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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Espírito bandeirante


Quer dizer que maus militares ursupam o poder e o mantém ilegalmente por 21 anos, fazendo o que bem entendiam, em nome de uma tal segurança nacional, neguinho continua entrando no país como se aqui fosse a casa da mãe Joana e é uma reserva indígena no cu de Roraima que está ameaçando a nossa soberania?

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Galinha verde


O deputado federal Jair Bolsonaro desrespeitou ontem o ministro da Justiça, em reunião da comissão da Câmara sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, acusando-o de "amigo de terroristas". Tarso Genro rebateu chamando-o de nazista e Bolsonaro deve ter rido por dentro. Porque Bolsonaro não é nazista. É apenas um espertalhão que vende uma visão deturpada de honestidade para cidadãos pouco esclarecidos. Para ele, o xingamento do ministro foi elogio. O seu eleitorado gosta.
Fosse honesto, Bolsonaro não se locupletaria às custas daquilo que diz desprezar, a democracia. Em vez de estar na Câmara, estaria de pijamas conspirando num clube militar. Mas, esperto que é, leva vida de marajá enganando militares ingênuos que acreditam que ele está na política para defender os direitos deles. E faz isso tão bem que levou a sua corriola a reboque - tem filho vereador, filho deputado estadual e chegou a eleger a mulher também.
Não há diferença entre Bolsonaro e Fernandinho Beira-Mar: ambos negociam o ilícito. Só que o esperto Bolsonaro se faz valer das vantagens do foro privilegiado. Sabe que pode falar e fazer o que bem entender que jamais vai ser preso. Finge combater a impunidade e a usa em proveito próprio. Diz que é a favor da tortura, da supressão dos direitos individuais e até da execução sumária. Durante a campanha do referendo das armas, chegou a dizer que atiraria numa criança que se aproximasse dele na rua - e aí, juiz Roberto Câmara Lacé Brandão, isso não é apologia ao crime não? E sabe que a sua maior bandeira, a pena de morte, é um tremendo engana-trouxa, pois não há a menor possibilidade de que ela venha a ser adotada legalmente no Brasil.
Porém, mais do que espertinho, Bolsonaro é um fanfarrão que acredita que só a força é argumento. E foge da raia na hora do pau, como fizeram os integralistas.

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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Uma canção ao cair da tarde: "Buena", Morphine




Mr. Sandman, bring me a dream.

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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Jabor e o cinema


Por Eduardo Souza Lima

Arnaldo Jabor foi ver "Homem de Ferro" e, como sempre, escreveu um monte de bobagens e obviedades sobre o filme em sua coluna. Outro dia, ele estava no programa do Jô Soares e os dois, que não resistem a um simples teste de conhecimentos gerais, começaram a falar de cinema. Hollywood era o porto seguro de ambos; saiu de lá, só conseguiram citar Bergman e Fellini e dizer que o cinema francês - "exceto Truffaut", é claro - era chato. Jabor jamais vai escrever sobre "Falsa loura". Porque ele só sabe discorrer sobre o óbvio e porque, como bom empregado, só escreve sobre filmes da Globo Filmes. Mas até aí tudo bem, paga o seu soldo quem acha que ele o merece - e o cara faz por onde, convenhamos - e lê sua coluna quem gosta ou é masoquista - o meu caso, tenho mais é que me lascar mesmo. O problema é que o sujeito vai fazer um filme. Produzido pela Globo Filmes. Com meu dinheiro. Se eu pudesse entrava na Justiça para impedi-lo.

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Fotodiário celular HK

Por Henrique Koifman

Praça XV e arredores. Sábado, 10 de maio, começo da tarde


Comecei a a registrar essas imagens há pouco mais de dois meses, com a idéia de montar um foto-diário.
Todas as fotos são feitas com a câmera VGA do celular, dos mais simples (e baratos) disponíveis no mercado. Tão simples que, com resolução máxima - a que uso -, não rendem ampliações com mais de 10x7 cm de tamanho. Além disso, a memória do aparelho é bem pequena e só posso fazer umas cinco ou seis fotos por "saída". Depois, é preciso descarregá-las em um computador através de uma conexão USB. Ou seja, quase sempre, faço apenas uma foto de cada assunto.

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Procurando tu


Estréia amanhã, às 21h, no Canal Brasil, "Procurando quem", programa criado pelo músico, escritor e cineasta Rodrigo Bittencourt, a partir do seu curta "Procurando Jorge Mautner" (2007). Misturando ficção e documentário, Rodrigo (foto acima, filmando o bonitão Ferreira Gullar) vai às ruas à procura de figuras como Marco Palito, José Dumont, Cacá Diegues e Clarah Averbuck. A primeira temporada vai ter 13 episódios e a produtora da série, Mariza Leão, interpreta a si mesma no programa. Assista ao trailer abaixo.


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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Chaplin e o diabo a quatro


Daqui a pouco, as 15h, passa "Em busca do ouro", de Charles Chaplin, no Cine Mofo (Espaço Cultural Sylvio Monteiro, Rua Getúlio Vargas, 51, Centro, Nova Iguaçu). A entrada é franca. Às 19:30h tem sessão dupla de cinema brasileiro com "Amores possíveis", de Sandra Werneck, e "O diabo a quatro" (foto), de Alice de Andrade no Cineclube Sobrado Cultural (Rua Gonzaga Bastos, 312, Vila Isabel). A entrada custa um quilo de alimento não perecível ou R$ 2.

