Não é de hoje minha birra com Boa Viagem. Costumo dizer que ela me serve de bairro-dormitório: volto pra lá apenas no fim do dia (ou no começo do seguinte, depende da circunstância) pra dormir. Qualquer lugar para me divertir estava longe dali. Nunca me dei a explorar os arredores, simplesmente porque o que via de longe não me agradava em nada. Não gostava da aparência dos bares, nem das pessoas que os frequentavam, em sua afetação.
Portanto, para mim, a Zona Sul do Recife meio que se encerra no mais famoso bairro da cidade (não creio ser exagero assim considerá-lo, apesar de que a realidade passa longe da poesia de Alceu que o consagrou). Mesmo que eu também já tenha descrito por aqui minha descoberta da Brasília de cá (a Teimosa, bairro periférico à beira-mar, veja você, na ponta da tal BV, junto à/depois do que chamam Pina; dessa, quem falou foi o Otto), a exploração terminava por ali. leia mais…
Como este Fotodiário não se cansa de atestar, gosto muito de minha, quer dizer, de nossa cidade. Por isso, quando fui convocado no sábado da semana anterior para mostrá-la a duas jovens visitantes estrangeiras – a filha de uma prima e a amiga dela, ambas israelenses, hospedadas na casa dos meus pais –, aceitei feliz da vida. O “tour” começou depois da sobremesa, o pudim da foto que abre esta edição.
Primeiro subimos até o Mirante Dona Marta, de onde olhamos para a Enseada de Botafogo sob um céu de nuvens densas, mas que não davam sinal da tempestade que viria horas mais tarde. De lá, seguimos para uma volta por Santa Teresa, com parada para café e lojinhas de artesanato. Depois de rodar por vários outros bairros, fomos ver o final da tarde da murada (cheia de pescadores) da Urca.
Foi dali que começamos a ouvir os trovões sobre a cidade. A foto com relâmpagos iluminando as montanhas e o Corcovado foi a última que tirei antes que um pé (tamanho 45) d’água caísse sobre nós. A volta para casa foi epopéica, mas chegamos sãos e secos. No domingo, passando pelo pátio da garagem de nosso edifício, encontrei algumas janelas (despencadas pela chuva?) encostadas no muro. leia mais…
O produtor João Moraes me suplica para que eu escreva que “Hoje não!” (Patuléia Produções) é maravilhoso e que todo mundo devia comprar e ouvir e ainda me mandou o CD a título de jabá. Pois bem: “Hoje não!” é maravilhoso e todo mundo devia comprar e ouvir - eu juro que não estou escrevendo isso porque o cara é meu chapa e escreve de graça pra Zé Pereira ou porque não resisto a um agradinho e ao choro de um marmanjo, ouve essas duas faixas aí:
Real beleza
Brasília
Juliano Gauche canta e o duo Zebedeu toca canções selecionadas do genial Sérgio Sampaio. Aqui você pode ouvir mais faixas do disco, que está sendo vendido em seu site oficial, com frete grátis para todo o Brasil. No MySpace tem promoções e concursos e os vídeos estão no YouTube. Taí o reclame.
Depois de um ano, por aí, sem ir a SP, passei o dia lá ontem, trabalhando. Sol, trânsito relativamente tranquilo (algo incomum, comentado até pelos motoristas dos táxis que peguei). Mas a tal da ponte aérea… Não sei se é só a TAM – pela qual fui e voltei. Os avião estavam com aquela configuração “capacidade máxima”, aparentemente baseada na ergonomia dos amputados de pernas. Rendeu até piada com o passageiro da poltrona adiante da minha, que inutilmente tentava descer o seu encosto. “Amigo, infelizmente, os ossos de minhas pernas não são dobráveis”, avisei depois de três ou quatro marteladas nos joelhos.
Isso e a bregaiada jeca da TAM, metida a simpática e amiga dos passageiros. Passageiros? Foram extintos. Influenciada, na certa, pela Gol, agora ela nos trata a todos de clientes. E tome lá um picolé para apaziguar os ânimos e um documentário sobre o SENSACIONAL carnaval da Bahia tendo a SENSACIONAL Ivette como protagonista. E tome promoção para ver o SENSACIONAL show da Ivette no Carnige Hall (como seriam os tipos que iriam à NY só para ver o SENSACIONAL show da Ivette?). E o surreal voto do comandante para que desfrutemos do vôo.
E tome mensagens quase robotizadas da comissaria seguidas por traduções ditas em rotação 78 e com pronúncia incompreensível. Se é pra falar assim, pra que falar?
Pra variar – coisa que acontece em 8 em cada 7 embarques meus em Congonhas e mesmo em Guarulhos –, o portão de embarque foi mudado depois do checkin, obrigando a todos a zanzarem pelo aeroporto feito turistas gregos em Tóquio. Pra variar o avião saiu com 30 minutos de atraso de SP e chegou com 50 minutos de atraso no Rio. Pra variar não tinha ponte de saída (acho esse negócio de fínger meio proctológico) disponível e o avião parou lá no meio da pista. Pra variar não havia ônibus suficientes para levar os passageiros e ficamos mais 15 minutos dentro do avião…
A ponte aérea tá parecida com o (nosso) metrô. Que venha o trem-bala (desde que não seja perdida).
