enfeite no muro do clube Gurilândia, em Botafogo. A sacadinha e o telhado com um quê de normandos são do mesmo clube – assim como o piso “craquelê” vermelho, em que carimbei sem querer a prova do crime, no centro e abaixo. A casinha vista por entre as grades e com flores na varanda fica na Martins Ferreira; a escada com as janelas ao fundo fica num edifício no final da David Campista, ambas também em Botafogo.
A flor da alamandra caída sobre a poça d’água estava no meu caminho para a garagem, aqui no prédio, sexta de manhã.
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