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Crime hediondo


É o mínimo que se pode dizer da cobertura asquerosa e irresponsável de boa parte da imprensa do assassinato da menina Isabella Nardoni. Dá vergonha de ser jornalista.

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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Ah, gripino...


Bateu uma nostalgia dos tempos que democracia era conversa pra boi dormir o sono eterno no favorito do Ricardo Noblat durante depoimento da ministra Dilma Rousseff à Comissão de Infra-Estrutura do Senado. É isso aí, uma vez Arena, sempre Arena. O pior é que não vai ser nenhuma surpresa se a manchete do "Globo" amanhã for "Dilma admite que mentiu".

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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Um minuto na Oficina do Artesão Mestre Quincas, Petrolina

Por Eduardo Souza Lima




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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

A 53 milhas a oeste de Vênus

Por Eduardo Souza Lima


Em Petrolina dá pra ir almoçar no espaço sideral.

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Domingo, 4 de Maio de 2008

Uma surpresa e o óbvio no Cine PE


Por Eduardo Souza Lima

RECIFE. O longa-metragem "Nossa vida não cabe num opala" (foto), de Reinaldo Pinheiro, o último a ser exibido na mostra competitiva, ganhou agora a pouco prêmio principal do Cine PE 2008. Foi barbada: houve um consenso geral no Recife de que a seleção de longas do festival este ano foi bem fraca. O veterano Rodofo Nanni (de "O saci") ganhou o prêmio de direção por "O retorno". Entre os curtas digitais, nenhuma surpresa também: deu "Amanda e Monick", do paraibano André da Costa Pinto, uma das produções mais comentadas do evento. Já entre os curtas em 35mm, a briga foi bonita. "Os filmes que não fiz", do mineiro Gilberto Scarpa, também exibido ontem, levou o prêmio principal. Já o do público na categoria foi surpreendentemente para o documentário experimental "Drežnica", de Anna Azevedo, que chegou a ser chamado de "hermético" por um jornalista local. O resultado completo está no site do Cine PE.

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Sábado, 3 de Maio de 2008

E o Sapo Cururu foi para...


Por Eduardo Souza Lima

RECIFE. O cantor e compositor Lula Queiroga ganhou ontem o prêmio do festival/festa off Cine PE pelo videoclipe aí embaixo - ainda bem que o meu sentido de aranha me alertou para não me deixar fotografar nos anos 80. Foi por aclamação. E olha que o cara competiu com o insuperável Grillo e com Lírio Ferreira. A festa, promovida pelo amigo Jura, do Telephone Colorido, aconteceu no Cine Olinda, que está sendo reformado e quiçá será reaberto. Para tanto, rolou também uma cerimônia para exumar a caveira de burro que estava enterrada no local. Esses pernambucanos são uns neuróticos.


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Phd em Cinema Brasileiro: Cinema cachoeira, festivais da vida


Por Paulo Henrique Souto
Foto: Ipojucan Ludwig

 
Freqüento festivais de cinema há muito tempo, por todo o país e mundão de meu Deus. No ano passado, ao lado de Carlos Alberto Prates e Alberto Graça, fui, com prazer, homenageado no Primeiro Festival de Cinema de Montes Claros, minha terra natal, onde exibi, 28 anos depois, "Aníbal um carroceiro e seus marujos" (foto). É meu único filme, um média-metragem com linda fotografia de José Tadeu Ribeiro, com os grupos folclóricos das festas de agosto: catopês, marujos e cabloquinhos que animam a cidade todos os anos. Enfim, estive em dezenas de festivais, mas esses dias vivi uma experiência gratificante: juntei-me à jovem equipe, como assessor de imprensa, do I Festival de Cinema de Nova Iguaçu, o Iguacine, que veio para ficar, com certeza. Cerca de 300 títulos inscritos, 50 curtas selecionados, gente de todo o país mostrando seus filmes para uma cidade que respira cinema. Há dois anos a cidade abriga a Escola Livre de Cinema, com cerca de 700 alunos, crianças, adolescentes e adultos, que criam e fazem filmes, incluindo desenhos animados de alta qualidade - alguns são vinhetas de TV de grife; outros, exibidos mundo afora. Estes 700 alunos mais os parentes e aderentes formaram o público interativo do Iguacine, milhares de moradores assistiram a filmes, de graça, alguns pela primeira vez, jamais tinham ido ao cinema, em projeções espalhadas por toda Nova Iguaçu. Com 30 anos servindo ao cinema brasileiro externo aqui o prazer de fazer parte deste time liderado por Marcus Vinicius Faustini, cineasta e diretor de teatro premiado, idealizador da Escola Livre de Cinema e hoje secretário de Cultura de Nova Iguaçu, um azougue, uma usina de idéias. Assim que fui sondado para trabalhar, fui lá conhecer a secretaria e a escola. Fiquei encantado. Na sede da Secretaria, Faustini derrubou paredes, colocou todos frente à frente, chamou os grafiteiros bons da área para decorar o ambiente, tirando aquele ranço comum às instalações que abrigam funcionários públicos, os barnabés, assim denominados por meu conterrâneo Cyro dos Anjos, imortal da ABL. Com se não bastasse, instalou computadores e abriu as portas aos jovens da cidade, que criam blogs, trocam idéias via mundo virtual. Assisti a curtas do Vidigal, da Maré e de toda a Baixada. Os diretores debateram com um público interessado, fiquei emocionado e feliz; são jovens que não se lamuriam, eles criam, mostram suas comunidades escancaradamente e com bom humor e abominam a idéia de exclusão. Fazem como podem, têm a exata noção do prazer que é fazer cinema, quer seja usando o celular ou alugando câmeras, curtem a oportunidade que o cinema proporciona de trocar idéias e integrar, têm consciência de que é uma arte de muitos. São persistentes. Indagados pela platéia se cinema tem futuro, se dá grana, respondem que acreditam no que fazem. Afinal, cinema é cachoeira, já dizia o velho Humberto Mauro, eles tocam o barco. Que maravilha gratificante a sensação de ver ratificada ali a força do cinema. Com certeza dali sairão bons cineastas, sem fronteiras, para a janela mágica do mundo. Oxalá. Aguardemos o Iguacine 2. E preparem-se para pegar a Via Light e ir conferir. Valerá a pena ver pra crer.