Fui ao estacionamento para fumar. Ainda fazia calor mesmo à noite, fazia você querer andar pelado. Uma música brega anos 90 tocava no bar ao lado, podendo estragar qualquer vontade de ter ouvidos. Resolvi voltar para dentro do prédio, com ar condicionado e um sentimento de distância infinita com o resto do mundo. Andando para minha sala, meus conhecidos me comprimentavam e grande parte deles só fingia que me achava um sujeito legal. leia mais…
A janela do meu quarto no terceiro andar do velho prédio em Bonsucesso, onde morei por dez anos, dava para os fundos dos galpões de uma antiga fábrica. Os telhados escuros e empoeirados abrigavam gatos dos mais variados tipos. Magros esguios de orelha fina e pelagem escura com manchas amarelas; parrudos meio cambotas de rosto redondo de olhos grandes e amarelos; rajados de rabo quebrado e cicatrizes reveladoras de grande volúpia sexual – porque, humanamente, o amor entre os gatos é quase uma guerra -; gatos negros de olhos verdes, altos e majestosos; brancos sorrateiros de olhos bicolores, siameses heterodoxos; e alguns angorazados especialistas em lambedura de pelos. Não faltava gato e nem comida para eles. leia mais…
A capacidade de inovação e tratamento dos temas relacionados à inteligência artificial da equipe de roteiristas e produtores de “Jornada nas estrelas” pôde ser demonstrada já em “E as meninas, de que são feitas?”, que foi ao ar em 20 de outubro de 1966, na primeira temporada da série original. Em contrapartida, também se pôde observar o ponto de vista conservador de toda série original quanto à possibilidade das máquinas virem a substituir o trabalho humano e sobretudo suas deliberações nas atividades mais rotineiras. “Jornada nas estrelas” acompanha o temor generalizado que as pessoas têm de perderem seus postos de trabalho e serem rebaixados socialmente por um mecanismo avançado de realização de tarefas. Na segunda temporada, o episódio “O computador supremo” – com o roteiro de Dorothy C. Fontana (ex-secretária de Gene Roddenberry) e dirigido por John Meredyth Lucas – reforçou o receio da Humanidade ficar obsoleta diante de uma inteligência superior. leia mais…
O Cachaça Cinema Clube de hoje dá um pulinho no porvir e exibe três curtas-metragens de ficção científica brasileiros da recente safra: “Éternau” (RS), de Gustavo Jahn e Melissa Dullius, “Flash Happy Society” (CE), de Guto Parente, “Pimentípoli” (RJ), de Eduardo Souza Lima, e “Recife frio” (PE), de Kleber Mendonça Filho. Completando a sessão, fragmentos de filmes do pioneiro do gênero Georges Méliès, selecionados por Hernani Heffner na Cinemateca do MAM. Depois rola show com Os Vulcânicos e festa com o DJ H. Ingressos a R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia).
(Provavelmente esta introdução se faz desnecessária, mas minha prolixidade quase que patológica me obriga a dizer que sim, tenho consciência de que o fenômeno a ser descrito logo a seguir acontece em qualquer lugar, afinal de contas somos bichos; mas bichos plurais e, logo, de nichos plurais.)
Sempre mudam, mas sempre há aquelas localidades que fazem sua cidade parecer ridiculamente pequena. Um determinado espaço em que, seja lá que dia da semana for, sempre terá quorum e no qual sempre haverá reconhecimento, ainda que vago. Pode ser só um bar, mas geralmente é um coletivo deles que acolhe esta qualidade de agregação pseudo-universal com mais facilidade.
Pense na paulistana R. Augusta se a idéia ainda não ficou bem clara. Como brasiliense de criação, tive não uma rua, mas uma quadra. A 408 Norte, com a inegável vantagem de estar a meio caminho da UnB e do Iesb (uma dessas faculdades que dão certo), foi este meu local-ovo durante boa parte de minha juventude. leia mais…
Hoje tem lançamento de “Sobrescritos” (Arquipélago Editorial), novo livro de Sergio Rodrigues, na Livraria da Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572), às 19h. O autor narra o conto “Virtual” sobre desenho animado de Leon Vilhena no vídeo acima.
Na manhã do sábado da semana anterior, peguei um ônibus com o caçula para o Largo do Machado atrás de uma bateria para seu relógio. No caminho, na Conde de Baependi, quase esquina de Tavares Lira, fotografei a barraca (dupla) do camelô que, há muitos anos, vende ali miniaturas de animais. Dinossauros, insetos, bichos de fazenda… Uma verdadeira arca de Noé. Mais adiante, na Machado de Assis, entramos na loja de um relojoeiro – uma raridade nesses tempos em que, cada vez mais, se substitui as coisas em vez de consertá-las; especialmente relógios, vendidos por trocados em qualquer esquina. Saindo dali, passamos pela feira no Largo do Machado, onde registrei almofadas listradas, combinando o toldo da barraca em que eram vendidas. leia mais…
Não é de hoje que se fala sobre as mensagens subliminares e deseducativas disseminadas pelos perigosos Walt Disney, Stan Lee e Maurício de Souza. Por isso, esta semana, nosso Arnaldo Branco esbanja erudição, recorrendo a Seinfeld, Cebolinha e Flaubert para mostrar o que é que os quadrinhos não têm.