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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Sessão da Tarde: "O fim do homem cordial"




Antônio Carlos Magalhães mandou a polícia invadir a Universidade Federal da Bahia e ficou por isso mesmo. Mas Daniel Lisboa ficou tão puto que fez este filme.

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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Viram ou não viram


Por Eduardo Souza Lima

Saiu no sábado à noite o resultado do Curta-SE 8, no Cinemark de Aracaju. Levaram os principais troféus Ver Ou Não Ver os curtas "Engano" (ficção), "Pajerama" (animação) e "Drežnica" (documentário). "Ele" mereceu do júri uma Menção Honrosa e "O Evangelho segundo Seu João", uma Menção Especial. "O lobinho nunca mente" ganhou o prêmio do júri popular.
Entre os longas-metragens (votados apenas pelo público), o maior vitorioso foi "O banheiro do Papa", que ganhou os prêmios de melhor filme, direção e ator (para César Trancoso). Dedina Bernadelli (foto) ganhou o de melhor atriz por "Adagio sostenuto". Veja a lista completa dos vencedores aqui.

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Sábado, 26 de Abril de 2008

TV Brasil terá editais


Por Eduardo Souza Lima

Aniversariante do dia, Orlando Senna, diretor-geral da TV Brasil, anunciou ontem no Curta-SE que a emissora terá R$ 60 milhões para investir em editais para a produção de programas. Senna revelou também a intenção de se criar um instituto de pesquisa de audiência estatal.
As mostras competitivas terminaram ontem também, com os curtas "O Evangelho segundo Seu João", produzido por mim, João Moraes e Leonardo Gomes; "Cânone para 3 mulheres", de Carlos Eduardo Nogueira; "Saliva", de Esmir Filho; "4=1", de Nelson Nascimento; "Em 1972", de Tadao Miaqui; "Paralelos", de Alexandre Basso; e "Tibira é gay", de Emílio Gallo. Os longas-metragens "O singo da cidade", de Carlos Alberto Riccelli, e o surpreendente "Crítico", de Kleber Mendonça Filho, fecharam a noite. Hoje tem a cerimônia de premiação no Cinemark e a exibição especial do musical "Maré, nossa história de amor" (foto), de Lucia Murat.

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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

A classe operária vai ao Paraíso


Por Eduardo Souza Lima

Ontem rolou no Curta-Se “Falsa loura”, filmaço de Carlos Reichenbach, no barato os melhores começo e final do cinema brasileiro dos últimos tempos. Aquelas coisas que só o Carlão sabe fazer: na mão dele fica sublime; na de outrem, poderia ficar ridículo - Deus do Céu, o que é a Rosane Mulholland? Tem até o Maurício Mattar fazendo papel de Fábio Júnior. Como o diretor não pôde comparecer, o diretor assistente Daniel Chaia (que hoje mostra o seu curta “De resto”) e a atriz Djin Sganzerla, que levou o merecidíssimo Candango de atriz coadjuvante no último Festival de Brasília, apresentaram o filme (ver abaixo). Só pra lembrar: o filme está em cartaz no Rio, não perca por nada deste mundo.

O filme da Mostra Competitiva de Longas de hoje é o inédito "Adágio sustenuto", de Pompeu Aguiar, com Dedina Bernadelli (foto). A sessão começa às 21:10h, logo depois dos curtas.


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ET espanhol


Por Eduardo Souza Lima

Ontem teve a première mundial de "A cauda do dinossauro", de Francisco Garcia, baseado numa história do Angeli. O filme é muito legal, mas a grande surpresa da noite, na Mostra Competitiva de Curtas Ibero-americano 35mm do Curta-SE, foi o espanhol "Avant petalos grillados" (foto), de Velasco Broca. Espécie de ficção científica B experimental, o curta é um brilhante exercício de textura e enquadramento em fotografia.
Hoje tem a estréia nacional de "Drežnica", de Anna Azevedo, que foi lançado no Festival de Berlim e que agora também participa do HotDocs, em Toronto, no Canadá. Passam também no Cinemark "Ele", de estudantes de Vitória, no Espírito Santo; "O crime da atriz", de Elza Catado, "Pajerama", de Leonardo Cadaval; "O Livro de Walachai", de Rejane Zilles; Una receta roja para cocinar custáceos", do mexicano Eu-Hee-Ihn; "O lobinho nunca mente", de Ian SBF; "De resto", de Daniel Chaia; "Busólogos", de Cristina G. Muller; "A cidade e o poeta", de Leulane Corrêa; e "Adro da Candelária".
Também ontem terminou a Mostra Competitiva de Vídeos Sergipanos". Rolou um problema na projeção de "Venha ver o pôr do sol". Foi lamentável, é claro, mas a reação de uma galera local foi pra lá de exagerada. A diretora executiva do evento, Rosangela Rocha, põe os vídeos dos caras no Cinemark e Aracaju no mapa cinematográfico do Brasil, além de arrumar R$ 10 mil de prêmio e neguinho ainda reclama. É ser muito mal acostumado.

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Libertadores da América


Por Eduardo Souza Lima

César Charlone, o nosso Sean Connery, contou em Aracaju que está envolvido numa série da TV espanhola em parceria com a Wanda - empresa de José María Morales, o produtor espanhol que mais investe hoje em co-produções com a América Latina - sobre os camaradas que dão nome ao torneio liderado por Fluminense e Flamengo e a ruas do Leblon. Seriam quatro telefilmes, dirigidos por cineastas de países diferentes. Charlone ficou com Artigas, o libertador do Uruguai; o cubano Fernando Perez, com José Martí; e o argentino Daniel Burman, com San Martin. Morales prefere não divulgar ainda o nome do brasileiro que vai fazer o filme sobre Tiradentes. Charlone está entusiasmando com seu personagem:
- O Artigas tinha que lidar com um grande dilema: acreditava em igualdade social, mas era financiado pela burguesia. Queria libertar o Uruguai da Espanha, mas teria que entregar o poder para um bando de calhordas.

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Ibero-americanos em cartaz


A principal mostra do Curta-SE 2008, a Competitiva de Curtas Ibero-americanos de 35mm começa hoje com a exibição de sete filmes no Cinemark, a partir das 20:10h: "A cauda do dinossauro", de Francisco Garcia; "Cine Zé Sozinho", de Adriano Lima; "Avant petalos grilados", de Velasco Broca; "Bárbara", de Carlos Gradim; "A peste da Janice", de Rafael Figueiredo; "Ícarus", de Victor Hugo Borges; e "Engano", de Cavi Borges. Antes, às 19h, tem a segunda sessão da Mostra Competitiva de Vídeos Sergipanos, com "Você conhece La Conga?", de Sérgio Borges; "Verdadeira imagem", de Karla Dias; "A parede", de Graziele Andrade; e "Venha ver o pôr do sol", de Ricardo Jost Resende. A sessão termina com o segundo longa da competição, "Falsa loura", de Carlos Reichenbach, às 21:40h. O ingresso custa um quilo de alimento não perecível. Como Carlão não pôde vir ao festival, a atriz Djin Sganzerla (foto) e o assistente de direção Daniel Chaia fazem a apresentação.

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A César o que é de César


Por Eduardo Souza Lima

O Curta-SE 2008 começou pra valer esta noite de terça-feira, no Cinemark, com a exibição dos primeiros vídeos sergipanos e o primeiro longa-metragem da mostra competitiva, "O banheiro do Papa" (foto), de César Charlone e Enrique Fernández. Para a galera de Sergipe, logo de cara uma boa nova: o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, anunciou que o prêmio para melhor vídeo do estado pulou de R$ 6 mil para R$ 10 mil - e tem premiação para o segundo e o terceiro lugares também. Os primeiros exibidos foram "As aventuras de Seu Euclides - Parafusos", de Marcelo Roque Belarmino; "Deu bode", de Fátima Góes; "Gen, 19:26", de Diego Calazans; "Unconscious", de Ricardo Nunes; e "Fita crepe - A importância do produtor na comunicação audiovisual", de Renato Mariano. Mas desses eu não posso falar, pois faço parte do júri.

"O banheiro do Papa" também concorre a um prêmio de R$ 10 mil, em votação do júri popular. O longa-metragem, uma co-produção Uruguai/Brasil/França, que está em cartaz no Rio, estréia em Aracaju no dia 2. Charlone fez questão de prestigiar o festival, onde fez uma breve apresentação do filme (ver vídeo abaixo). O diretor estava encantado com as possibilidades da projeção digital:
- Para filmar, ainda não encontrei um instrumento tão bom quanto a câmera de película. Mas com a projeção digital é possível perceber detalhes e nuances que passam despercebidos num projetor de 35mm tradicional. A não ser, é claro, nas melhores salas.

Embora esteja satisfeito com o desempenho de seu filme nas bilheterias - até agora fez cerca de 26 mil espectadores no Brasil -, Charlone pensa que é hora de se repensar a distribuição de cinema:
- Eu gostaria de lançar o filme simultaneamente nos cinemas e em DVD de banca de jornal. Quem comprasse o DVD ainda ganharia o ingresso, caso fizesse questão de assistir ao filme no cinema. Calcula-se que "Tropa de elite" tenha sido visto por mais de 40 milhões de pessoas no Brasil. O que prova que há demanda, as pessoas só não têm acesso aos filmes.


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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Noite de Jorge


Hoje, aproveitando a véspera do feriado de São Jorge, tem Salve! Festa-tributo ao Santo Guerreiro no Clandestino Bar (Rua Barata Ribeiro, 111, Copacabana), a partir das 23h. Os Djs Jorge Luiz, João Sabiá e Fábio Maia fazem o som e Dom Negrone, as honras da casa, como mestre de cerimônias. Os ingressos custam R$ 10 (até meia-noite) e R$ 15, mas os dez primeiros que disserem "Salve, Jorge!" na entrada, não pagam ingresso.

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Crocodilagem no LapaLounge


Jacaré na Débora Secco anda no programa LapaLounge desta semana. A seção Tirando a Poeira vem de Arrigo Barnabé e suas "Diversões eletrônicas", do antológico disco "Clara Crocodilo". Também são destaque no programa dos DJs Jorge Luiz e Brant e da Srta. "A" a banda inglesa The Draytones, a americana Clare & The Reasons e a suíça The Young Gods. O pessoal manda avisar que, caso você tenha alguma dificuldade para baixar o programa, envie um e-mail para lapa.sucupira@gmail.com informando se seu equipamento é Mac ou PC, que eles te dizem o que fazer.

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Cine Aracaju


O Sul é que leva a fama, mas cidade de Primeiro Mundo no Brasil é Aracaju, onde até o banheiro do rodoviária é limpo. A capital de Sergipe também é sede de um dos mais bacanas festivais de curtas-metragens do país, o Curta-SE, cuja oitava edição começa no sábado e segue até o dia 26. Além da mostra competitiva principal, de de curtas ibero-americanos (cuja lista a gente já publicou aqui), o evento tem também mostras paralelas de vídeos sergipanos, de bolso e ibero-americanos; curtas de animação, húngaros, franceses, portugueses e cubanos; e a exibição especial dos longas-metragens "O grão", de Petrus Cariry; "Maré, nossa história de amor", de Lúcia Murat; "Elogio ao 1/2", do português Pedro Sena Nunes; e "Encontro com Milton Santos ou O mundo global visto do lado de cá", de Silvio Tendler. Outra atração é mostra competitiva de longas, uma curadoria bastante heterodoxa de Isabelle Cabral, da Pipa Produções, que vai exibir em Aracaju "Falsa loura" (foto), de Carlos Reichenbach, que estreou hoje no Rio; "O banheiro do Papa", de Enrique Fernández e César Charlone; "O signo da cidade", de Carlos Alberto Riccelli; e "Crítico", de Kleber Mendonça Filho. O público vai decidir quem é o melhor. Fique de olho que o site da Zé Pereira vai cobrir o evento.

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Ozzy e o busum do metal


Por Fernando Barreiros
Ilustração: Marco Donida

Tudo começou em um posto de gasolina em Niterói infestado de punks, metaleiros, nerds metaleiros e hell's angels.
Um ônibus todo preto pára na esquina e todo mundo, quase que ao mesmo tempo, "cacete, ônibus do metauuuu". E é o nosso salvador do metal, Maradona. Não é que nem naquela propaganda em que todo mundo no carro vai headbangueando e no final é porque o carro está com problema no freio, não senhor; era, sim, o ônibus mais satânico do mundo.

Chegamos no lugar do show. O "guarda-volumes" era uma lata de lixo, sim. Mas isso que se foda, eu sou um fã de Ozzy e de Black Label, não um fiscal.

O show começou com os roadies. Quando o primeiro desceu de uma corda a platéia foi à loucura! "ROADIE! ROADIE! ROADIE!". Deram pelo menos umas duas horas de show! Foi muito foda! Depois entra o Black Label, nosso amigo Zakk Wylde vestido de jardineiro dos infernos, sim, ele estava de macacão. Mas ninguém aqui é macho o suficiente pra dizer pra ele "Aí, seu merda, tu parece um jardineiro!". O som estava fuderoso, em todos os solos dele eu pensei "holy hell, THAT'S a guitar". O Black Label termina e começa o show do milhão, quero dizer, do Korn. Claro que foi nessa hora que os metaleiros de verdade saíram para dar uma mijada ou comprar mais birita, porque Korn é uma merda. O show deles acaba e eu sinto um alívio sinistro (sim, foi quando eu estava mijando). Meia hora depois ouvimos a risada demoníaca do Ozzy. Me senti na Disney de novo, sabia que a risada era gravação, mas preferi acreditar. Ele entrou, todo mundo pirou completamente. Toda vez que ele chamava a gente de fuckers, todo mundo, mais uma vez, pirava. Depois de algumas músicas, Zakk Wylde resolveu nos perturbar um pouco com solos de meia hora só para dar um descanso para o velho e cansado Ozzy. Jogaram copos. Eu também jogaria se estivesse mais perto, mas não deu. Na última música da noite, ele (Zack) resolveu tirar uma onda fazendo seu solo em cima da platéia. Jogou a guitarra e depois se jogou. Só ele voltou inteiro. Nossos compatriotas escrotos resolveram meter a guitarra do cara, só que era a guitarra preferida dele, ele é enorme e tava muito puto. Não preciso dizer o que aconteceu, certo?

Depois disso a noite acabou e todo mundo foi ou pogar ao som de Anthrax no estacionamento ou esperar um busum (não do metal) na beira da estrada. Eu fui no busão do metal, claro. Então foi isso, foi um dia do metal, voltei às minhas raízes metaleiras de quando tinha cabelão e parecia a Maria Bethania e me diverti para caralho, menos na hora do Korn.

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

O cinema finca pé na Baixada


O Brasil corre o risco de virar um país de batedores de lata, jogadores de capoeira e rabiscadores de paredes. Em que se pese as boas intenções, oficina de pobre é isso aí, raramente lhe é oferecido algo diferente. Nascido e criado em Santa Cruz, o diretor de teatro e cineasta Marcus Vinicius Faustini, secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, quer sair do lugar-comum. E em vez de ensinar a garotada da Baixada a batucar, quer que ela aprenda a fazer música eletrônica e audiovisual. Seu primeiro feito foi criar a Escola Livre de Cinema, criada em parceria com a Reperiferia, que funciona desde julho de 2006 e que no momento tem 600 alunos matriculados. A idéia agora é formar público, por meio do Iguacine - 1º Festival de Cinema de Nova Iguaçu, que acontece de 23 a 30 de abril.
- Eu quero que o jovem de periferia tenha instrumental para competir de igual para igual com o garoto da Zona Sul. Não adianta só montar peça de teatro em escola, tem que apostar nos novos talentos e lhes dar condições de aprender a trabalhar com novas linguagens e tecnologias - diz Faustini.

Para tanto, o secretário está abrindo editais públicos no município. E é claro que no começo encontrou várias dificuldades:
- Em Nova Iguaçu havia a cultura do balcão: o artista queria montar um espetáculo e batia de porta em porta no comércio para arrumar patrocínio. A gente quer criar agora a cultura do edital.
Em sua primeira edição, o Iguacine vai vai homenagear o cineasta Sergio Saenz, com a exibição de seu novo longa-metragem, o documentário "Devoção". Foram nada menos do que 239 filmes inscritos de todo o país, dos quais foram selecionados 53, que serão exibidos em toda a cidade. Destes, 32 fazem parte da mostra competitiva. O festival terá ainda mesas de debates, oficinas e palestras. Todas as atividades serão gratuitas. O festival também vai criar um circuito alternativo de exibição: além das sessões no Espaço Cultural Silvio Monteiro (Rua Getúlio Vargas, 51, Centro), sede oficial do festival, os filmes também serão projetados em praças públicas.
- Ninguém vai conseguir sair de casa, ir ao supermercado ou pegar um ônibus sem assistir a um curta-metragem, sem ouvir falar em cinema. Vamos buscar o público onde quer que ele esteja - diz Faustini.
Além dos curtas, serão exibidos os longas "Mutum", de Sandra Kogut, "PQD", de Guilherme Coelho, e "Juízo", de Maria Augusta Ramos. Veja a programação completa aqui.

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ô-ô, ô-ô,

OBINA É MELHOR QUE O REITOR

Timothy Mulholland pode ter pisado na bola, mas a sua filha, a atriz Rosane Mulholland, bate um bolão e certamente ele não é um delinqüente, conforme o jornalista Augusto Nunes no último "Roda viva". Já a faixa com os dizeres acima levada por alunos da Unb à reitoria é daquelas piadas que você até perde o amigo.

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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

PhD em Cinema Brasileiro: O dia em que Bertolucci falou "eu amo o cinema brasileiro"


Por Paulo Henrique Souto

Ano 1978, eu trabalhava o lançamento de "A Lira do Delírio" (foto), de Walter Lima Jr., com enorme prazer, porque Waltinho, gentil-homem, me aplicou de Rio de Janeiro nas andanças pelas redações de jornais e rádios - naquele tempo íamos às redações - entregar as fotos, os lindos e caprichados press-books. Recém chegado de Minas, conheci os becos, os bons restaurantes da cidade, os bares maneiros, apresentados pelo diretor, um privilégio. No sábado anterior ao lançamento, Waltinho promoveu uma feijoada em sua casa no Cosme Velho, casa linda com quintal, vários cineastas em torno de Bertolucci que lá pelas tantas declarou que amava o nosso cinema "pela criatividade", que ficava muito impressionado como, sem grana, produzia-se lindos e bons filmes, inventando gruas, lentes, enfim, criando... e arrematou que "tinha vontade de fazer um filme assim, com pouca estrutura (leia-se grana)".

Na segunda-feira, na pré-estréia, no Cine Palácio, com forte aparato, luzes de enormes refletores na rua - alugadas da produtora de Jece Valadão - iluminando a porta do cinema, casa lotada. Muita coisa aconteceu naquela noite, um colega da Embrafilme veio correndo me avisar que os travestis que atuavam no filme foram barrados pela gerente do cinema, corri até lá e expliquei pra, acho que era dona Elza, que tinha que deixá-los entrar pois eram convidados de honra do diretor. O primeiro que entrou, voltou a cabeça de lado, mostrando a vasta cabeleira, e disse pra gerente: "Não falei que um dia ainda entrava neste cinema montada?" (vestido de mulher, pros leigos). Pedi ao pessoal da imprensa que aguardasse o final do filme, pois o Bertolucci daria uma declaração. Acabou o filme, lá ia ele saindo de fininho, o chamei, ligaram as luzes das TVs e fiz a proposta, de propósito: "Por favor, diga pra imprensa brasileira como você vê o nosso cinema, como disse na casa do Waltinho". E tudo o que ele tinha dito ficou ali registrado, e ainda um belo comentário sobre a "A Lira do Delírio". Aliás, ratificava tudo o que ele disse, um filme feito com pouca grana e supercriativo, como todo o cinema de Walter Lima Jr.

Ano 1994, Ana Maria Magalhães, querida amiga, estava em Brasília e levou uma cópia do seu filme "Erotique", recém finalizado, uma coletânea de filmes de mulheres com temas eróticos. O episódio da Ana, "Chamada final", é baseado num conto de Clarice Lispector. Bertolucci apareceu em Brasília, Ana assim como muitos outros cineastas brasileiros é amiga do italiano, e aí resolveu mostrar o filme pra ele numa sessão matinal que não atrapalhava o festival. Na entrada do Cine Brasília eu disse pro Bertolucci: "É a segunda sessão de cinema que promovemos para você, lembra-se da Lira?". E ele: "Claro"... Gustavo Dahl, que na época do lançamento da "Lira" era diretor da Embrafilme, deu uma senhora gargalhada encantado com a minha memória e cara-de-pau. Eu perguntei se ele ainda tinha a mesma opinião sobre o nosso cinema, claro que tive que relembrar o que ele havia dito, e ele respondeu: "Vou fazer um filme parecido agora, com a minha própria produtora, com orçamento menor, sem interferência de grandes majors. Anos depois, assistimos ao lindo "Assédio", claro que com uma senhora infra , mas realmente o filme tem um clima diferente.

Lembro de Bertolucci andando a pé do hotel até a Praça dos Três Poderes, falando que era louco para ver de perto a Brasília que já o emocionara nos cartões postais e nos filmes. Alma simples, de artista, tem este mago do cinema. E tive o prazer de vê-lo e revê-lo, e contar pra você que agora me lê. Viva o bom cinema brasileiro, que volte a ser exibido, que saia das prateleiras, pois cinema, do grego kinema, é movimento, foi feito pra rolar. E aguardem o próximo episódio...

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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Soul music carioca ao vivo




Uma palhinha do encontro dos tijucanos do Conexão Japeri com o madureirense Gerson King Combo na Casa Rosa, sexta-feira passada. Tem pouco porque o som está bem ruim.

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Vão roubar beijo de outro!


Por Toinho Castro

Escrevo enquanto escuto a bela "The greatest", da cantora Cat Power, um dos temas do novo filme de Wong Kar-Wai. Mais precisamente, sua viagem pela América abandonada."My blueberry nights" ("Um beijo roubado", no Brasil) é um desses filmes que fazem a gente acreditar que o cinema morreu. É um filme retardado que enfileira um amontoado de clichês como se fossem a Beleza, aproveitando-se de certas grandes atuações para passar por obra cinematografica. Alguém cai nessa? Parece que sim, pois o filme anda sendo incensado, assim como o completamente idiota "2046".

Norah Jones tinha que dar uma entrevista coletiva para se desculpar pela péssima atuação. E quem ainda acredita que se vai encontrar o Jude Law num bar, esperando para ser amado? E então vem aquela conversa mole do estilo, dos enquadramentos e o tratamento da fotografia... blablablá sobre lixo estiloso que não leva a lugar algum. É um passeio boboca por uma América que não fala de si mesma, nem pra ninguém. Por favor reprisem "Paris, Texas", de Win Wenders. Em "Shine a light", o filme de Martin Scorcese que documenta um concerto do Rolling Stones, tem um close de Buddy Guy que fala mais da América que aquelas duas horas de Norah Jones comendo torta e juntando dinheiro pra comprar um carro. Nossos cinemas não agüentam mais ser açoitados nas costas por películas desse tipo.

Um monte de gente vai se emocionar com essa porcaria, e nem podemos ajudá-las. Talvez você seja uma dessas pessoas e está lendo indignada esse texto (que não chamo de crítica. Crítica é para os críticos... eu gosto de cinema). Se for o caso, por favor, escreva para o blog da Zé Pereira e se identifique. Saiba que também ando indignado com esse tipo de coisa que as pessoas insistem em chamar, levianamente, de cinema. É preciso estar muito carente para ter o coração batendo mais forte com uma (falta de) história tão sem cabimento e forçada. O pior é o final! O final é inacreditável... mas nem posso contar. E quando terminou ficou em mim a pergunta: e esse filme, em algum momento, chegou a começar?! Mas se você ainda não viu, vai lá e o assista, que agora só recomendo filme ruim. Recomendar filme bom é perda de tempo.

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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Miséria transvestida de Liberdade - mais uma cena da nossa Tragédia Cultural!!


Por Pedro Paulo Rocha*

O poeta Wally Salomão atravessou o barracão em sua permanente teatralização de um Cinema Novo e do Tropicalismo, "a memória é uma ilha de edição", "máscaras, máscaras, precisamos da mentira essêncial", a poesia, o cinema, a poesia, a música, o cinema, o teatro, a poesia, tudo, o novo sem tempo, o povo por vir e o que virá depois do cinema, Glauber em raio de lampião, "o assunto é cinema, o assunto é cinema, o assunto é cinema", os poetas encarnados, loucos, profetas, Leão de Sete Cabeças, o barco no oriente mais próximo, nas águas inventivas da terra, do transe, "medra da miséria do mínimo tirar a possibilidade", o riverão passa lá onde o invisível devora um rio de luz, a próxima cena não será em sonho, mas "um furo no real onde passará uma reta infinita", um surrealismo concreto, de certo, um surrealismo do sul do qual você é a imaginação.

Atravesso labirintos da memória futura dessas cidades, devoro civilizações, idades, explodo vosso corações com furia e som, sou o grito dos barbarizados e sua descrucificação.

O filme será a ezstética da fome porque a fome é fome de tudo, fome de sonho, "passando por cima de todos, a fome universal sempre querendo arrasar tudo, o mundo inteiro a seu favor" porque "a fome tem a saúde de ferro, forte como quem come."

*

No terraço solar o pancinema permanente, quasi-cinema, kynorama, parangolé, evoé, os poetas alquimistas destilando seus sons e cores, insistem no movimento, na mistura, na alternância, no rio corrente das orlas e das marés: sobre imagem projetadas nas águas da Amazônia onde não há luz, só há som, dormem as mutações de novos cinemas, poesias, músicas, teatros arquiteturas.

O poeta na praia depois da morte canta seu poema de gozo e rir, tudo o que é cultura é merda, adubo essencial, o resto é o que não perdurará mais que uma vida. "o que é bom para o lixo é bom para poesia."

Vou ser devorado a cada carnaval , venham vamos a orgia final, a antropofagia dos guerreiros, a invenção de outra vida.

*

O absurdo não estava no filme, mas na realidade, o filme é que era a nossa realidade mais absurda refletida em nosso espelho estilhaçado. Um escritor no asilo meio padre metaforicamente sem materialidade, lê uns versos de outro poeta, seus olhos em fogo até perder a visão: "por fim a realidade prima/ e tão violenta que ao tentar apreendê-la toda imagem rebenta", esses versos entre-cortados no meio da seqüência seguinte para provocar diretamente tudo o que pode ser o cinema quando se faz da vida uma arte da transfiguração. Um personagem intelectual analfabeto em poesia, o outro é um democrata do capital fazendo graça e esfumaçando.


O palhaço mad in globo no deserto cinematográfico completamente tomado pela mesmice estética faz sua cena, a sua única cena fora da privada que geralmente o vejo - só podia falar merda, problema grave de alimentação em nossa mediocre digestão cultural que não compreende e não quer compreender o que é uma arte nova, porque simplesmente ignoram a importância da invenção que nasceu por esses trópicos nas décadas de 60 e 70. Querem datar, ridicularizar o que é a obra de uma infinita criatividade para os contemporâneos e para as gerações futuras.

A ignorância violenta do mercado não engana, articula no discurso e propaga o apartheid cultural e econômico, a ignorância não dá mole, vacilou eles mandam ver, mandam queimar, segregam, guetizam, soterram. A patrulha é justamente essa, eles invertem para poder exercer a censura a seu modo, jogo de cena, atravessam o quadro, trapaceiam como se fosse simples questão de opinião e não de censura a liberdade de criação artistica que o cinema do Glauber sempre sofreu. Tudo bem transvestido na velha babaquice, o gostei, não gostei, gostei não gostei… blablablá…

O absurdo de quem disse e as defesas de uma suposta liberdade de expressão contra a reação, o desagravo, é de deixar perplexo. (como se fosse uma censura ao que foi dito e não uma reação, uma liberdade legítima de quem ficou estarrecido com tal besteirol dos planetas com seus cassetas). Tudo isso só revela a intolerância cultural que nos cerca. Não importa o nome de quem, mas a manifestação já é por si só sintomática de um tipo de microfacismo de quem quer arrasar com tudo, queimar e barbarizar. Adoram defender a clamada diversidade cultural que tem se mostrado bem mais segregadora do que realmente múltipla, poli-diversa. Vomitam prepotentes uma diarréia ignorante de todos os nossos miserabilismo não reconhecidos; ignorantes da fome, narcisos e não orfeus, preparam mais uma vez o circo para a risada onipotente de suas merdas diárias pela TV e quando a cortina se abre, entram para tirar sua parte do banquete, "sim, soy um democrata, reformista das desigualdades!".

A questão não é de merda, mas da diarréia geral, ou diária, que advém da gula, da fartura desnutrida e não da fome, mas da gula dos comidos e da arrogância dos globais.

Mais uma gangue adentrou no palácio e tomou a meia lua que fica no planalto central e o globo mediterrâneo e os cinemas centrais, a tela e a plataforma do espaço. Uma vozover dos imperadores eletrônicos: "ora sou corrupto ora defendo a liberdade de expressão, posso ser vários personagens, ora faço pastelão ora sou intelectual, ora mando ver com o batalhão de choque, ora sou um travesti fantasiado de comediante que diz: I love money, I love ser um liberal, I love merda, me ama dizer tudo que pensa, eu sou mais um global dessa tragédia cultural."

*Pedro Paulo Rocha é cineasta e artista multimidia, filho de Glauber Rocha
Foto: cena do filme "Rocha que voa", de Eryk Rocha

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